Aprender com o imprevisível

Sou obcecada com planejamento. O que não significa que consiga sempre planejar. Ou mesmo que eu siga o planejado

Gosto de cabos, faróis, desertos, ilhas, montanhas (não de escalar) e de (novos) horizontes. E de fronteiras, limites, para superá-los. Já dei muito rolê, peguei muito avião, desbravei lugares inóspitos e inesperados, fui para extremos, em todos os sentidos, pontos cardeais e temperaturas.

O Atacama, tão alto e tão seco, me deu um sacode físico e energético que estou até hoje tentando entender. Abaixo do nível do mar, o caminho pro mar Morto, e o mar Morto, e a Jordânia lá do outro lado, nublada pelo sal, não vou esquecer. A gelada e branca Kirkenes, Noruega, faz fronteira com a Rússia e a Finlândia (isso é possível). Um dos lugares mais próximos do conceito de “meio do nada” que já consegui alcançar. Amei. E de lá saí para flanar pelos fiordes descendo a costa de meus antepassados vikings em busca da visão de uma (imprevisível) aurora boreal.

 Sou obcecada com planejamento. O que não significa que consiga sempre planejar. Ou mesmo que eu siga o planejado. O planejamento existe justamente para haver espaço para o improviso, para o drible. Mudar de ideia. Decidir na hora. Coisas maravilhosas na vida e nas viagens. E não é a viagem uma alegoria para a vida? Alegria também.

         Embarcar no imprevisível. Aceitar que, sim, há coisas que não conseguimos prever, que não podemos prever. Para pessoas que gostam de controle, feito eu, falar é mais simples que fazer. E há viagens que puxam nosso tapete mental e emocional, tiram a gente do eixo. Literalmente.

         A primeira viagem para o Oriente foi dessas. Sozinha em Tóquio, achar que eu estava do outro lado do mundo me fez enxergar tudo em outras temporalidades. No Serengeti, ver a Grande Migração sob tendas que se moviam pela Tanzânia me fez perceber que a espécie humana é só mais uma, e que este protagonismo que trazemos para a gente é medonho. O Butão me fez existir num reino mágico, meditando num monastério com os monges no dia de Natal, vendo as águas azuis dos rios que correm do Himalaia ou jogando gamão nos campos de arroz.

         Ler obsessivamente sobre o destino que vamos enfrentar pode ajudar. Mas não substitui o acaso, para citar rapidamente Mallarmé. Uma monção longa demais nos fez cancelar a ida para Siam Reap, Camboja, que inundou, e fomos “obrigadas” a ficar uma semana a mais em Bangkok, presente das deusas, uma cidade que vai ser sempre minha. Caso você curta ir em busca do desconhecido, rume para a Ásia assim que possível. Em Istambul a magia se deu no Bósforo, divisa do Oriente com o Ocidente.

         Impermanência? Na Patagônia, o tempo e o vento mudam de minuto em minuto, principalmente no cabo Horn, onde desembarcamos depois de navegar pelo canal de Beagle para visitar aquele farol de energia bizarríssima. Porém, nada mais imprevisível para nós, bichos da cidade, do que a Amazônia, destino dos destinos. Vá também o quanto antes, e aprenda de vez a respeitar a floresta, seus seres visíveis e invisíveis, seus povos e sua cosmologia. É a maior viagem.

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