Longínquo, pouco conhecido, quase nunca mencionado e um sonho distante para alguns. Assim é Raja Ampat, arquipélago que figura como um éden na cesta de desejos de mergulhadores que não se contentam com qualquer imersão.Na Papua Sudoeste, Raja Ampat leva a fama de ser o “último paraíso no mundo”, um título que carrega uma constelação de predicados sedutores: suas 1,5 mil ilhas e ilhotas, que pertencem à Indonésia, estão refugiadas no coração do Triângulo de Corais ‒ região marinha chamada de a Amazônia dos Mares, com a maior biodiversidade entre os cinco oceanos.
Ali encontra-se mais de 75% de toda a vida existente em recifes na Terra. É de Raja Ampat, especificamente em Cape Kri, o recorde mundial de avistamento de inacreditáveis 374 espécies de peixes em um único mergulho de 90 minutos. Destinos como as Maldivas e a Grande Barreira, na Austrália, não conseguem nem a metade dessa pluralidade. Muitas das ilhas, de tão isoladas, passam a impressão de continuar intactas. Isso porque há uma baixa incidência populacional e o turismo começou apenas nesse século, sem a invasão de grandes resorts.
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Luxuosamente Embarcado
A viagem começa a bordo do Aqua Blu, considerada a mais sofisticada embarcação a atuar nessa região da Indonésia. Comissionado em 1968 pela Marinha Real Britânica, o então HMS Beagle era um navio militar explorador, que poucos anos atrás foi totalmente repaginado pela Aqua Expedition, transformando-se em um superiate de 60 m, com quatro deques e apenas 15 suítes exclusivas. Há o conforto de camas king size em acomodações de até 31 m², decoradas com uma proposta contemporânea, em tons de marfim e latão dourado.
Éramos apenas 11 afortunados passageiros (casais e viajantes solo), tratados carinhosamente por cerca de 30 simpáticos tripulantes. A embarcação oferece serviços semelhantes aos de um hotel butique. Nos deques superiores, há sala de massagens, com práticas balinesas, jacuzzi e um espaço de relaxamento para admirar o pôr do sol ao final da tarde. A gastronomia, impecável e customizada às preferências de cada hóspede, leva a assinatura do chef australiano Benjamin Cross, que propõe mesclar influências indonésias com mediterrâneas, e sempre priorizando os ingredientes locais. “Raja Ampat encanta, pois gera em muitos hóspedes a sensação de estar explorando uma das últimas fronteiras de beleza natural”, explica Gleen Wappett, gerente regional da Aqua Expedition.

Embora o Aqua Blu possua toda a estrutura de um liveaboard, a proposta do itinerário é o equilíbrio, mesclando experiências luxuosas e singulares com a exploração submersa. Em um roteiro de uma semana, por exemplo, são propostos, em média, dez mergulhos ou snorkels, todos de acordo com o perfil do mergulhador, com muito profissionalismo, sob a tutela do time do divemaster Kaz.
Na agenda há tempo para outras atividades, como remadas em caiaque nas cavernas Tomolol, a experiência zen do snorkel no Jellyfish Lake e a visita surreal a Love Lagoon (Karawapop, o mais espetacular lago de recife em formato de coração do planeta). Há, ainda, uma trilha para observar o raríssimo e endêmico pássaro-vermelho-do-paraíso, um gentil rafting e um sunset beach club em uma ilha isolada.
Amazônia submersa
Em Raja, passam correntes do Índico e do Pacífico, com a mistura de águas profundas ricas em nutrientes e águas quentes repletas de vida tropical. É um éden de milhares de ilhas, canais estreitos, recifes rasos e paredões profundos.


Partimos para Misool, no sul, aclamada por ter os recifes mais saudáveis e coloridos da Terra. É um festival de aquarelas exuberantes de corais duros, como acropora, tables gigantes e boulder, e de moles, como Dendronephthya em tons inacreditáveis de rosa, roxo e vermelho. Há expressivos jardins de sea fans (gorgônias-leques), frágeis criaturas marinhas que crescem apenas 1 cm por ano. No site Neptune’s Sea Fan, existem exemplares com séculos de idade.
Raja também é o celeiro de mergulhos macro, em que a missão é encontrar vidas minúsculas, como o mágico cavalo-marinho-pigmeu, um ser delicado, do tamanho de um grão de arroz. Nos paredões, circundam tubarões de recifes, como os galhas negro e branco, garoupas, barracudas, pargos, jack fishes e, claro, um dos símbolos do arquipélago: as raias-mantas-oceânicas, avistadas em Magic Mountain e Boo Windows. Admirá-las bailando no azul tropical, como fantasmas hipnotizadores, é desses privilégios inesquecíveis.
Candy Store, Andiamo, Yellet, Whale Rock e Fiabacet também são destaques do sul, onde encontram-se o incrível walking-shark (que anda com as nadadeiras), o endêmico wobbegong (tubarão-tapete), um símbolo local e mestre da camuflagem, assim como o peixe-sapo, e o pequenino polvo-de-anéis-azuis, mortalmente venenoso.
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Megalópole submersa
Voltamos a Raja Central. É no entorno da Ilha de Waigeo que está a maior densidade de mergulhos lendários por quilômetro quadrado do mundo. A queda agora é no coração de Melissa’s Garden, um “jardim de Versalhes” com uma festa cosmopolita. Há de tudo: desde nanicos agressivos, como o camarão-louva-deus-palhaço (e seu soco potente), até seres imensos e gentis, como as tartarugas-de-pente.
É dentro do Estreito de Dampier que estão outros sites cobiçados. Em Manta Sandy, há uma estação de limpeza das gigantes, com enormes chances de observá-las, assim como em Blue Magic. Lembra do recorde em Cape Kri? Talvez esteja aqui o sistema vivo mais complexo da Terra! Sawandarek é um local que garante, já nos primeiros segundos, um encontro com imensos cardumes de peixes-morcegos e de fusiles, que habitam o píer de uma pitoresca vila de pouco mais de 200 habitantes. São corais, tartarugas, tubarões e moluscos-imperiais (clams), tudo junto e misturado, vivendo aos pés de uma comunidade que os protege.


é considerada sagrada pelos papuanos

O cartão-postal
Há no sul as icônicas ilhas pontudas, que parecem brotar de águas azul-turquesa, como Harfat Jaya e Yapap. Mas é no norte que se encontram as Ilhas Wayag, o destino que aparece na maioria das buscas de internet. São inevitáveis os suspiros ao admirar as formações quase interplanetárias de cima do famoso mirante.
Bem em cima da Linha do Equador, o norte é mais isolado e possui menos pontos de mergulhos, tendo Black e Eagle Rock como os dois mais buscados para quem tem nível avançado. É lá que estão as ameaças das mineradoras de níquel, hoje o principal desafio para que Raja Ampat se torne um Patrimônio da Humanidade pela Unesco. Por enquanto, ela detém apenas o título de Unesco Global Geopark.
Já no final da viagem, navegamos com um zodiac pelos canais da mítica Passagem de Wallace, onde, em 1860, o naturalista britânico Alfred Russel Wallace coletou diversos espécimes cruciais para a sua Teoria da Seleção Natural. Ele achava que os canais eram uma conexão com outro mundo, um encontro biológico entre a vida australiana e a asiática. Talvez ele estivesse certo! Com uma face sobrenatural, essa pérola da Papua Ocidental brinca com o racional e se revela surreal. Que os deuses a afastem de todo o mal!
Clique aqui para ler a matéria na edição 23 da Revista UNQUIET.

Aqua Expeditions
Ambiental
- Eliminação gradual de plásticos descartáveis em toda a frota.
- Tratamento integral das águas residuais antes de devolvê-las aos rios e oceanos.
- Uso de iluminação LED, motores mais eficientes e instalação de painéis solares em embarcações.
- Sistema de gestão e reciclagem de resíduos em circuito fechado.
- Parceria global com a 4Ocean para remoção de plástico dos oceanos e rios, com meta anual de retirada de resíduos aquáticos.
Conservação da Biodiversidade
- Apoio à recuperação da tartaruga Taricaya na Amazônia peruana.
- Parcerias para conservação de raias-manta na Indonésia e pesquisas marinhas nas Galápagos.
- Apoio a iniciativas de pesca sustentável e proteção de ecossistemas aquáticos.
Social e Comunitário
- Contratação de guias, remadores e colaboradores das comunidades locais.
- Apoio a artesãos, pescadores e pequenos produtores regionais.
- Promoção e preservação de tradições culturais nas comunidades visitadas.
- Programas de educação ambiental e conscientização sobre gestão de resíduos.
Cadeia de Fornecimento Sustentável
- Mais de 80% dos alimentos servidos a bordo são adquiridos localmente.
- Parcerias com cooperativas de pesca sustentável e agricultores regionais.
- Incentivo a práticas de pesca responsável e fortalecimento da economia local.
Aqua Expeditions – Sustainability
Responsible Business Operations
Regional Community Outreach
Aqua Expeditions x 4Ocean


















































































































































































