4 destinos para mergulho

Abrolhos, Sharm el-Sheik, Palau e Maldivas são alguns dos lugares perfeitos para quem gosta de ir fundo

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O encontro entrou para a história. De um lado, Jacques-Yves Cousteau (1910-1997). Do outro, o engenheiro Émile Gagnan (1900-1979). Ambos franceses. Quem fez a apresentação, naquele ano de 1943, foi Henri Melchior, sogro de Cousteau e dono da Air Liquide, empresa de gases industriais. Ele sabia que os dois tinham interesses em comum. Cousteau aproximou-se da mesa de trabalho do engenheiro e, com algum desalento, disse que seu sonho era libertar os escafandristas da mangueira e da bomba na superfície. Para isso, teria de bolar uma válvula que reduzisse a pressão de um cilindro de ar comprimido à pressão ambiente. Sem delongas, Gagnan estendeu o braço, apanhou um objeto na estante e perguntou: “Seria isso?”. Era.

Com aquele encontro, o mergulho com ar comprimido deixou de ser um fetiche das marinhas de guerra. Foi se transformando em atividade do homem comum, pacato, civil. Não bastasse ter criado o mergulho autônomo, Cousteau inventava também o mergulho de lazer. Não parou por aí. Entusiasmado com o fundo do mar – por ele chamado de “o mundo silencioso” –, divulgou-o em filmes e programas para a TV. Criava assim a gênese do turismo de mergulho.

Veja a seguir alguns dos destinos incríveis para mergulhar até o fundo do mar.

Baleia Jubarte, Abrolhos | FotoArena
Coral-cérebro, Abrolhos | FotoArena

Abrolhos, Bahia

Para muitos, Abrolhos, ao largo da costa baiana, é o melhor point de mergulho do Brasil, embora o shopping center mais perto fique em Porto Seguro, a 260 quilômetros dali.

Abrolhos consiste em cinco ilhas diminutas, funcionando como posto avançado da Marinha. Somente uma é habitada, a de Santa Bárbara. Eis aí um dos raros enclaves do Brasil com mais de dez casas e nenhum bar. Também não tem hotel nem pousada. É preciso se alojar em Caravelas (22 mil moradores), de onde zarpam os barcos de turismo. O pernoite é feito a bordo.

Esqueça esses detalhes – e venha. No inverno, as baleias-jubarte dão bye-bye aos pinguins na Antártida e se acomodam para procriar em águas mais tépidas. Sem esforço aparente, saltam acima do nível do mar seus corpanzis de até 14 metros e 36 toneladas na idade adulta. Debaixo d’água, o espetáculo grandioso continua: todas as 21 espécies de coral da costa brasileira estão representadas, incluindo o Mussismula brasiliensis, com aparência semelhante ao cérebro humano – e exclusivo de Abrolhos. As formações coralíneas, aliás, deram origem ao batismo do arquipélago. Imensas, dificultavam o tráfego de barcos. Eram tantos os acidentes no século 17 que as cartas náuticas portuguesas recomendavam, com exclamação e tudo: “Abra os olhos!”. Pronto: Abrolhos.

Arraia-manta no mar Vermelho | Foto: Getty

Sharm el-Sheik, Egito

Sharm el-Sheik, encravado à beira do Mar Vermelho, no Egito, tem muito mais atrativos em terra firme que o arquipélago baiano. Nem dá para comparar. Começando pela ótima estrutura hoteleira, restaurantes e lindas praias. A cidade foi construída para ser um centro turístico com muitos resorts – graças à limpidez de suas águas.

Sua biodiversidade inclui tubarões-martelo, além das arraias-manta – as maiores do gênero. Não se amedronte: dá para bater as nadadeiras com segurança em meio aos bichões. Ao lado de diversos tipos de corais, suas águas cristalinas guardam naufrágios históricos como o do navio britânico SS Thistlegorm.

O graúdo cargueiro, de 126 metros de comprimento, zarpou de Glasgow, na Escócia, em meio à Segunda Guerra Mundial, para o que seria sua quarta e derradeira viagem. Seu destino era Alexandria, no Egito. Depois de contornar a África, entrou no Mar Vermelho. Perseguido pelos inimigos, acabou bombardeado por aviões alemães na madrugada de 6 de outubro de 1941. Seu paradeiro ficou desconhecido ao longo de 14 anos. Foi quando Jacques Cousteau – sempre ele! – encontrou os escombros, escreveu um artigo para a National Geographic, mas manteve a localização em segredo. A rigor, só em 1991 os mergulhadores começaram a descer, estupefatos, no que restou do Thistlegorm. Mergulhar ali é um privilégio. A carga, em boa parte intacta, incluía duas locomotivas, carros-tanque, camionetes, motocicletas e munição. Muita munição.

O cargueiro no fundo do Mar Vermelho e os aviões de Palau viraram paraísos do mergulho

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Carcaça de avião da II Guerra Mundial, Palau | Foto: Getty
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Tartaruga em Palau | Foto: Getty

Palau

Destroços de navios da Segunda Guerra naufragados são uma das especialidades do arquipélago de Palau, formado por oito ilhas perdidas no sul da Micronésia, no Oceano Pacífico, além de 250 ilhotas e atóis. Há nada menos que 50 deles. Em Palau funcionava uma base japonesa e o local foi cenário de diversos combates aeronavais. Hoje, no entanto, nesta pequena república surgida em 1981, a vida corre tranquila.

Até porque o país tem só 21 mil moradores, contingente que não lotaria o Estádio Independência, em Belo Horizonte. Ainda assim, por questões administrativas, resolveu trocar a superpovoada capital, Koror, de 12.700 habitantes, por Ngerulmud, de apenas 371 pessoas. É a menor capital em termos de população do mundo.

Mas a faceta mais inacreditável de Palau, a despeito das excentricidades em terra firme, está debaixo d’água. Ficam aqui alguns dos mais espetaculares points do planeta. Isso se dá pela soma de duas camaradagens da natureza. A primeira são as profundidades abissais. A segunda, a convergência de três generosas correntes marítimas, que trazem em seu bojo um número bíblico de nutrientes, capazes de alimentar mais de 1.500 espécies de peixes. Se você acha que o Caribe tem uma espantosa variedade de corais — e tem mesmo —, saiba que, em Palau, ela é quatro vezes maior. Melhor ainda: a vertiginosa visibilidade submarina chega a 60 metros, enquanto a temperatura da água é como a do Nordeste brasileiro.

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Corais estão entre os atrativos do mergulho livre em Palau | Foto: Getty

Maldivas

Tal como Palau, a República das Maldivas também se caracteriza por um punhado de ilhas. São 1.196, pulverizadas ao sul da Índia, no Índico.  Seu ponto mais elevado – digamos, seu Everest – chega a 2,3 metros acima do nível do mar. Caso as águas do planeta continuem subindo, as Maldivas tendem a desaparecer, como uma Atlântida moderna.

Assim como na Polinésia Francesa, as Maldivas têm ilhas cercadas por perfeitas proteções de corais. Isso permite aos resorts montarem bangalôs overwater, com fundo transparente e sustentados por pilotis. Lugares assim são vendidos como o Shangri-La para casais em lua de mel.

Também os mergulhadores ativam a sólida estrutura turística. Pudera. As Maldivas incluem alguns dos grandes points do mundo e oferecem experiências como a do catamarã de alto padrão Four Seasons Explorer. A embarcação é um centro de mergulho flutuante, com spa a bordo e refeições gourmet. Seu intento é seguir em busca de arraias-manta. Se você detectar uma delas ainda não registrada pela tripulação, terá o privilégio de batizá-la. Outra experiência inesquecível nas Maldivas é nadar na ilha Maamigile, em qualquer época do ano, com o maior de todos os peixes: o tubarão-baleia, um portento que pode chegar aos 12 metros de comprimento e pesar 20 toneladas.

Ciente de que seu fundo do mar é um atributo e tanto, as Maldivas inventaram o primeiro spa subaquático, o Huvafen Fushi. Contam também com um hotel com quartos debaixo d’água, o The Muraka. Sem esquecer o restaurante SEA, no Anantara Kihavah Maldives Villas, onde o almoço subaquático acontece no meio de um jardim de corais. Novidades que Jacques Cousteau adoraria aproveitar.

Clique aqui para ler a matéria na íntegra na edição 5 da Revista UNQUIET.

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Hotel Anantara, Maldivas | Foto: Hero Image
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SUSTENTABILIDADE

Ações de conservação do meio ambiente e ações sociais

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Anantara Kihavah Maldives Villas

  • Os hóspedes podem participar da limpeza da ilha com os membros da equipe que é feita uma vez por semana.
  • Implementação de sistema fotovoltaico Solar 500 kWv como fonte de energia.
  • Programa de adoção de corais, convida os hóspedes a participarem deste projeto de longo prazo, plantando corais em viveiro de recifes e acompanhando o crescimento com atualizações de fotos ou revisitas.
  • Galhos e arbustos são triturados para produzir cobertura morta para o jardim de orquídeas e outras plantas do resort.
  • A serragem produzida pela madeira usada para fazer móveis e adereços para atividades de resort é usada como cobertura morta nos jardins.
  • Apenas garrafas de vidro são usadas para fornecer água aos hóspedes e garrafas reutilizáveis ​​são fornecidas aos funcionários para água potável.
  • Produção de água destilada com e sem gás no local.
  • Estação de tratamento de esgoto de 150 lpm que converte mais de 300 K litros por dia de águas residuais em efluentes utilizáveis ​​para irrigação do paisagismo.
  • Conversão de água do mar em água potável usando dessalinização.

 

 

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