Dereck & Beverly Joubert

Um dos principais ativistas de conservação da África conta como as suas incursões motivaram a criação da fundação Great Plains Conservation, que mantém 19 camps e lodges com o intuito de conscientizar seus hóspedes e salvar os animais da caça ilegal

Só quem vive o dia a dia do continente africano, com suas dores e delícias, suas maravilhas e tragédias, é capaz de explicar o sentimento avassalador e urgente de salvar o planeta que a África desperta. Dereck e Beverly Joubert vivem, há décadas, movidos por essa sensação pungente. Sul-africanos, exploradores e conservacionistas natos, desde muito cedo encontraram nas savanas as respostas para suas vidas. Dereck é cineasta e cinegrafista. Beverly, fotógrafa. Juntos contabilizam mais de 40 produções para a National Geographic, além de Emmys e outros prêmios, que os confirmam como dois dos mais importantes nomes do segmento, registrando minuciosamente os momentos mais impressionantes e raros da vida selvagem. Testemunhas da barbárie da caça ilegal, do abandono dos animais diante do crescimento das cidades ao redor de áreas de savana e das causas de comunidades que habitam essas áreas, Beverly e Dereck foram movidos pela necessidade de ir além dos registros. Juntos criaram a Great Plains Conservation, uma fundação que supervisiona, conserva e administra reservas de vida selvagem no Quênia, em Botsuana e no Zimbábue por meio do turismo. Hoje o grupo conta com 19 lodges e camps, que recebem viajantes do mundo inteiro para experiências de hospedagem e safáris inesquecíveis, em áreas completamente isoladas e abundantes em vida selvagem. 

Na entrevista a seguir, Dereck conta um pouco sobre os desafios da conservação dos territórios africanos onde atua, dos planos da Great Plains e de como o grupo já conseguiu impactar positivamente a África com as suas ações de conservação.

Great Plains Conservation
Ambiente do Selinda Camp, em Botsuana
Dereck e um funcionário da Great Plains em trabalho de reflorestamento

 Como surgiu a necessidade de criar a fundação Great Plains Conservation? 

Dereck Joubert: Por causa dos nossos trabalhos com a NatGeo, e com os nossos filmes, Beverly e eu tivemos um acesso incomparável e muito profundo às necessidades de conservação – e suas localizações. A partir disso, conseguimos compreender quais eram as ameaças e onde poderíamos desempenhar o papel de preservação. Assim, decidimos estabelecer a fundação para salvar esses corredores vitais e proteger áreas, bem como dar acesso a viajantes que queiram nos visitar e partilhar a nossa visão.  

Como nasceu a ideia?

Na verdade, começou como uma ramificação da National Geographic Big Cats Initiative, um programa de mapeamento dos grandes felinos, que estuda onde esses animais estavam 15 anos antes, dez anos antes e cinco anos antes, e onde poderiam estar no futuro, em cinco, dez e 15 anos. Ficou óbvio para nós que os corredores vitais estavam sob ameaça e que, para salvar os leões, precisávamos mudar. Em vez de salvar um leão de cada vez, era preciso salvar áreas para os leões. Então a Great Plains foi o caminho.

Como o turismo se tornou parte do conceito da Great Plains Conservation? 

Sempre acreditei que todo o conceito de preservação necessita de boas parcerias. A conservação das comunidades também precisa de financiamento, por isso as receitas baseadas no turismo comercial são importantes. Assim, o nosso modelo e os seus pilares combinam a conservação, as comunidades e o turismo. Um dos pilares fundamentais é que essa não é uma relação vertical e, para a nossa melhor saúde, precisamos de mentes saudáveis em corpos saudáveis, num ambiente saudável. Se cuidarmos do ambiente, e ele estiver numa boa relação com os seres humanos, prosperamos.

Como surgiu o primeiro acampamento? Pode nos falar um pouco sobre o processo? 

Beverly e eu compramos primeiro uma área numa região chamada Selinda, em Botsuana. Não tínhamos dinheiro suficiente, mas arranjamos recursos e contraímos empréstimos para começar. Era uma área de concessão de caça, por isso tivemos de reconstruir os números da vida animal, bem como construir os acampamentos do zero. O acampamento foi fácil, mas demorou seis anos para que a vida selvagem se reinstalasse. 

Great Plains Conservation
Programa Food and School, que auxilia crianças das comunidades no entorno dos camps
Great Plains Conservation

Quais foram os maiores desafios no início? E os de hoje?  

Acho que foi o trabalho de trazer a área de volta à vida após muitos anos de abuso. Quando começamos, os elefantes fugiam de nós, em pânico. Hoje você pode dirigir entre eles. Demoramos cinco anos para avistar um leopardo e hoje possivelmente podemos ver três ou quatro por dia. Como sempre, essas são operações dispendiosas, então precisamos cobrir esses custos, e convencer as pessoas a gastar menos dinheiro com elas mesmas é sempre um desafio. As pessoas nas áreas em que operamos precisam de trabalho, então temos gastado muito tempo e dinheiro construindo camps e lodges, principalmente para que possamos gerar trabalho e empregos. 

Você pode nos falar sobre o conceito de conservação aplicado pelo grupo de uma forma prática, na rotina dos acampamentos?  No início, o que nos importava era cultivar áreas para os grandes felinos. Vivemos diariamente com isso, protegendo-os. No momento, um cálculo aproximado é que protegemos cerca de 2% dos leões e chitas, elefantes e búfalos do mundo. Mas cada camp tem seu próprio programa, sempre baseado nos projetos da Fundação Great Plains. Em um acampamento, trata-se de arrecadar dinheiro para os rinocerontes, por exemplo. Em outro, o fundamental são os recursos para a educação das crianças. Varia conforme a necessidade de cada área. Na causa dos rinocerontes, por exemplo, identificamos que os animais estavam sendo escalfados na África do Sul a uma taxa de um a cada seis horas e começamos a movê-los por meio do programa Rhinos Without Borders. Movemos 87 e, desses animais, que teriam sido mortos, tivemos 68 filhotes nascidos em seus novos habitats. No Zimbábue, movemos 100 elefantes e 200 outros animais para locais seguros, e agora estamos monitorando todos diariamente.

Great Plains Conservation
Rinoceronte sendo movido para uma área segura, ação do programa rhynos Without Borders

Quais mudanças foram alcançadas, tanto na natureza quanto no que diz respeito às comunidades, com os programas de conservação nas áreas de concessão do grupo? 

Posso dar muitos exemplos: financiamos mulheres de comunidades para passarem seis meses na Índia aprendendo tecnologia solar, para trazerem de volta e iniciarem um negócio comunitário de energia solar em Botsuana. Agora as famílias podem fazer as coisas mais simples, como carregar um celular em casa sem que a bateria seja roubada em uma estação de troca comum, ou não pisar em escorpiões e cobras à noite. Também construímos pontes que permitem que as crianças cheguem às escolas durante as inundações. Nosso projeto Energia em um Pote, dado às crianças nas escolas, fez com que a frequência e as notas disparassem, porque agora elas podem estudar em casa com essas “lanternas”, depois de escurecer.  Além disso, consideramos o trabalho associado aos leões um marco, tendo salvado 4,5 mil deles ao longo de cinco anos, e desempenhado um papel nas mudanças de legislação e na expansão das áreas de conservação. 

Vocês têm projetos voltados para as comunidades, como escolas e hospitais? 

O programa Solar Mamas apoia a educação das mulheres em energia sustentável, e a fabricação de painéis solares é um deles. Financiamos 25 professores e nosso esquema de alimentação atende 11,8 mil crianças necessitadas, todos os dias. Estamos financiando o prédio para uma escola na região do Maasai Mara com instalações de alta tecnologia. Há programas de bolsas de estudo e temos uma clínica oftalmológica móvel, que trazemos regularmente para Botsuana e para o Quênia. 

Qual é a situação da África pós-pandemia no que diz respeito à conservação da vida selvagem? 

Houve duas pandemias, a viral e a da caça furtiva. Esta explodiu na África. Por isso, precisamos dos olhos do turismo para o “nosso chão” e também do dinheiro proveniente dele.

Clique aqui para ler a matéria na íntegra na edição 12 da Revista

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