Paradas do Orgulho LGBTQIAPN+ pelo mundo

A luta, as cores e os looks que fervem nas Paradas de Orgulho mundo afora

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Participantes seguram cartazes e bandeiras do arco-íris em celebração do Orgulho LGBTQIA+, tema de artigo sobre Paradas LGBTQIA+ pelo mundo, visibilidade e luta por direitos.

As Paradas do Orgulho LGBTQIAPN+ ao redor do globo são um desfile apoteótico de autenticidade, onde a MODA e o ESTILO se transformam em poderosas ferramentas de luta por direitos e respeito da comunidade queer.

Já que essa é uma publicação INQUIETA e VIAJANTE, vamos carimbar os nossos passaportes arco-íris em destinos onde a celebração do Orgulho LGBT+ não é apenas um evento no calendário, mas um ecossistema criativo e político, que transforma asfaltos em passarelas, para que a diversidade e a inclusão possam desfilar looks incríveis, cheios de significado.

Desde o estopim de Stonewall, em 1969 ‒ o marco inicial da luta LGBT+ moderna em Nova York ‒, as Paradas do Orgulho mapeiam a busca por direitos e celebram a nossa produção cultural como uma engrenagem criativa que move o mundo todo, incluindo a indústria da moda. 

Historicamente pessoas LGBT+ foram fundamentais no desenvolvimento da moda como EXPRESSÃO e OFÍCIO, sendo palco para o talento e fonte de sustento para grande parte da comunidade. Os desfiles do Orgulho são um momento em que essa moda volta para as ruas como um manifesto de existência e resistência.

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Barcos e bandeiras do arco-íris durante a Amsterdam Pride Canal Parade, nos canais de Amsterdam, no oeste dos Países Baixos.
O orgulho ganha os canais de Amsterdã | Foto: Getty

Performer com fantasia colorida participa de desfile do Orgulho LGBTQIA+, em cena que une cultura queer, festa e visibilidade pública.
Personagem na parada de Bangkok | Foto: Getty

Gritos da moda 

É fascinante viajar por essas celebrações e observar como a moda se funde visceralmente com as urgências e estéticas de cada país. Em Amsterdã, a parada ganha as águas em barcos flutuantes, que transformam os canais em instalações visuais, onde o estilo se adapta ao meio: emerge ali uma moda queer náutica e utilitária, onde o design das embarcações se mistura ao visual dos participantes, unindo funcionalidade e impacto visual em meio à arquitetura histórica holandesa.

Cruzando o oceano até a Austrália, chegamos ao Mardi Gras de Sydney, um dos maiores Carnavais noturnos do planeta.

No auge de Priscilla, a Rainha do Deserto, o visual camp das drag queens do filme dos anos 1990 dominou a parada, consolidando uma estética de figurinos performáticos feitos com fibras ópticas e materiais tecnológicos que brilham sob o luar, definindo a excelência da engenharia têxtil e da exuberância visual do evento até hoje.

Nossa viagem estética volta no tempo até a primeira parada de Londres, em 1972, onde um beijaço coletivo no Hyde Park entre dândis LGBT desconstruiu totalmente a imagem das alfaiatarias clássicas britânicas de Savile Row, já que muitos manifestantes vestiam blazers estruturados, coletes e lenços enquanto se beijavam publicamente como uma forma de dizer: “Nós somos os seus filhos, seus advogados, seus vizinhos. Nós pertencemos a esse espaço de poder que vocês tentam nos negar”.

Desfile noturno do Orgulho LGBTQIA+ com performer fantasiado e público nas ruas, em celebração de cultura queer e diversidade.
As drags colorindo o Mardi Gras de Sydney | Foto: Getty

Em Berlim, a alma industrial da cidade se manifesta no látex, no vinil e no fetiche da cena techno, transformando o asfalto em uma extensão dos clubes de luxo underground, com um forte viés político.

Já no Japão, a Rainbow Pride de Tóquio reflete o respeito e a ordem, tão intrínsecos à sociedade japonesa. Um dos momentos mais emocionantes foi em 2023, quando surgiram grupos de pais e mães carregando cartazes de aceitação, provando que o orgulho também é um ato de acolhimento familiar.A Parada de Bangkok é o epicentro global da Soberania Trans, que é parte essencial da cultura tailandesa. O evento transforma as avenidas em um DESFILE DESLUMBRE, marcado por drapeados dramáticos e sedas multicoloridas, que elevam o glamour das mulheres trans ao status de realeza nacional. Aqui as sedas tradicionais funcionam como uma ferramenta de legitimação política, provando que o orgulho e a ancestralidade caminham juntos em cada look babadeiro.

Em San Francisco, um dos berços pioneiros da luta LGBT+, as DYKES on BIKES abrem os caminhos da parada, vestindo couros pesados e metais que imprimem poder, ressignificando o guarda-roupa lésbico globalmente.

Participantes com bandeiras LGBTQIA+ em manifestação de rua durante celebração do Orgulho, com foco em visibilidade e direitos.
As cores da parada de Berlim | Foto: Getty
Participante em celebração do Orgulho LGBTQIA+ posa nas ruas, em artigo sobre viagem, diversidade e destinos queer-friendly.
Cena da celebração em Toronto | Foto: Getty

É importante lembrar que as Paradas do Orgulho são espaços de convergência e interseccionalidade de várias lutas sociais. A parada de Johanesburgo, por exemplo, carrega o peso histórico do Apartheid. Em seus primórdios, manifestantes usavam máscaras contra o medo para proteger sua identidade, enquanto marchavam por liberdade, mostrando que a moda, por vezes, é o próprio escudo.

Já em Toronto, Canadá, uma das maiores e mais organizadas do mundo, o protesto do Black Lives Matter, em 2016, paralisou o desfile para exigir visibilidade e justiça, forçando a comunidade a repensar seus próprios privilégios e a segurança de seus corpos pretos e trans.

Para fechar a nossa volta ao mundo em grande estilo, retornamos ao Brasil para encontrar em São Paulo a maior parada do planeta, marcada por festividade e pluralidade absolutas! A Avenida Paulista vira uma passarela para que os mais diversos estilos, raças e gêneros se misturem de forma única, com aquele “borogodó à brasileira” que só a gente tem!

É um desfile democrático, que mistura tecnologias artesanais com um streetwear queer de impacto ‒ provando que a moda brasileira e paulistana é um vetor de sobrevivência e também um dos maiores laboratórios de tendências populares do mundo.

Participantes fantasiados em Parada LGBTQIA+ com bandeiras do arco-íris, em cena de celebração, ativismo e ocupação urbana.
Paraa de Tokio | Foto: Getty

Não há símbolo maior dessa pluriculturalidade do que a bandeira criada por Gilbert Baker em 1978. Mais do que um símbolo, o arco-íris é o prisma das nossas linguagens. Suas cores anunciam que jamais nos definiremos por uma única imagem. Somos pessoas tão diversas e distintas quanto a nossa extensa sigla!

Luta e memória 

No entanto, em um mundo cada vez mais globalizado, onde a gentrificação e a pasteurização cultural ameaçam tornar tudo cada vez mais homogêneo, é vital que as paradas enalteçam os traços culturais de cada localidade.

A parada, para além de ser sobre as nossas orientações sexuais e identidades de gênero, também é sobre a valorização das nossas diferenças culturais.

É sempre preciso voltar ao ponto de partida ‒ lá, no bar Stonewall Inn, de Nova York, em 1969, quando explodiu a revolta da comunidade queer contra as batidas policiais violentas e constantes que ela sofria, para honrar nomes como Marsha P. Johnson e Sylvia Rivera (ícones dessa luta histórica por direitos que ainda está em curso) ao lado de muitas outras pessoas militantes que não devem jamais ser esquecidas.

Bandeiras do arco-íris ocupam avenida durante celebração do Orgulho LGBTQIA+, em cena urbana associada à visibilidade e à luta por direitos.
A Avenida Paulista é palco da Parada de São Paulo | Foto: iStock

Foram elas que provaram que nunca foi apenas sobre MODA, ENFEITES e ADORNOS, mas sim sobre usar a própria pele como um território político.

Escrever esta jornada para a UNQUIET é mais uma narrativa registrada por nossas próprias mãos, para que a comunidade LGBTQIAPN+ não seja mais marginalizada ou reduzida a um padrão estético de consumo.

Por trás de cada babado, de cada costura e de cada destino, existem a memória de quem veio antes e a resistência de quem mantém nossa comunidade cada vez mais VIVA e POTENTE.

Que as mudanças que costuramos hoje sejam perenes, porque o som cadenciado da batida dos leques que ecoa em cada avenida, de Tóquio a São Paulo, grita um antigo hino cunhado muito tempo atrás nas paradas brasileiras, e que jamais será esquecido: O FERVO TAMBÉM É LUTA!  

Matéria publicada na edição 23 da Revista UNQUIET.

Participante segura cartaz em manifestação do Orgulho LGBTQIA+, reforçando a dimensão política das Paradas pelo mundo.
Discurso na Parada de Londres | Foto: Getty

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