Desvendando outra face da África

Uma expedição pela costa oeste africana oferece uma jornada inédita, revelando outro panorama do continente: as dores do colonialismo e da escravidão e as vibrantes tradições ancestrais de seus povos

expedição costa oeste da África

Eu me deparei com uma África distinta daquela que já havia visitado antes.

Minhas viagens haviam me levado a destinos como Botsuana, Quênia, Zimbábue, África do Sul e Namíbia, entre outros, nas quais buscava experiências de vida selvagem em safáris pelas vastas savanas. No entanto, nessa expedição, que teve início em Angola e culminou em Gana, margeando a costa subsaariana, fui envolvida por histórias intensas do continente, especialmente as relacionadas à escravidão.

Ouvir tantas narrativas sobre esse tema me fez perceber que nossa educação escolar raramente nos revela a realidade do horrível período da colonização europeia, quando culturas, religiões e costumes eram impostos sobre povos pacíficos, que viviam em harmonia antes da chegada dos primeiros colonizadores ‒ os portugueses, que aportaram no continente no século XV. Mais de 12 milhões de africanos foram escravizados e transportados dessa região para o Brasil, os EUA e o Caribe. Todos os dias durante a viagem, ao mergulhar na história de cada país que visitamos, ouvíamos as barbaridades que os povos africanos sofreram, e ainda sofrem.

A viagem teve o seu ponto de partida em Luanda, a capital de Angola, a bordo do moderníssimo navio SH Vega, da Swan Hellenic. Luanda é uma cidade de contrastes, com a opulência de avenidas e viadutos contrastando com as moradias mais afastadas. A partir daí, embarcamos em 14 dias de navegação.

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expedição costa oeste da África
Voo de helicóptero sobre praias intocadas e florestas tropicais no congo, a caminho da reserva de conkouati.
O navio SH Vega, da Swan Hellenic

A primeira parada foi em Point Noire, o centro comercial-chave da República do Congo, um país colonizado pelos franceses, que alcançou a independência em 1960. A chegada foi uma ocasião especial, já que nenhum navio turístico havia atracado ali por muitos anos. Autoridades locais, incluindo o primeiro-ministro, Anatole Collinet Makosso, e diversos jornalistas nos receberam com entusiasmo, pois éramos os primeiros viajantes a visitar o país desde o início da pandemia.

O Congo sustenta sua economia com a produção de petróleo, gás natural, mineração e exportação de madeira. No entanto, a miséria é presente, com grande parte da população vivendo abaixo da linha da pobreza, em condições muito precárias ou inexistentes de saneamento básico, água potável e eletricidade, e vimos isso em todos os países por onde  passamos. No Congo, essa realidade é um legado sombrio do brutal colonialismo francês, cujas cicatrizes perduram no rosto das pessoas que cruzaram nosso caminho.

expedição costa oeste da África
Vista sobre uma antiga fazenda de cacau do século XVI, em São Tomé

Em Point Noire, exploramos o Grand Marché, o maior mercado a céu aberto da África, que se estende por 15 km à beira de uma estrada. Ele oferece uma variedade inigualável de produtos, desde alimentos até itens domésticos e roupas usadas, e é lotado de barracas e ambulantes. Posteriormente, visitamos o Museu Ma Loango, com um acervo que ilustra a herança cultural do país por meio de instrumentos musicais e ferramentas agrícolas, entre outros artefatos. Nossa próxima parada foi nas Gargantas de Diosso, o maior cânion da África, um refúgio histórico para os que escapavam dos colonizadores, tentando evitar a escravidão.

Vivências memoráveis

A bordo do SH Vega, nossas noites eram preenchidas com apresentações que antecipavam as atividades do dia seguinte. O navio, projetado para expedições, era equipado com 15 botes Zodiac, spa, academia, piscina, jacuzzi, lounges, dois restaurantes, biblioteca e 76 cabines, espaçosas e confortáveis. O design interior prioriza materiais naturais e iniciativas sustentáveis, como reciclagem de resíduos, zero plástico e controle de emissões de carbono. A equipe a bordo era diversificada, atenciosa e sempre prestativa.

A impressionante estátua que marca um antigo mercado de escravos do século XV no Congo
expedição costa oeste da África -  República do Congo.
Na Reserva de Conkouati, apoiada pela Unesco, os chimpanzés vivem protegidos: observá- los foi um momento marcante e especial
Barraca de legumes no mercado de São Tomé

Palestras aconteciam no lounge principal, apresentadas por especialistas que compartilhavam histórias e tradições dos países que estavam no roteiro. Nossa nova aventura nos levou a Conkouati, a segunda maior reserva de floresta tropical do mundo, depois da Amazônia. O plano original envolvia um desembarque na praia e, a partir dali, explorar tudo no conforto de carros 4×4. No entanto, devido às condições adversas do mar, fomos surpreendidos por uma solução inesperada: Patrizia Zito, senior adviser da Swan Hellenic, conseguiu dois helicópteros da aeronáutica congolesa para nos levar ao destino. O voo sobre as praias e florestas intocadas foi um momento inesquecível (lembra a cena inicial do filme Apocalipse Now), que culminou em um encontro único com os chimpanzés protegidos na Reserva de Conkouati, apoiada pela Unesco. A proximidade com os primatas foi marcante e muito especial, ressaltando nossa conexão com esses seres tão próximos de nós em sua essência.

A jornada continuou, navegando durante a noite, até chegarmos ao Gabão, uma nação com 2,5 milhões de habitantes e mais de 40 grupos étnicos. Era lá que outra aventura nos aguardava.

O berço do cacau

Desembarcamos no Gabão para um safári no Parque Nacional de Pongara, um habitat de elefantes, búfalos, hipopótamos e uma rica diversidade de aves. De lá, prosseguimos para nosso próximo destino: as ilhas vulcânicas de São Tomé e Príncipe. Esse paraíso intocado é abençoado com praias selvagens e águas turquesa, colonizado pelos portugueses no século XV. A indústria do cacau é vital para essas ilhas. Tivemos a oportunidade de testemunhar a produção do chocolate e retornamos ao navio carregando uma variedade de saborosos tabletes feitos em São Tomé, que são exportados para a França e a Alemanha. 

A Ilha de Príncipe, a segunda menos povoada da África, é uma joia rara. Os moradores nos acolheram com sorrisos e danças, compartilhando sua cultura e suas histórias. Explorando as fazendas de cacau e aprendendo sobre a administração comunitária após a independência, descobrimos que a ilha foi o local onde o astrônomo inglês Arthur Eddington testou e confirmou a Teoria da Relatividade, de Albert Einstein, em 1919 ‒ um marco emocionante, que reverberou quando nos deparamos com a placa comemorativa.

As coloridas cestas do Mercado das Artes e Artesanato de Acra.
expedição costa oeste da África

Tradições e mistérios em Benin e Togo

Em nossa travessia noturna, alcançamos Cotonou, no Benin, um trecho crucial na rota dos escravos. Após ser colonizado por portugueses, holandeses, ingleses e franceses, o país obteve sua independência em 1960. Óleo de palma e tecidos coloridos e vibrantes são os pilares econômicos do país. Saímos para conhecer Ganvie, uma cidade flutuante e patrimônio da Unesco, atualmente habitada por 40 mil pessoas, e para onde os locais fugiam na época da escravidão, se refugiando nas águas do Lago Nokoue. Essa cidade, construída sobre palafitas, com escolas, igrejas, comércios e hospital, revelou a resiliência do povo Tofinou, cujo nome, Ganvie, traduz-se como “sobrevivemos”.

Explorando Ganvie em pequenas canoas, fomos imersos na vibrante vida cotidiana e participamos de rituais tradicionais, como o culto das máscaras de Egum, que invocam espíritos ancestrais para abençoar o local. Avançando para o Templo das Pítons, cobras sagradas que trazem proteção, de grande significado religioso para os praticantes do vodu, testemunhamos as complexidades dessa religião. Após um dia enriquecedor, conhecendo as tradições e a história do Benin, avançamos para Togo, onde Lomé, a capital, nos aguardava.

É impactante e forte ver a porta conhecida como “a porta sem retorno”, por onde os escravos passavam antes de serem deportados em caravelas até o seu destino final
expedição costa oeste da África - Ganvie
Ganvie

A base econômica de Togo repousa na agricultura do algodão, café e cacau, exportados para todo o mundo. Esse é um dos países mais carentes, com uma renda média diária per capita de 1,25 dólar. Em nossa passagem, imergimos na religião vodu, com sua rica tradição, compartilhada por 70 milhões de adeptos, principalmente na África e nas Américas (um legado dos tempos da escravidão).

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SUSTENTABILIDADE

Ações de conservação do meio ambiente e ações sociais

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#Uso de geração diesel-elétrica Tier III com unidades de Redução Catalítica Seletiva para reduzir emissões prejudiciais.

#Uso de sistemas de posicionamento dinâmico evitando lançar âncora em ambientes frágeis e evitando causar danos a ecossistemas delicados .

#Iluminação LED de baixíssimo consumo e sistemas inteligentes de controle climático são utilizados em toda a frota.

#Sistemas avançados de tratamento de água potável purificam, mineralizam e carbonatam a água potável pura recém-preparada, eliminando a necessidade de água engarrafada.

#Dispensadores de água são fornecidos em cada navio para conveniência dos hóspedes.

#Os produtos de higiene pessoal das cabines são fornecidos em unidades dispensadoras reutilizáveis ​​feitas de plástico reciclado.

#Os produtos de limpeza utilizados possuem certificação Ecobal, são totalmente biodegradáveis ​​e feitos com matérias-primas de origem natural

#Os plásticos descartáveis ​​são reduzidos a um mínimo inevitável a bordo.

#Uso de canudos de papel e garrafas de água de vidro em todo navio.

#Garrafas de água metálicas são fornecidas para os hóspedes usarem em suas expedições e excursões.

#Todos os resíduos a bordo são reciclados de acordo com as mais recentes regulamentações da MARPOL.

swanhellenic.com/sustainability

expedição costa oeste da África - Benin
Ritual de culto das máscaras de Egum em Ganvie, Benin
expedição costa oeste da África - mapa
Ilustração: Antônio Tavares

Exploramos o Akodessawa, o maior mercado vodu do mundo, local de venda de amuletos, ervas, chifres e ingredientes misteriosos, utilizados em poções curativas para problemas físicos e mentais. Curandeiros e sábios recebem as pessoas em locais sagrados para consultas. De lá seguimos para uma visita a uma aldeia que nos apresentou um ritual vodu, em que os tambores ressoam freneticamente e as danças evocam bons espíritos. O sacrifício de um animal, juntamente com especiarias e bebidas, como oferenda aos espíritos, concluiu o ritual. Essa experiência desafiou percepções preconcebidas sobre essa religião ao destacar sua natureza positiva e se contrapor a estereótipos negativos.

O esplendor de Acra

Nossa última parada foi Acra, a capital de Gana, conhecida como a Costa do Ouro. Essa região também foi colonizada pelos portugueses no século XV, quando a riqueza de ouro e diamantes atraía a atenção internacional. Os britânicos assumiram o controle em 1874, até Gana se tornar a primeira nação africana a alcançar a independência do Império Britânico, em 1957.

Atualmente, a economia do país gira em torno da exploração de seus recursos naturais, incluindo ouro, minérios, cacau e produtos agrícolas. Nossa passagem por Acra incluiu uma visita à Praça da Independência, um tributo a Kwame Nkrumah, um líder fundamental na luta pela independência. Visitamos o Mercado das Artes e Artesanato, mergulhando na riqueza de cestas coloridas, esculturas de madeira, colares de miçangas e dos deslumbrantes panos africanos, conhecidos como kente, que apresentam intrincados padrões geométricos, muito usados pelos locais. Nossa última parada nos levou a Jamestown, o bairro mais antigo de Acra, da época da colonização inglesa, que contrasta com a expansão dos bairros modernos, com edifícios e shopping centers. 

Clique aqui para ler a matéria na íntegra na edição 12 da Revista UNQUIET.

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