Augusto Gomes | Natureza em Foco

O biólogo, fotógrafo e documentarista Augusto Gomes acentua seu fascínio pelo planeta por meio das imagens que produz

Augusto Gomes foi sempre um menino curioso. No quintal de sua casa, em Belo Horizonte, ele costumava passar horas pesquisando insetos e bichinhos com uma lente de aumento. Nas férias, ia com o pai à região da Cordilheira do Espinhaço, onde, desde muito cedo, se viu fascinado pela dramaticidade do cerrado, com suas árvores retorcidas, seus vastos descampados e seus entardeceres alaranjados. Ali costumava tomar emprestada a câmera analógica Zenit do pai para, de brincadeira, registrar animais, cenas e plantas. A natureza sempre foi seu foco. 

O interesse pela fotografia nunca esmoreceu – havia sempre uma câmera a seu alcance –, mas a vocação o convidou a cursar a faculdade de biologia e, em seguida, realizar um mestrado em ecologia, conservação e manejo da vida silvestre. Foi também nessa época que Augusto realizou seu primeiro curso de fotografia, o que lhe abriu um novo mundo de possibilidades no que até então era um hobby. “Antes eu fotografava e aprendia de forma empírica. Porém, ao estudar, fui me aprimorando, conhecendo técnicas e obtendo resultados que me surpreenderam”, conta ele, que seguiu trabalhando como biólogo por diversos anos em projetos de conservação e consultoria de biomas, sempre sonhando com mais. 

Foi em 2016, após realizar seu primeiro trabalho remunerado como fotógrafo profissional para uma ONG, que Augusto resolveu investir na profissão. “Estava frustrado com os conflitos que o trabalho como biólogo acarretava e vi na fotografia a possibilidade de unir duas paixões: a fotografia e a natureza”, conta. 

Tendo o meio ambiente como uma referência central, ele trilhou o difícil caminho dos profissionais de audiovisual no Brasil. Após muita batalha, conseguiu ter fotos publicadas em grandes revistas, como a National Geographic, e pela estrada encontrou grandes incentivadores, como o biólogo e documentarista João Paulo Krajewski, que o convidou para um documentário da Animal Planet. “Foi o meu primeiro contato com o cinema de natureza, algo que me fascinou de imediato, pelo leque de possibilidades que abria”, lembra Augusto, que desde então assimilou o novo ofício de documentarista, cuja trajetória já o levou aos mais diferentes redutos naturais do mundo. “Documentar a natureza é algo que me move. Estive por três meses no Ártico com a Borealis Expedições, aprendi a mergulhar para registrar a vida marinha, viajei pela América do Sul, pelo Brasil, e quero ir muito além, para impactar as pessoas através das imagens que fazemos”, afirma, garantindo que sua missão maior é usar as imagens que registra como objetos de fascínio, reflexão, alerta, interesse e até indignação, sempre tendo a questão ambiental no centro de tudo.  

Matéria publicada na edição 18 da Revista Unquiet.

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