Pense em um vinho nacional. Qualquer um. E então? Muito provavelmente você imaginou um espumante ou um Merlot da serra Gaúcha. Talvez um Syrah do vale do São Francisco.
Mas é pouquíssimo provável que tenha imaginado um rótulo catarinense – bem, a menos que você seja um catarinense da gema, que conheça a rota dos vinhos e se orgulhe dela.
Aos poucos, essa realidade tem tudo para se modificar, graças a exemplares, principalmente brancos, que revelam: a produção vinícola da região serrana de Santa Catarina entrou no jogo para competir de igual para igual com rótulos das áreas vinícolas brasileiras mais conhecidas. E os elogiados Sauvignon Blanc produzidos ali não estão para brincadeira.
Com vinhedos cultivados entre 900 e 1.400 metros acima do nível do mar, a serra Catarinense é considerada a região mais fria do Brasil e, por conta disso, a colheita das uvas por aqui é a mais tardia entre as outras áreas vitivinícolas do país. Os turistas agradecem, já que ganham mais tempo para poder acompanhar a vindima na rota dos vinhos.
Na serra Gaúcha, por exemplo, a época de colheita, quando as videiras estão carregadas, costuma terminar no início de março. Já em Santa Catarina esse período pode se estender até maio, cheio de peculiaridades.




Joaquim. Foto: Otávio Nogueira – Flickr
Para quem curte pegar a estrada, a serra Catarinense é um destino e tanto. A partir de Florianópolis, segue-se pela BR-282 e, 139 km depois, chega-se a Bom Retiro, quando é a vez de tomar a SC-110 e dirigir por mais 27 quilômetros, rumo a Urubici. É um belo caminho, bastante sinuoso, que corta as montanhas e parece desafiar a altitude, que por aqui chega a 1.800 metros.
Ao todo, a serra Catarinense abrange 17 cidades. Um programa perfeito, que explore as belezas naturais e inclua as principais vinícolas de altitude (são 19, ao todo), passa por três delas: Urubici, Bom Retiro e São Joaquim, principalmente esta última, a mais fria do Brasil.
Por ser central e contar com uma boa oferta de hospedagem e restaurantes, Urubici é o melhor lugar para se ficar. Dali se chega rápido a São Joaquim, onde estão as vinícolas mais conhecidas, e se tem acesso a vários passeios ligados à natureza. Um dos mais emocionantes é a descida da serra do Corvo Branco, encravada na borda da serra Geral, até a cidade de Grão-Pará.

O início da descida serpenteia entre dois imponentes paredões de rocha arenítica e as curvas fechadas e íngremes garantem uma vista espetacular – aqui, nunca é demais reiterar que é imprescindível ser muito hábil na direção e contar com freios em excelentes condições. A estrada, ao lado da serra do rio do Rastro, já foi considerada a mais perigosa do Brasil.
A mesma estrada dá acesso ao morro da Igreja, a 1.822 metros de altitude, de onde se avista a emblemática serra Furada – o nome vem de uma formação rochosa com um buraco de 45 metros de altura por 8 de largura, que se avista a 100 quilômetros de distância.
A 35 quilômetros de Urubici, Bom Retiro é a o município serrano mais próximo do litoral catarinense e abriga o morro da Boa Vista, ponto mais alto do Sul do Brasil, com 1.827 metros de altitude. Vales, cachoeiras, grutas e serras são o cenário perfeito para praticar atividades como escaladas, trekking e até mesmo voo livre. A cidade também sedia a vinícola com pegada mais descolada da região – Thera, que além de contar com wine bar e bistrô, abriga uma pousada com sete apartamentos.



Considerada a “terra da maçã”, São Joaquim é o ponto mais visitado da serra. E aqui vai uma dica: se ideia for viajar exclusivamente para curtir as vinícolas locais, esse é o lugar para se hospedar. Quem for visitar São Joaquim no inverno pode ter de enfrentar pisos escorregadios – devido à geada e até neve. Nada que o seu Mitsubishi 4×4 não tire de letra. O frio, por falar nele, é o que atrai os turistas – nessa estação, porém, as videiras hibernam. Melhor vir no verão ou no início do outono para, além de aproveitar a colheita, não encontrar a cidade lotada.
Aqui se concentram a Pericó, única do Brasil a produzir o icewine; Leone di Venezia, exclusiva na serra catarinense na elaboração do vinho laranja; Villa Francioni, emblemática, com a maior estrutura da região; e a Vinhedos de Monte Agudo, que foca o enoturismo na experiência gastronômica.
Com calma, dá para agendar visitas em todas, dedicando meio dia a cada uma. Ou, melhor ainda, se hospedar nas que trabalham com pernoite.
Venha com calma, dirija confortavelmente e se prepare para se surpreender com a região. Ah, não se esqueça de reservar espaço no porta-malas para trazer boas garrafas da produção local.

Serviços
Quando Ir
Embora a maior parte das vinícolas fique aberta durante todo o ano e no inverno seja possível visitá-las e até mesmo se hospedar nelas, o ideal é aproveitar o verão e o outono para encontrar as vinhas carregadas e conhecer o processo da vindima. No verão, outra vantagem é encontrar céu azul e limpo e se pode avistar e registrar melhor a paisagem local.
Vinícolas
Pericó
Instalada em uma bela propriedade com 450 hectares no vale do Pericó, esta vinícola tem vinhedos cultivados a 1.300 metros de altitude. Foi a única a produzir, no Brasil, o icewine, vinho doce com acidez elevada, produzido sobretudo na Alemanha e no Canadá. Abre aos visitantes sob agendamento, apenas durante a época da vindima. A visita pode incluir workshops e termina com uma degustação de vinhos com maçãs, em um belo mirante.
vinicolaperico.com.br
Leone di Venezia
A 1.280 metros acima do nível do mar, cultiva em seus vinhedos apenas uvas de origem italiana. É a única do estado a produzir o vinho laranja, que aqui recebe o nome de Oro Vecchio. Trata-se de um vinho de tradição ancestral que voltou a ser abordado nos últimos anos, produzido a partir da maceração de uvas brancas com a casca, o que resulta em sua cor alaranjada e outras características que o tornam único.
leonedivenezia.com.br
Vinhedos do Monte Agudo
Vinícola boutique com enoturismo focado em gastronomia. No espaço gourmet, instalado na colina mais alta da propriedade, são organizados almoços e jantares harmonizados, com pratos à base de ingredientes locais, como truta, frescal e maçãs, criados pela chef Kathia Rojas Yunis. Atente-se para a vista, debruçada para os vinhedos. A vinícola também organiza sunsets com degustações harmonizadas sob a luz de um magnífico pôr do sol.
monteagudo.com.br
Villa Francioni
Construída em declive, a vinícola mais conhecida da serra Catarinense chama atenção na paisagem local. É certamente a mais completa a visitar, com passeio guiado pelos seis andares, projeção de filme com a história da casa, galeria de arte e sala de degustação. Pergunte pelo “rosé da Madonna” e aproveite para trazer algumas garrafas para casa: em 2009, durante uma visita ao Brasil, a cantora gostou tanto do VR Rosé ali produzido que levou uma garrafa para o hotel.
villafrancioni.com.br



Compras
Casa do Vinho
Endereço ideal para descobrir e comprar vinhos da serra Catarinense. O proprietário, seu Vilson, tem o maior prazer em trazer exemplares para que sejam degustados. A casa comercializa em média 20 mil garrafas por ano. O rótulo mais vendido é o Joaquim, da Villa Francioni, um blend de Cabernet Sauvignon e Merlot.
casadovinho.net
Rua Ismael Nunes, 7, Centro, São Joaquim, SC
(49) 9 9119-5518
Vinícolas
Thera
Com vinhedos a 1.300 metros e foco em brancos, rosés e espumantes, é uma das produtoras mais modernas da região. A concepção, idealizada pelo Studio Archea, do arquiteto italiano Marco Casamonti, se equilibra em vinho + arte + natureza. Vale lembrar que Casamonti assina o projeto da aclamada Villa Antinori, na Toscana, Itália. Quem se hospeda na pousada local, com 18 suítes, pode apreciar pratos da cozinha regional no wine bar, que também abre para o público sob reserva e oferece degustações conduzidas por um sommelier. O projeto, ambicioso, pretende abrigar condomínio residencial, parque de artes e centro equestre.
vinicolathera.com.br
Vinhos de altitude
Para acessar informações sobre todas as vinícolas de altitude da serra Catarinense, acesse: vinhodealtitude.com.br/vinicolas

Onde Comer
SÃO JOAQUIM
Taberna Pizzaria – A Original
Muito frequentada pelos locais, é considerada a melhor pizzaria da cidade, com ambiente simples, serviço atencioso e uma carta de vinhos para escolher o melhor rótulo catarinense e harmonizar com sua pizza.
facebook.com/tabernapizzariaoriginal
R. João Batista Viecili, 188
(49) 3233-0351
Restaurante Pequeno Bosque
Bom para ir a dois – o ambiente é mais formal que a maioria dos restaurantes locais. A casa tem menu variado, com pratos italianos contemporâneos, de massas e carnes a risotos, além de pizzas e fondues. Outro bom lugar para harmonizar os vinhos locais.
serracatarinense.com/pequenobosque
R. Maj. Jacinto Goularte, 212
(49) 3233-3318
Ristorante Toscano
O forte da casa são as carnes grelhadas e os hambúrgueres artesanais. Prepara tábuas de queijos e frios no capricho, que pedem a companhia de um bom vinho. O ambiente é aconchegante, à meia-luz. https://www.facebook.com/pages/category/Italian-Restaurant/Ristorante-Toscano-154057564785776/
R. Agrippa de Castro, 326l
(49) 9 9146-8255
URUBICI
Montês Restaurante
No ambiente agradável, entre o rústico e o contemporâneo, são servidos pratos com influências variadas e destaque para a culinária típica serrana. A carta de vinhos é extensa, com inúmeros produtores regionais. Se a ideia for dar um tempo dos vinhos entre uma degustação e outra, é possível harmonizar os pratos com cervejas artesanais.
https://www.facebook.com/montesrestaurante/Rua Policarpo de Souza Costa, 01
Onde Ficar
SÃO JOAQUIM
Pousada Serra Catarinense | em família | a dois
Nesta pousada próxima às principais vinícolas, é o proprietário, Marco, quem recepciona os hóspedes e apresenta as três categorias de cabanas e chalés, identificadas com nomes de pássaros. Todos equipados com lareira, lençóis térmicos, secador de cabelos, chaleira elétrica, entre outras comodidades. A propriedade oferece estacionamento privativo e wi-fi gratuitos.
pousadaserracatarinense.com.br
URUBICI
Pousada Pedra Preta | pet friendly | em família | a dois
A 15 km do centro, é um lugar para fazer uma imersão na natureza. A pousada está instalada dentro de um parque, com 550 mil metros quadrados de área verde, a 38 km da Pedra Furada e do Cânion Morro da Igreja. Os diferenciais variam, de acordo com os chalés: todos são equipados com lareira, alguns contam com banheira de hidromassagem ou ofurô, varanda térrea com vista para o jardim, entre outros. A pousada conta com um restaurante, onde os jantares são servidos entre as 19h e 20h. Estacionamento em frente à porta do chalé.
pousadapedrapreta.com.br
Refúgio do Invernador | a dois| pet friendly | crianças não são permitidas
Seis cabanas muito aconchegantes e exclusivas para casais, com lareira, aquecedor, roupa de cama de algodão com 300 fios, banheira de hidromassagem, wi-fi, entre outras comodidades. O café da manhã é oferecido em uma cesta, deixada na varanda da cabana de acordo com horário combinado. Fica a 15 quilômetros do Morro da Igreja e uma recepção bem informada sobre as atividades na região. O lugar não tem restaurante.
refugiodoinvernador.com.br

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