As delícias suíças

Nosso repórter foi conferir de perto, ao vivo e em cores, as delícias alpinas suíças para além dos queijos e chocolates

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Imagine que você se prepara para uma viagem sem surpresas. E aí é surpreendido a toda hora ao longo dela. Por um vitral de um de seus artistas favoritos numa pequena igreja. Ou por um pesto de ervas colhidas nos Alpes (inclusive urtiga!). Por um prato de coxinhas a 2 mil metros de altitude. Ou por uma estação de metrô que se chama simplesmente “Delícias”. Pois é, quando você pensar em Suíça como destino, e talvez duvidar da sua escolha por achar que lá nada vai te surpreender, eu diria para você me acompanhar sem pensar duas vezes.

Foto: Getty

 Lausanne

Comecemos por Lausanne. É lá que fica a tal estação “deliciosa” do metrô. Numa cidade em que o luxo dos hotéis e casas de frente para o lago Léman se mistura com a energia dos jovens que lá vão para estudar (do mundo inteiro, inclusive do Brasil), o nome desta parada, Délices, me pareceu um presságio.

O metrô foi inaugurado há pouco mais de dez anos e eu, subindo pelas suas estações, me perguntava: como as pessoas faziam antes de ele existir? Claro que não faltam carros de luxo pela cidade nem uma boa malha de ônibus. Mas aquela linha única e rápida é uma mão na roda de quem quer explorar a parte antiga de Lausanne.

Esse centro medieval, com suas ruas estreitas e sinuosas, que até hoje abrigam em alguns dias da semana mercados a céu aberto (a melhor opção para comprar as delícias gastronômicas do cantão de Vaud), faz você se perder no tempo. E a vista da ponte Bessières, de onde a gente consegue enxergar tanto o lago quanto a Notre-Dame, austera e imponente, já valeria o esforço de uma subida a pé!

Foto: iStock

Mas bom mesmo é descer, né? Algumas calçadas são bem íngremes, por isso eu diria para você ir sem pressa! Vá admirando a arquitetura e dê uma paradinha na Blondel, uma chocolateria fundada em 1850 que é absurdamente boa – isso num país que já é famoso pelo chocolate… Siga então ladeira abaixo, mas se você se cansar, sugiro que dê uma paradinha na Brasserie de Montbenon e aprecie o pôr do sol daquele ponto de vista, de um dourado que combina bem com a cor das cervejas artesanais que eles servem.

Ah! Você é mais do vinho? Lausanne tem várias caves encantadoras, mas se você quiser provar da fonte, pegue um trem local e em apenas algumas estações você já está nos vinhedos de Lavaux, uma região nomeada Patrimônio da Humanidade pela Unesco. A honra, sem dúvida, é sempre bem-vinda, mas a beleza daquela paisagem dispensa condecorações. Escolhi a vinícola Croix-Duplex, em Grandvaux, para degustar – e não me arrependi. Pelo contrário, saí de lá com mais garrafas do que eu tinha programado, imaginando que ainda iria comprar mais algumas nos meus outros dias na Suíça…

Foto: Getty
Videiras nas colinas de Lavaux | Foto: Getty
Pista de esqui | Foto: Getty

Crans-Montana: coxinhas, urtigas & raclettes

O destino seguinte era Crans-Montana e eu sabia que um trekking nas alturas me esperava por lá. Bem como o conforto de um dos mais incríveis hotéis dessa pequena cidade que é um templo do luxo. Me hospedei no Guarda Golf Hotel e fiquei admirado com a mistura de tradição por fora, aquelas imagens das casas bem típicas da Suíça, de varandas ultrafloridas, com uma sofisticação nos quartos que vi em poucos hotéis na Europa.

Antes do jantar, Simon Schenk, diretor geral do hotel, me recebeu para um drinque acompanhado… das melhores coxinhas que a Suíça já experimentou. Dando uma lição de hospitalidade, ele me explicou que a dona do hotel é uma brasileira que havia descoberto na cidade uma senhora (do Brasil também) que fazia esse quitute por lá e de vez em quando servia para seus hóspedes que estavam com saudade da “comida de casa”! Com a volta do turismo neste final de 2021, eles já têm sete famílias brasileiras com reservas nos apartamentos mais espaçosos na nova área do hotel, que podem receber até oito pessoas – e têm uma cozinha de fazer inveja a este chef de fim de semana que aqui escreve.

Lausanne e lago Léman | Foto: Getty

Cozinhar, diga-se, não estava nos meus planos pela Suíça, mas quando, no meu segundo dia em Crans-Montana, Marlene me pediu ajuda para testar um pesto, eu não tinha como dizer não! Esse foi o ponto alto do trekking que fiz na região. Tecnicamente, partimos de Colombire, a alguns quilômetros da cidade. Pequenas casas onde o antigo estilo de vida das montanhas é preservado (com o conforto da vida moderna) marcavam nosso ponto de partida.

Minha guia, Marlene, já havia viajado o mundo inteiro atrás de duas paixões: as montanhas e a botânica. Isso explicava seu olhar dividido entre a as formações rochosas no nosso caminho, sublimes, mesmo com apenas alguns picos, os mais distantes, cobertos de neve mesmo no verão; e a vegetação rasteira da nossa trilha. Que experiência maravilhosa foi ouvir Marlene fazer pequenos discursos entusiasmados sobre plantas que muitas vezes sumiam na palma da minha mão de tão pequenas.

Pralinés da fábrica de chocolates Lindt, em Zurique | Foto: Getty
Berries | Foto: Getty

Tudo o que colhíamos na caminhada foi então picado e amassado para nosso almoço. Ao ar livre, a mistura de flores e folhas do pesto que eu mesmo preparei sobre o pão artesanal e mais os queijos maturados (um inclusive de 20 anos!) me pareceu um acompanhamento perfeito. Sim, a urtiga estava presente na mistura, uma vez que Marlene havia me garantido: o que nos faz coçar são pequenos espinhos do caule da planta, e não suas folhas.

Eu sairia de Crans-Montana feliz com essa experiência gastronômica, mas Pierre Mainetti, secretário de turismo da região, ainda me surpreenderia com uma inesperadamente rica degustação de vinhos locais, inclusive alguns orgânicos, numa cave chamada Tire-bouchon e mais: uma espécie de rodízio de raclettes no tradicional Le Mayen. Como sou absolutamente apaixonado por queijo, provei sem limites aquelas deliciosas fatias derretidas na hora, uma iguaria tipicamente suíça. E ainda descobri que o sabor de cada uma delas pode variar conforme as flores que as vacas consomem no início da primavera. Fascinante…

Zurique: arte e gastronomia

Na companhia de Luci, do Guia Suíça, eu estava pronto para redescobrir o centro histórico de Zurique a pé. Fui lá pela primeira vez nos anos 1980, ainda mochileiro.

Zurique respira arte. Os museus talvez não sejam imponentes no tamanho, mas as coleções… Isso sem falar nas galerias, muitas delas que você descobre quase por acidente, andando na cidade antiga.

Vi de perto um lugar quase mitológico para mim, o Cabaret Voltaire, onde em 1916 nasceu o movimento dada. Ativo, ele está passando por uma reforma para continuar na missão de reunir o melhor da arte contemporânea. Mas se esta era uma visita programada, pois fiz questão de pedir para Luci me levar até lá, ter topado com os vitrais de Sigmar Polke na igreja de Grossmünster foi um acaso extraordinário.

A construção original é do século 12, mas as interferências do grande artista contemporâneo alemão são de 2009 e transformam todo o ambiente austero do templo evangélico. A beleza do seu interior já contava com um trabalho, também em vidro, de Alberto Giacometti, de 1933. Mas Polke joga as referências bíblicas em um outro patamar. Ter visto aquilo de perto, em especial os vitrais de ágata, foi algo transformador.

Mapa: Antônio Tavares

O almoço no Hiltl, o mais antigo restaurante vegetariano do mundo (1898!). A visita à livraria Orell Füssil, que de tão sedutora quase me fez comprar livros numa língua que não falo! Uma passada por outra igreja, a “das mulheres”, Fraumünster, para rever outros vitrais, estes assinados por Marc Chagall. A passagem por Zürich West, uma parte industrial da cidade, revitalizada com ótimas lojas (como a da disputada marca de acessórios urbanos Freitag) e casas de shows (o Schiffbau era um antigo estaleiro). A alucinante visita à fábrica de chocolates Lindt. Tudo que fiz depois dos vitrais de Polke, era como se eu estivesse em transe.

Sim, eu estava fascinado com tantas escolhas numa cidade, na verdade, num país, que as pessoas ainda desconfiam que não vai trazer nenhuma surpresa a quem visita. Pois olha, nada podia estar mais errado do que isso. Tomando uma última cerveja antes de ir embora, ali no jardim Frau Gerolds, olhando os jovens se despedirem das últimas noites quentes do ano, eu mesmo reajustei minha opinião sobre esse lugar tão discreto e ao mesmo tempo tão fascinante. E já fazia planos para não demorar a voltar e encontrar novas surpresas. 

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