Budapeste sempre ocupou um lugar singular no imaginário europeu. Entre cafés históricos, arquitetura monumental e uma vida cultural vibrante, a capital húngara construiu uma reputação de cidade aberta às artes, ideias e diferentes formas de expressão. Nos últimos anos, porém, a vida da comunidade LGBTQIAP+ passou a refletir também os debates políticos e sociais que atravessaram o país, transformando a cidade em um interessante retrato das tensões e esperanças que marcam a Hungria contemporânea.
Em maio de 2026, recém-chegado de Budapeste, tive a oportunidade de assistir, em Amsterdam, aos eventos de memória e libertação realizados no Homomonument. Entre os convidados estava Viktória Radványi, presidente da Budapest Pride. Seu discurso, realizado durante as cerimônias que rememoram a libertação do regime nazista e o fim da perseguição às comunidades judias e LGBT, foi ao mesmo tempo comovente e necessário. Ela falou sobre a erosão gradual de direitos em seu país, sobre o clima de insegurança vivido por parte da comunidade e sobre como conquistas que pareciam consolidadas passaram a ser questionadas nos últimos anos.
Mas o que mais me marcou não foi a denúncia. Foi a esperança. Viktória representou uma geração que continua a acreditar em uma Hungria mais aberta e alinhada aos princípios de igualdade que hoje caracterizam grande parte da União Europeia. Ressaltou a resistência com um olho no futuro, e talvez seja justamente essa combinação que melhor define a Budapeste que visitei.
+ Leia outros roteiros de viagem LGBT+






W Budapest
Benefício: Mimo de boas-vindas, guia curado pelos concierges do hotel com espetáculos e exposições; Upgrade; Early Check-in/Late Check-out de acordo com a disponibilidade.
Use o código: UNQUIET
Validade: Setembro de 2027


Pouco antes das recentes transformações políticas no país, já se percebia uma mudança de atmosfera. Havia mais visibilidade, mais confiança e uma sensação de renovação que parecia percorrer cafés, galerias, centros culturais e espaços criativos da cidade. Conversando com os locais, ficou claro que os desafios permaneciam presentes, mas, pela primeira vez em muitos anos, a esperança parecia ocupar um espaço tão visível quanto as preocupações.
Essa energia se manifesta especialmente nos bairros centrais de Pest. Diferentemente de Londres, Madri e Berlim, Budapeste nunca teve um bairro gay definido. A vida LGBT se espalha pela cidade, misturada à sua vibrante cena cultural, gastronômica e artística.
Entre os espaços mais conhecidos está o Alterego Club, há anos um dos principais pontos de encontro da comunidade. Shows de drag queens, apresentações performáticas e noites que atravessam a madrugada o transformaram em uma verdadeira instituição da vida noturna.

Mais fervido, o Why Not Café & Bar ocupa uma localização privilegiada junto ao Rio Danúbio, com vista para a Colina Gellért e a Ponte da Liberdade, e se tornou um dos espaços mais badalados, reunindo moradores e visitantes em noites de caraoquê, shows performáticos e encontros informais. O Habroló representa outra faceta da noite local. Pequeno, intimista e sem pretensões, funciona como uma extensão da sala de estar de muitos frequentadores, onde paqueras e amizades surgem naturalmente.
Talvez os eventos mais interessantes aconteçam fora dos espaços tradicionais. Festas como Garçons (techno e house), Hello (pop e eletrônica), WOW (techno e house) e Triton (tribal e som de circuit party) ocupam regularmente antigos edifícios industriais, centros culturais e espaços alternativos, reunindo música, arte, moda e performance. São celebrações que refletem uma geração que continua a confirmar sua presença de maneira criativa.


Essa criatividade dialoga perfeitamente com os famosos ruin bars de Budapeste. Instalados em antigos edifícios abandonados do bairro judeu, lugares como o Szimpla Kert ajudaram a criar uma cultura urbana queer mais aberta e diversa e menos preocupada com padrões. Embora não sejam espaços exclusivamente LGBT, eles desempenham um papel importante na construção de uma cidade mais inclusiva.
É justamente a convivência entre a fragilidade e a esperança que torna Budapeste tão fascinante. Ela continua sendo o palco de debates importantes sobre cidadania e pertencimento, enquanto segue produzindo arte, cultura e encontros.
Durante o discurso de Viktória Radványi em Amsterdam, lembrei-me das ruas de Budapeste, dos cafés lotados, das galerias independentes e das conversas que tive na última visita. Voltei para casa com a impressão de que, apesar dos desafios, a história da comunidade LGBT na Hungria ainda está longe de ser definida.

Em tempo, a Budapest Pride voltou a receber a autorização oficial para acontecer em junho de 2026, após anos de incertezas e restrições impostas pelo governo anterior. A marcha deve se tornar um dos símbolos mais visíveis da nova fase política vivida pelo país, com milhares de pessoas reunidas em uma celebração da liberdade de expressão e dos direitos civis.
O movimento já olha para 2027 com o mesmo espírito. Os organizadores da Budapest Pride anunciaram que pretendem dar continuidade à tradicional marcha, reforçando a mensagem de que “Pride was, Pride is, Pride will be” (a Pride existiu, existe e continuará existindo). Mais do que uma celebração, o evento pretende consolidar um espaço permanente de diálogo sobre a cidadania e a democracia, acompanhando a reconstrução da imagem da Hungria como um farol de diversidade do leste da Europa, cada vez mais próximo do respeito defendido pela União Europeia.
Com o próprio Danúbio atravessando Buda e Pest sem distinguir lados, a cidade continua provando que nenhuma corrente política é capaz de interromper completamente o fluxo de cultura, encontros e liberdade. Talvez seja justamente essa a maior lição de Budapeste. Há direitos que precisam ser constantemente defendidos, e há também esperanças que insistem em florescer.
Matéria publicada na edição 24 da Revista UNQUIET.
SUSTENTABILIDADE
Saiba maisW Budapeste
Ações ambientais
-
Certificação Green Key – certificação internacional de turismo sustentável conquistada em 2025.
-
Eficiência energética – sistemas inteligentes de iluminação LED, climatização e monitoramento do consumo de energia.
-
Redução de plásticos descartáveis – substituição gradual de itens de uso único por alternativas reutilizáveis ou recicláveis.
-
Gestão de resíduos – reciclagem e separação de resíduos nas operações do hotel.
-
Uso responsável da água – equipamentos economizadores de água e programa de reutilização de toalhas e roupas de cama.
-
Produtos de limpeza sustentáveis – utilização de produtos com menor impacto ambiental e embalagens recarregáveis.
Ações sociais
-
Valorização do patrimônio histórico – restauração do histórico Drechsler Palace, preservando um dos edifícios emblemáticos de Budapeste.
-
Parcerias com artistas e designers locais – programação cultural e valorização da cena criativa húngara em arte, música e design.
-
Fornecedores locais – prioridade para ingredientes e produtos de produtores húngaros nos restaurantes e bares do hotel.
-
Inclusão e acessibilidade – quartos, áreas comuns e espaços para eventos com recursos de acessibilidade conforme os padrões Marriott.

























































































































































































