Mendoza

In vino veritas
Na capital do vinho argentino, a degustação de bons rótulos se junta a uma gastronomia de primeira e à prática de esportes radicais

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À sombra dos Andes e no coração do deserto, Mendoza é hoje uma das principais regiões vitivinícolas do Novo Mundo.

É também a capital do vinho argentino, com 160 mil hectares de vinhedos cultivados entre 450 e 1.700 metros de altitude. Basta dizer que daqui saem de 70% a 80% dos rótulos do país. É um lugar de paisagens incríveis, onde a impressão é a de estar o tempo todo sob a guarda da imponente cordilheira. Ela está presente de onde quer que se observe – agressivamente branca ou com seus picos gentilmente cobertos de neve, a depender da época do ano.

Mas se Mendoza é sinônimo de vinhos, não pense que a cidade se restringe a degustações e passeios a adegas – embora estes estejam entre as melhores coisas a fazer por aqui. A cidade pode ser visitada da primavera ao inverno, sem risco de tédio. Os adeptos de esportes de aventura encontram no verão a melhor época para visitar a região: não bastasse a presença dos Andes com o monte Aconcágua e seus quase 7 mil metros de altitude, a natureza exuberante favorece a prática de atividades radicais. 

Reprodução, site Kahuak Turismo En Mendoza
Aconcagua(Jesús-Dehesa – Flickr)
Reprodução, site Kahuak Turismo En Mendoza
Reprodução, site Kahuak Turismo En Mendoza

O rafting é uma delas. Está disponível em uma infinidade de programas e excursões, de horas a dias de duração, em diferentes níveis de dificuldade. Tirolesa e rapel também são bastante procurados, assim como o parapente – e, bem, se você for profissional nível hard, desafiar o Aconcágua pode ser uma ideia. Só não dá para bobear e deixar de agendar os programas com antecedência, sob o risco de perder o passeio. Para menos adrenalina, a pedida é aderir ao trekking, mountain bike e cavalgadas – os dois últimos com a opção de passar pelas vinícolas, com almoço incluído. Também dá para fazer ótimos passeios 4×4.

Já no inverno é a vez do esqui e do snowboard ganharem protagonismo, aproveitando a proximidade de estações como Las Leñas, a 400 quilômetros de distância, e Los Penitentes, a 182 quilômetros. E se a ideia for simplesmente correr, independentemente da estação, não pense duas vezes: o lugar é o parque General San Martín, onde os mendocinos praticam atividades ao ar livre e de onde se pode observar a cidade do ponto mais alto.

Reprodução, site Kahuak Turismo En Mendoza

Para se hospedar em Mendoza, é preciso considerar a cidade em duas partes: urbana – onde estão concentrados hotéis, restaurantes, lojas e cafés – e rural, área mais isolada em que estão instaladas as vinícolas. Para quem faz a viagem pela primeira vez, é recomendável ficar na cidade e esticar para as bodegas durante o dia – a média é de 30 minutos de viagem de carro até elas –, voltando a tempo de aproveitar restaurantes, cafés e vida noturna. Para as vezes seguintes, principalmente se for a dois, é um bom negócio optar pelo isolamento na região das vinícolas, curtindo a vida e os vinhos em hotéis estilosos, ventilados mundo afora pelas principais revistas internacionais de turismo.

Independentemente da escolha, cabe fazer algumas recomendações: chegar às bodegas (reunidas nas subregiões de Valle de Uco, Luján de Cuyo e Maipú) não é exatamente algo simples. A sinalização não é das mais eficazes e nem todas as vinícolas têm seu nome na entrada. Se sua ideia for visitar bodegas boutique, daquelas menos conhecidas, é bem provável que a maioria nem saiba informar como chegar. Waze e GPS, por sua vez, nem sempre trazem localizações precisas. O melhor a fazer é entrar em contato com as vinícolas antes e pedir o máximo de referências e informações para chegar – além de garantir o download dos mapas, para não virar refém da disponibilidade do 4G.

Ruta a Las Leñas (Mel 23 – Wikimedia)
Foto: iStock
Reprodução, site Catena-Zapata

Já que Mendoza é a principal região vinícola argentina, a Malbec é sua casta mais importante. Trata-se de uma uva tinta de origem francesa que encontrou aqui sua melhor expressão e gera tintos estruturados e complexos, alavancando mundo afora a reputação dos vinhos argentinos, geralmente com ótima relação custo/benefício. Se por um lado a produtora essencialmente argentina Catena Zapata – pioneira no cultivo de vinhedos de altitude na região – é a mais famosa do país e produz alguns de suas melhores garrafas, como o excepcional Nicolas Catena Zapata 2008, por outro há vinícolas nas quais a excelência é fruto da expertise dos franceses. Trata-se do caso da união entre o Château Cheval Blanc e a Terraza de Los Andes, do grupo LVMH, que resultou no celebrado Cheval des Andes. 

Entre as uvas tintas, a Cabernet Sauvignon também é utilizada na produção de excelentes vinhos mendocinos, em varietais ou blends com Malbec. Já a Chardonnay é a principal casta branca da região, que reúne quase 1.500 vinícolas. Sim, tudo isso – mas apenas 130 delas estão abertas ao público.

Bodega (Reprodução, site Catena-Zapata)

Na estrada

Para entrar de carro na Argentina, brasileiros devem apresentar, antes de cruzar a fronteira, a Carta Verde, como é chamado o seguro veicular especial que cobre colisões e danos pessoais e materiais, seja com veículo próprio, seja com alugado. A forma mais fácil de tirar a Carta Verde é diretamente com uma corretora de seguros, para emissão online. O valor varia de acordo com o tempo de permanência no país e a validade é de um ano.

Como documento pessoal, qualquer RG brasileiro com menos de dez anos de emissão é aceito. Além de habilitação válida, a documentação do veículo também precisa estar em dia e, se ele for alugado, é preciso registrar no cartório uma autorização com os dados do motorista, do proprietário e do veículo. Além de dirigir com os faróis sempre acesos, também é preciso atenção a uma lei argentina: os veículos devem ter dois triângulos de sinalização, além de extintor de incêndio.

Antes de viajar, é recomendável entrar em contato com o Consulado Geral da Argentina para se certificar de que todas as medidas necessárias foram tomadas.

Las Leñas Mendoza Argentina (Andre-Charland-de-Canada – Flickr)

Reprodução, Nieto Senetiner – Casa Flora

Quando ir

Qualquer época é boa para visitar Mendoza. As atrações variam conforme a estação. O índice anual de chuvas é de 230 mm e a temperatura média fica em torno dos 16º e 18º C. Quem deseja encontrar as vinhas carregadas pode chegar no verão para curtir as bodegas. Já para conciliar a visita às vinícolas com esportes de inverno, a dica é vir entre meados de julho e fim de agosto.

Vinícolas

Elas seguem o padrão de visitas pela propriedade, acompanhando o processo de produção de vinhos seguidas de degustação, com agendamento prévio. A Terrazas de Los Andes, do grupo LVMH, está instalada em um belo prédio de tijolos aparentes erguido em 1898. No restaurante é servido um menu-degustação harmonizado com os vinhos da casa, onde é possível ter aulas de culinária com o chef. A vinícola abriga também uma guest house, com seis quartos, em estilo informal.

Já para uma experiência gastronômica apurada, com base nas tradições culinárias ancestrais da região, agende uma visita seguida de almoço na Ruca Malen, que já recebeu prêmio da associação Great Wine Capitals pelo melhor restaurante em vinícola do mundo. A Catena Zapata é praticamente uma instituição e merece ser visitada, não só pela excelente qualidade dos vinhos, como pela arquitetura do prédio, que difere de todas as outras: uma pirâmide asteca que homenageia os povos pré-colombianos. Já a Nieto Senetiner recebe os visitantes em uma belíssima casa secular em estilo colonial espanhol para um farto almoço harmonizado, debruçado para os vinhedos, além de oferecer degustações com as linhas premium da bodega, Nieto Senetiner e Don Nicanor, e cavalgadas pelos vinhedos.

Atividades físicas e esportes radicais

A Kahuak é uma das empresas locais mais conhecidas e oferece várias modalidades de atividades. Outras boas empresas são Mendoza Parapente, Argentina Rafting, Trekking Travel e Andes Vertical.

Onde comer

Além dos almoços harmonizados oferecidos nas bodegas, é possível viver memoráveis experiências gastronômicas. Instalado em um admirável casarão, o restaurante 1884, do impetuoso chef Francis Mallmann, tem um pátio com jardim equipado com churrasqueiras e fornos ao ar livre, onde é preparada boa parte dos pratos.

O Azafrán, no Centro, tem ambiente que mistura o rústico ao clássico e serve bons cortes de carne tipicamente argentinos, assim como peixes. Escolha seu vinho diretamente na famosa adega do restaurante (cerca de 500 rótulos). Para degustar cervejas, vá à microcervejaria Antares. A produção começou como um hobby entre amigos, até se transformar em negócio: a casa, integrante de uma rede com 13 bares na Argentina, foi um dos primeiros lugares em Mendoza a servir a bebida artesanal de ótima qualidade.

Onde ficar

Na área rural, as casitas contemporâneas do Cavas Wine Lodge estão cercadas por 35 hectares de vinhedos – e há sacos de dormir para quem desejar sonhar a céu aberto. Aqui a tranquilidade é permanente e os jantares são realizados ao ar livre, com menu que muda a cada três meses e carta com 250 rótulos.

Também rodeados pelas vinhas estão os 16 quartos do hotel Entre Cielos, a 20 minutos do centro. Ele combina experiências ligadas à degustação de vinhos e tratamentos à base de uva, massagens relaxantes e banhos turcos no spa local, aberto a visitantes. Na cidade, o Park Hyatt Mendoza, com 186 quartos e suítes, é considerado por muitos o melhor hotel, em um elegante edifício na Plaza Independencia em estilo neoclássico espanhol. É um hotel pet friendly e também abriga um cassino. Para quem quer conforto e luxo em pleno centro da cidade.

Reprodução, site Kahuak Turismo En Mendoza
Francis(Reprodução, site-1884)

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