C6 Fest: entre o jazz e o pop, um festival de inovação sonora

Transitando entre o jazz profundo e o pop-disco, a terceira edição do festival se afirma como um marco de inovação e celebração musical

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A expectativa era enorme. Retomando o Parque e o Auditório do Ibirapuera com uma cenografia quase onírica, o C6 Fest integra todos os detalhes — da sinalização ao som ambiente — à nossa experiência, forjando uma harmonia singular entre público, artistas e espaço. Quanto ao line-up, ele mescla vertentes do jazz e do blues a ícones do pop e a nomes independentes que já estouraram nas playlists mais antenadas.

Noites de Jazz À Altura do Legado: De Brian Blade a Meshell Ndegeocello, o Jazz em Plena Forma

Nas duas noites de jazz dessa edição, subiram ao palco artistas como Amaro Freitas, Arooj Aftab, Joe Lovano Quintet e Kassa Overall — com momentos de clímax nas apresentações de Brian Blade & The Fellowship Band e Meshell Ndegeocello, cujo baixo profundo, sax envolvente, bateria pulsante e piano etéreo atingem o coração dos amantes do jazz em cheio.

A lenda Brian Blade — conhecido por ter acompanhado ícones como Wayne Shorter e Herbie Hancock — entregou uma apresentação eletrizante, com dois saxofones se alternando entre uníssono e confronto. Ao final, ele convidou ao palco três jovens percussionistas da escola de música do auditório, incorporando até o berimbau, para uma versão arrebatadora de Maria Maria, de Milton Nascimento, um de seus maiores ídolos.

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Brian Blade & The Fellowship Band no C6 Fest 2025
Brian Blade & The Fellowship Band se apresentam no Auditório do Ibirapuera
O auditório do Ibirapuera no C6 Fest 2025
A área interna do auditório

Comemorando o centenário de nascimento do escritor e poeta norte-americano James Baldwin, Meshell Ndegeocello abriu sua apresentação com a leitura de trechos de O Fogo da Próxima Vez — o influente livro de ensaios de Baldwin sobre a luta pelos direitos civis, publicado em 1963. Em seguida, sua superbanda subiu ao palco, construindo um verdadeiro altar ao escritor: passagens literárias entrelaçadas com camadas de jazz, soul e experimentação, numa homenagem poderosa, política e profundamente espiritual.

Entre o Pop Barroco Indie e o Pós-Punk Clássico, o Retorno de Beth Ditto e um “Safári na Lua” para guardar na memória

No primeiro dia do C6 Fest dedicado ao pop-rock, o veterano Perfume Genius envolveu o público com suas harmonias barrocas, que ecoam na trilha sonora de tantas vidas LGBTQ+. Confirmando o compromisso de equidade de gênero no line-up, o C6 Fest trouxe este ano Chrissie Hynde, uma das pedras fundamentais do pop como o conhecemos. Com formação atualizada, o Pretenders subiu ao palco com o jogo ganho, mandando Talk of the Town e Back on the Chain Gang, clássico que o DJ que ainda habita em mim cansou de tocar. Middle of the Road, Brass in Pocket e I’ll Stand by You levantaram uma plateia diversa em todos os sentidos. 

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Chrissie Hynde e os Pretenders no Palco Heineken, no C6 Fest 2025
Chrissie Hynde e os Pretenders no Palco Heineken

Diva máxima do indie e ícone do body positivity antes mesmo de o termo existir, Beth Ditto se emocionou com a reação do público já nos primeiros minutos do show mais fervido do festival. E que saudade estávamos do The Gossip! Nunca houve persona mais adequada — e carismática — para liderar a mescla de grooves disco aos três acordes simples, que remetiam ao pós-punk, do que Beth. Ela quis confirmar com o público se sabíamos que ali não era o show do Pretenders, para em seguida transformar a tenda MetLife em uma pista de dança. Com uma bandeira LGBTQ+, Beth Ditto fez um discurso pró-vidas trans e fundiu Smells Like Teen Spirit com Standing in the Way of Control, um hino dos intensos anos loucos 2000, quando a noite ainda era o nosso palco de conexão e inspiração.

Desde que foi lançado, Moon Safari, do duo Air, se tornou um clássico, uma resposta francesa ao trip hop de Bristol, com batidas downtempo, linhas de baixo quentes, sintetizadores aveludados e vocais etéreos, inaugurando um estilo que nos acostumamos a chamar de lounge moderno. O palco montado pelo C6 Fest no Auditório do Ibirapuera parecia ter sido concebido para o próprio “safári na Lua”. A cenografia, visualmente impecável, deixou o público boquiaberto na noite de sábado.

C6 Fest 2025: o palco do MetLife
O palco MetLife
A lenda do indie, The Gossip se apresenta no Palco MetLife
A lenda do indie, The Gossip se apresenta no Palco MetLife
Nile Rodgers no show de encerramento do C6 Fest 2025 e a lenda do indie
Nile Rodgers no show de encerramento do festival e a lenda do indie

Invasão pós-vitoriana e um desfile da história do pop para encerrar o festival

A expectativa no último dia de C6 Fest estava nas alturas. Bandas emergentes provocam frisson e atraem tanto o público jovem quanto os fãs mais céticos, ansiosos para conferir o hype — e, para mim, esse papel coube perfeitamente a The Last Dinner Party. Seu álbum Prelude to Ecstasy integra a minha playlist desde o lançamento, e ver esse grupo, majoritariamente feminino, dividindo o palco com ícones como Chrissie Hynde e Beth Ditto foi simplesmente inspirador. Elas surgiram com a elegância de damas pós-vitorianas e entregaram um dos shows mais memoráveis do C6 Fest. A presença magnética de Abigail Morris manteve todos hipnotizados, e o coro marcante de Nothing Matters — uma verdadeira ode às angústias da Geração Z — provou que elas são muito mais do que um hype.Seu Jorge e convidados, no Baile à la Baiana, subiram ao Palco Heineken também com o jogo ganho. Trouxeram uma mescla envolvente de clássicos da MPB, grooves de samba-reggae e pitadas de funk carioca, pontuada por arranjos de soul e guitarras percussivas. O resultado foi uma celebração vibrante, que uniu gerações e convidou o público a dançar e cantar junto sem parar até o final

Fachada do Pulso Hotel

Detentores de uma infinidade de hits, Nile Rodgers & Chic foram, sem dúvida, a escolha ideal para fechar um festival que beirou a perfeição. Só se abre um show com Le Freak quando se possui um repertório capaz de preencher duas horas com hits — o caso de Nile Rodgers. O DNA de seus riffs ressoa em clássicos de Diana Ross, Madonna, Duran Duran, Beyoncé, David Bowie, Daft Punk e tantos outros que conquistaram o mundo graças a seu toque de Midas. No encerramento do C6, testemunhamos um desfile da história do pop, celebrando o legado de um dos maiores gênios da música contemporânea. 

Ainda nessa edição, Beach Weather e English Teacher foram destaques nos palcos principais e sets de DJs como Lovebirds, Carola e Marky criaram um clubinho intimista na Bienal para os mais festeiros. Bravo, C6 Fest! Nos vemos em 2026! 

Outro momento do show de Nile Rodgers

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