Arte nos Países Baixos

No pequeno enclave conhecido como Países Baixos, desdobraram-se marcantes movimentos artísticos, que hoje podem ser conferidos em alguns dos museus e galerias mais renomados do globo

A arte que atravessa os séculos testemunha a grandeza de épocas em que a prosperidade econômica e a liberdade criativa se uniram. É surpreendente que um pequeno enclave do noroeste europeu tenha deixado uma influência tão profunda, com tantos movimentos e talentos artísticos.

A liberdade é a marca registrada do neerlandês. A ousadia de pensamento experimentada por pensadores e artistas durante a Era de Ouro, no século XVII, quando a expansão marítima das primeiras empresas de capital aberto do planeta transformou o pequeno pântano do noroeste da Europa, recém-libertado da coroa espanhola, na nação mais poderosa do Velho Mundo, perdura até hoje. Aqui, desafiar o status quo é encorajado. E, depois de quase seis anos estudando a história dos Países Baixos, encontro a resposta para esse traço marcante da identidade dos conterrâneos de Van Gogh, visitando os acervos espalhados por centros de arte e cultura nos quatro cantos das “terras baixas”.

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Mauritshaus Museum, em Haia
Midnight and to body, de Amelia Winger, no Nxt Museum

O marcante barroco da Era de Ouro

A impressionante arte produzida durante a Era de Ouro marcou a ascensão dos pintores de gênero de retratos, cenas cotidianas, paisagens, interiores e natureza com maestria na manipulação da luz, fazendo-os emergir para o status de artistas de primeira grandeza. A nova elite europeia, ávida por obras de arte, podia agora apreciá-las em suas casas, algo antes reservado a mecenas ligados à nobreza e ao clero. 

Enquanto o barroco continental se apoiava na contrarreforma, com mestres como Rubens e Velásquez recebendo incontáveis comissões para reforçar a fé cristã, nos Países Baixos, a arte florescia com liberdade de estilos, acompanhando a libertação da ciência de dogmas medievais.

A Lição de Anatomia do Dr. Tulp, de Rembrandt

Mais de cinco séculos desafiando  paradigmas

Quando estou diante de uma performance ou espetáculo destinados a instigar desconforto e reflexão, me transporto para Amsterdã de 1632. Tento imaginar o que as pessoas naquela época sentiram enquanto se reuniam em um prédio da praça do mercado, observando o jovem Rembrandt pintar o momento em que o renomado doutor Tulp realizava uma autópsia encomendada pela Guilda dos Cirurgiões da cidade. Contemplar como o pintor mais famoso da Era de Ouro pôde selecionar até a data da execução de um ladrão, para garantir a temperatura perfeita para o estudo de um corpo recém-falecido, reforça a minha compreensão de por que a pré-modernidade ganhou contornos aqui. Até a Anatomia do Dr. Tulp, o único personagem central retratado morto em uma tela de grandes proporções tinha acabado de descer da cruz. O livro posicionado aos pés do cadáver é um claro tributo ao amor pelo conhecimento na sociedade neerlandesa do início do século XVII.

Vaso com Lírios Contra um Fundo Amarelo, de Van Gogh
A obra Victory Boogie Woogie, de Mondrian, exposta no Kunstmuseum den Haag

Em Amsterdã, Haarlem e Delft, os retratos ganharam interpretações únicas sob a influência de mestres como Frans Hals, Vermeer e Jan Steen. A vida cotidiana, incluindo reuniões familiares, celebrações e até prostíbulos, transformou-se em arte nas telas. Algumas, se exibidas perto do Vaticano na época, requereriam cortinas para sua observação.

É notável que o barroco neerlandês tenha contado com a contribuição de pintoras como Judith Leyster e Clara Peeters. As duas, das sete artistas que identifiquei nos anos de pesquisa, lideravam ateliês durante a Era de Ouro. Ao contrastar com o movimento impressionista da virada do século XX, é surpreendente que a representatividade feminina fosse maior nos Países Baixos do século XVII. 

Para testemunhar esses momentos na história da liberdade neerlandesa, são essenciais o impressionante Rijksmuseum, em Amsterdã, e o Mauritshuis (instalado no castelo onde residiu Maurício de Nassau, o governador do Brasil Holandês), em Haia.

O Kröller-Müller Museum, Otterlo

A invenção da Arte Moderna

Nos séculos XVIII e XIX, a história dos Países Baixos foi marcada pela instabilidade política e econômica, resultando na perda da aura vanguardista. Quando Paris se tornou a meca cosmopolita de todos que ambicionavam criar arte e viver os ideais de liberdade e beleza, antídotos contra a revolução industrial, um holandês migrou para lá e marcou para sempre a história da arte.

Ao chegar à França, Van Gogh queria entender por que suas telas, retratando personagens rurais em tons escuros, não chamavam a atenção do novo mercado. As obras luminosas de Renoir, Monet, Pissaro e companhia, com imagens quase subjetivas, começavam a cair no gosto da parcela mais moderna da sociedade parisiense. No entanto, durante os quatro anos no país vizinho, Van Gogh criou sua própria técnica, que até hoje desafia os estudiosos da arte a enquadrá-lo em um único movimento, na transição complexa entre o pós-impressionismo e o expressionismo. 

Diferentemente de artistas cujas criações estão espalhadas em centros de arte de grandes cidades, os dois maiores acervos do artista, que produziu, em uma carreira fugaz, mais de 2 mil trabalhos em pouco mais de dez anos, se encontram em solo neerlandês. 

No espetacular Museu Van Gogh, de Amsterdã, a emocionante jornada do pintor, marcada por percalços e pela cumplicidade de seu irmão e maior apoiador, Théo, é contada em uma mostra permanente, complementada por obras de amigos e pares, como Gauguin, Toulouse-Lautrec e Émile Bernard. O retrato de Van Gogh pintando seus famosos girassóis, realizado por Gauguin, é das obras mais essenciais do museu, por retratar as feições do pintor holandês de maneira completamente diferente das conhecidas em seus incontáveis autorretratos.

O Museu Van Gogh, em Amsterdã

Um jardim secreto para os Van Gogh mais bonitos da Provença

Um parque nacional, com vestígios da floresta nativa, localizado em Otterlo, a cerca de uma hora a leste de Amsterdã, é um ponto de peregrinação para os fãs de Van Gogh. O Museu Kröller-Müller, concebido por Helene Kröller-Müller, uma mecenas e colecionadora de arte visionária do início do século XX, abriga a segunda maior coleção do artista, incluindo algumas das obras mais importantes do período em que ele viveu na Provença, como O Carteiro e a melhor versão de La Berceuse. 

Com uma linha do tempo ilustrada por obras de artistas que precedem Van Gogh, abrangendo movimentos como impressionismo e pontilhismo, até expoentes modernos, como fauvismo, futurismo e cubismo, o Kröller-Müller também exibe muitos trabalhos de fundadores da escola De Stijl, como Mondrian, Théo Van Doesburg e Bart Van Der Leck. 

O museu, projetado pelo arquiteto Gerrit Rietveld, está inserido no maior jardim de esculturas da Europa, com criações de artistas como Barbara Hepworth distribuídas por galerias a céu aberto, ao lado de Henry Moore, Noguchi, Jean Dubuffet e praticamente todos os grandes escultores desde o século XIX até a atualidade.

Fachada do Straat Museum
museus galerias países baixos - Stedelijik Museum, Amsterdã
Stedelijik Museum, em Amsterdã
museus galerias países baixos - Gemeente Museum, Haia
Gemeente Museum, Haia
museus galerias países baixos -   Moco Museum
Obras no Moco Museum, em Amsterdã

Epítome Neoplasticista 

No começo do século XX, todo artista tinha os olhos voltados para a vibrante Paris. E Piet Mondrian seguiu para lá. Depois de mergulhar no pós-impressionismo, que tomava força em Amsterdã – onde ele mantinha um estúdio e se entregava a noites clandestinas de jazz -, o mais boêmio dos artistas neerlandeses em Paris encontrou com pares como Picasso e George Braque. 

Durante a Primeira Guerra Mundial, por um acidente do destino, Mondrian ficou preso nos Países Baixos, uma nação neutra durante o conflito. Foi nesse curto período que começou a conceber a escola que viria a redesenhar os rumos da arquitetura, da moda, do mobiliário e da arte do século XX no mundo ocidental. 

museus galerias países baixos -   Kröller-Müller Museum
A obra Jardin d’Email, de Jean Dubuffet, no Kröller-Müller Museum | Foto: Marjon Gemmeke

Ao lado de Theo Van Doesburg, Bart Van der Leck e do arquiteto Gerrit Rietveld, Mondrian lançou a revista De Stil, que significa
“o estilo”. Em contraponto à desconstrução das formas do cubismo, que estava em seu auge em Paris, esse novo movimento buscava a abstração total, com formas simples e o uso das cores primárias para garantir que qualquer pessoa, mesmo distante dos grandes centros, pudesse absorver, apreciar e se sentir parte da obra. 

Como a sociedade neerlandesa, incluindo a famosa Helene Kröller-Müller, não abraçou de imediato a inovação, devido a um mercado ainda preso à pintura figurativa, Mondrian retornou a Paris após o término da Grande Guerra. Lá reimaginou o conceito de ateliê, mergulhando no seu ideal de neoplasticismo. No entanto, um continente europeu abalado buscava vivacidade e cor. As formas retangulares e as cores primárias de Mondrian obtiveram um sucesso relativamente modesto, ofuscadas pelo legado dos descendentes de Picasso. 

museus galerias países baixos -  Museum Boijmans Van Beuningen
O interior do Museum Boijmans Van Beuningen
museus galerias países baixos -  Museum Boijmans Van Beuningen
A fachada futurista do Museum Boijmans Van Beuningen, Roterdã
Obra Swiming Pool, no Museum Voorlinden

A Segunda Guerra Mundial o conduziu ao Novo Mundo, onde ele contribuiu para a aura, que até hoje perdura, de Nova York como o centro da vanguarda artística. A distância da cidade e os horrores da guerra permitiam que artistas de toda a Europa expressassem suas estéticas boêmias. A mesma efervescência artística que marcou Amsterdã havia quatro séculos ou Paris quatro décadas antes estava presente em Nova York no final da primeira década do século XX. O resto é história. 

Embora tenha alcançado a fama nos Estados Unidos, suas obras estão espalhadas pelos principais museus dos Países Baixos, incluindo o Rijksmuseum e o Stedelijk, ambos de Amsterdã, o Kunsthuis de Roterdã e o Stedelijk de Alkmaar, para citar alguns. No Kunstmuseum Den Haag, em Haia, uma joia da arquitetura art déco com traços De Stijl, desenhada por Berlage, reside o mais abrangente acervo do artista, incluindo seu icônico último quadro, Victory Boogie Woogie, uma homenagem derradeira às noites sem fim da “cidade que nunca dorme”.  

Clique aqui para ler a entrevista na íntegra na edição 12 da Revista UNQUIET.

Ilustração: Antônio Tavares
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