Peru: aprender, honrar e voltar

Entre os ensinamentos dos povos ancestrais, a força arrebatadora do Vale Sagrado e a beleza da herança cultural peruana, uma viagem para preencher a alma e a memória

Viagem boa é aquela que te transforma. Que te traz novas ideias, que te abre o olhar. E foi isso que o Peru fez comigo. Que lindo estar num país que se orgulha de sua cultura, de seus ancestrais, que entende de onde veio e que preserva suas origens. Tudo no Peru respira história e que triste saber que eu não aprendi nada dessa história no colégio. Ouvi falar mais de Bhaskara [matemático indiano do século 12] do que do povo quéchua. Aliás, você sabe quem é esse povo? Então, foi a primeira lição que aprendi lá. Não existe o povo inca. Inca foi uma pessoa, o último rei. Aquelas 14 milhões de pessoas eram do povo quéchua. E que povo agradável. Pense bem, um povo que não desenvolveu armas de guerra nem exército, mas era profundo conhecedor da agricultura, tinha complexos sistemas de irrigação desenvolvidos e sabiam que tudo que precisamos está na natureza e que precisamos preservá-la acima de tudo. Por isso, a segunda palavra que aprendi lá foi: pachamama, a mãe terra. E é isso que salta aos olhos assim que você desembarca no Vale Sagrado, a beleza daquela terra.

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Vale Sagrado: Moray
Terraços de evaporação de sal com os picos nevados dos andes ao fundo, em Moray | Foto: iStock
Vale Sagrado Peru
Filhote de Alpaca | Foto: iStock

Um lugar cercado de montanhas verdes deslumbrantes, água vinda de todos os lados e uma fauna das mais variadas. A natureza se impõe também por meio da altitude. Senti a pressão dos 3.400 metros assim que saí do avião. Subir uma simples escada fazia meu coração bater mais forte, minha respiração acelerar e meu corpo pesar. Durante os oito dias que lá fiquei me senti assim, com o famoso soroche, o mal das montanhas. Há à venda alguns remédios naturais que prometem ajudar nessa questão. Tomei e continuei sentindo o baque. Talvez tenha impedido a dor de cabeça e outros sintomas mais pesados.

A dica é: chegou em Cusco, passe as primeiras duas noites na região do Vale Sagrado que é 1.500 metros mais abaixo. E no dia que chegar não marque nenhum passeio. Descanse, não beba nada alcoólico, deixe seu corpo se aclimatar. Porque você vai precisar estar com bastante energia para acompanhar tudo o que a região tem para oferecer.

Por isso um bom hotel faz toda a diferença. No Sol y Luna tem massagem, piscina, jacuzzi e uma cama beeeeem confortável. E fica bem no meio do caminho para todos os passeios. Machu Picchu é o destino de provavelmente 300% das pessoas que vão ao Peru. Já, já chego nele. Inclusive, outra dica: deixe Machu Picchu um pouco mais pra frente na sua viagem. Comece explorando Moray. Plataformas agrícolas enormes e bem preservadas. É impactante e já te dá uma amostra do que vem por aí. Recomendo fortemente fazer o passeio com guia. Cada pedra tem um porquê de estar ali, cada árvore, cada ruína, nada do que os povos ancestrais faziam era gratuito e isso só um guia pode te dizer.

Vale Sagrado Peru
Trem Belmond Hiram Bingham | Foto: Divulgação
Vale Sagrado: Moray
Os degraus agrícolas circulares construídos pelos incas na cidade Moray, no Vale Sagrado | Foto: iStock
Vale Sagrado: Ollantaytambo,
Em Ollantaytambo, ruínas de antigos edifícios de pedra | Foto: iStock
Vagão restaurante do Belmond Hiram Bingham | Foto: Divulgação

Vale Sagrado: as ruínas de Pisac e Ollantaytambo

Um pré-conceito que eu tinha é que todas as ruínas eram meio a mesma coisa. Que depois de ver degraus agrícolas em um sítio arqueológico, o resto seria apenas repetição. Nada poderia ser mais equivocado. Cada um dos lugares tem uma magia especial. Pisac é deslumbrante, uma cidade gigantesca (aliás, vá preparado para longas caminhadas) com construções, túmulos, área religiosa, fonte… Pode-se andar no meio de todas as ruínas, sentindo-se um pouco parte daquele lugar, recebendo o silêncio, o vento, o sol… Aliás, cuidado com o sol de altitude. Ele queima bem. E eu descobri isso da pior forma possível. Protetor solar e boné sempre! Mesmo com o templo nublado.

Já Ollantaytambo é um outro tipo de cidade. Uma vista privilegiada, silos e escadas preservadas. A própria cidadezinha que ali se formou obedece o estilo de arquitetura antigo, com pedras na base. Uma graça e com bons restaurantes. É dali que se parte de trem para a tão aguardada Machu Picchu. Uma hora e meia até Aguas Calientes e de lá, 20 minutos de ônibus até a entrada de uma das maravilhas do mundo. Há diferentes tipos de trem, mas o Belmond Hiram Bingham é uma experiência única. Um trem de luxo que transporta você para um livro de Agatha Christie. Uma comida ótima, vinhos, drinques, doces… Um atendimento de primeira e quando você se dá conta, chegou. 

Vale Sagrado
Sorrisos genuínos e trajes coloridos marcam as cholas, mulheres de origem quéchua | Foto: Getty Images
Vale Sagrado Peru
Plaza de Armas, no centro de Cusco | Foto: iStock
Cozinha do Mosteiro de Santa Catarina, Arequipa | Foto: iStock

Machu Picchu

O próprio pessoal do Belmond me encaminhou para um dos ônibus que me levou montanha acima. Talvez Machu Picchu seja um dos lugares turísticos mais fotografados do mundo. Todos nós já vimos centenas de vezes aquelas imagens. Pensei que isso pudesse tirar um pouco do impacto na hora. É melhor, é maior, é mais forte e mais impressionante do que as fotos mostram. Que lugar deslumbrante. Tudo à sua volta é lindo. A natureza, o ar, o céu, as ruínas, aquilo não está ali à toa. Tudo foi pensado para aquela construção existir naquele ponto específico. Durante toda a tarde fiquei caminhando por ali (com o guia) tirando mais de 200 fotos (literalmente) e perdido em pensamentos e curiosidades. Realmente é o ponto alto (sem trocadilhos) da viagem toda. O Peru não é só Machu Picchu, mas Machu Picchu é todo o Peru em um só lugar.

Aquele ponto sagrado, intocado pelos espanhóis, abandonado no século 15 e só reencontrado no século 20, resume toda a cultura de um povo. Ali está a alma daquele império. É difícil de chegar, te toma um dia inteiro, a altitude diminui seu ritmo, mas parece que é quase de propósito, para que você dê o devido valor àquele sítio e se dedique apenas a ele. As vistas são impressionantes, não só da cidade, mas de todo o redor. É possível, chegando mais cedo, subir também o Huayna Picchu por escadas bem íngremes. Huayna é aquele morro que vemos ao fundo em todas as fotos. É uma outra visão, um outro ponto de vista. Tudo o que vemos ali do alto é poderoso e leva tempo para absorver Machu Picchu. Não tenha pressa. Vasculhe cada canto, receba cada brisa e entre em cada pedaço daquele lugar.

Vale Sagrado Peru
Patio do Mosteiro de Santa Catarina, Arequipa | Foto: iStock

Cusco

Deixei pra visitar Cusco mais para o fim da viagem. Cidade linda, cheia de influência espanhola, igrejas, catedrais, mosteiros… A arte dos séculos 16 a 18 é também realizada por pintores e escultores indígenas e o sincretismo torna tudo mais bonito. Uma Nossa Senhora em formato de montanha, um porquinho-da-índia no centro da Santa Ceia, detalhes por todas as partes não nos deixam esquecer que aquele povo quéchua está ali. Mesmo quando dominado e exterminado, ele se faz presente. Caminhar pelas ruas nos insere ainda mais naquele contexto. Os panos, as roupas de alpaca, as cores… São tantas cores. Leve uma mala grande porque na volta ela estará cheia, te garanto. O exclusivo e intimista hotel InkaTerra La Casona fica numa praça privilegiada, dois minutos a pé da Plaza de Armas e ao lado do ótimo Museu de Arte Pré-colombiano. 

Vale Sagrado Peru
A cidade de Arequipa, com o vulcão Misti ao fundo | Foto: iStock
Vale Sagrado: hotelaria
Hotel B, em Lima, uma das casitas (vilas) e área externa do Sol Y Luna, que está a 2.800 metros, no Vale Sagrado e celebra a cultura peruana primitiva, e um dos amplos quartos do Cirqa, antigo monastério convertido em hotel-boutique no centro histórico de Arequipa | Fotos: Divulgação

Arequipa

Estive também em Arequipa, a segunda maior cidade do país. A cidade branca. Suas construções são feitas de uma pedra calcária que deixa todo o centro histórico lindo. A cidade é rodeada de vulcões, os vinhos tintos são muito bons, mas o destaque, sem dúvida, é o Mosteiro de Santa Catalina. Uma construção espanhola do século 16 impressionante, que não podia receber ninguém além das freiras até 1970! Você pode circular pelos quartos e corredores daquele convento e ter uma pequena noção de como era a vida daquelas mulheres que abriram mão do convívio social (muitas eram obrigadas a isso por suas famílias) e viviam enclausuradas ali. O vermelho e o azul-royal dão à arquitetura antiga uma beleza primitiva. As histórias por ali são todas fortes e culminam em Ana de los Angeles, que ali morava e foi beatificada. Aliás, sua cela está aberta aos turistas. Algumas viagens que fazemos nos “devolvem” mais relaxados, outras mais reflexivos, mas essa me preencheu.

O pensamento quéchua nos faz muita falta nos dias de hoje. Muito triste ver como o Brasil trata seu povo originário, como não nos preocupamos com aqueles que estavam aqui antes dos conquistadores chegarem. Nossos indígenas tinham que ser vistos como nossos avós, pessoas que trazem a sabedoria de quem viveu e conheceu muito da terra, que sabem mais… 

Clique aqui para ler a matéria na íntegra na edição 07 da Revista UNQUIET

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