Bem-estar açoriano

O arquipélago autônomo português se destaca como destino de wellness com experiências em águas termais, spas e intensos momentos de integração com a natureza e uma deliciosa gastronomia pontuada pela herança cultural lusitana

Dos Açores só conhecia a história dos portugueses que chegaram ao sul do Brasil Colônia para habitar as áreas que se tornaram estados como o Rio Grande do Sul. Quando me preparava para desbravar as principais ilhas do arquipélago português, nova sensação do circuito wellness europeu, é que descobri que colonizadores lusitanos só aportaram por aqui no século XV, um pouco antes do nosso descobrimento. 
A julgar pelas belezas e paisagens naturais das nove ilhas vulcânicas do arquipélago, com florestas, montanhas, grutas e ilhotas, reflito sobre a inquietude da nossa espécie. Teria sido irresistível parar aqui? O solo fértil da região foi logo aproveitado. E, sem as intensas ondas migratórias da Península Ibérica, não teríamos a proliferação de frutos tropicais nem a base do que viria a se tornar a agricultura moderna. O famoso ananá, para nós abacaxi, onipresente nas ilhas açorianas, é só uma das heranças que o passado mercantil trouxe para cá.
Seculares lavouras de chá Gorreana, primeira e única plantação de ervas para infusão do continente europeu, se entremeia a pastos montanhosos, com vista para o revolto mar do Atlântico, repletos de rebanhos de ovelhas e cabras. As áreas verdes se confundem com árvores preservadas em parques nacionais onde grupos de hikers começam a aparecer, principalmente, no entorno de grandes lagos que formam a região de Furnas, minha primeira parada.

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O mergulho com baleias é um dos destaques da ilha de São Miguel | Foto: Getty Images
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O edifício colonial do Furnas

Entre vales,
montanhas e
praias, Ponta
Delgada é um
destino para
amantes de
esportes

Termas da moda 

A julgar pelo tráfego no aeroporto, uma nova onda migratória parece aportar por aqui. As águas termais de Furnas, localizada a uma hora e meia de Ponta Delgada, a maior cidade da Ilha de São Miguel, tornaram-se atrações concorridas e novos hotéis começaram a surgir no entorno do Parque Terra Nostra, onde as maiores piscinas públicas se concentram. 

O Octant Hotel Furnas é a pedida para quem busca combinar dias de bem-estar com ótima gastronomia. Já no check in, feito no simpático bar do hotel, decorado com vinis clássicos e uma pequena biblioteca, descubro o sabor amadeirado dos gins produzidos em Portugal. O produto é utilizado como base pelo mixologista em martínis com os sabores de especiarias que valiam ouro no século XVII, como canela, mostarda e açafrão. 

A gerente do hotel aparece para repassar meu programa, deixando claro que o segredo do bem-estar açoriano é relaxar e comer bem. Os programas do hotel, nada rígidos, são desenhados para o publico português e europeu em geral, que, quando viajam para relaxar, não abre mão de boas bebidas e da mesa farta. Fico sabendo que a distância até o parque, com os cenários mais bonitos para hiking pode ser percorrida a pé. E que em menos de quinze minutos caminhando é possível chegar ao centrinho, cortado por pontes onde águas escaldantes transbordam em canais de água doce. 

Sou encorajado a planejar dois dias de exploração ao redor, seguindo o ritual de retornar ao hotel para aproveitar as duas piscinas com águas termais, que podem ser acessadas a qualquer momento do dia. A externa tem serviço de bar e comidinhas, com vista e acesso a um exuberante jardim, que cumpre o papel de cenário perfeito para a leitura. A interna se conecta a uma estrutura com saunas seca e a vapor, salas de tratamento e massagens e uma fonte interna de água termal. Apesar de butique, o Octant Furnas tem uma aura de spa, com hóspedes transitando de roupão em todas as áreas.

Uma das cachoeiras de Punta Delgada | Foto: Getty Images

Corpo são, mente sã 

Como é meu primeiro dia na capital das termas açorianas, corro para experimentar por mais de uma hora os banhos termais do hotel. Foi um pouco difícil reunir forças para jantar, mas a reputação do À Terra Furnas havia me deixado curioso. Instalado em uma charmosa estufa, com mobiliário que mescla a simplicidade do mobiliário português com cadeiras de design internacional, ele serve pratos típicos dos Açores, como o famoso “cozido de Furnas”, à base de carnes e legumes, preparado na caldeira de pequenas crateras de águas termais. 

O chef Henrique Mouro me avisa que o restaurante só utiliza produtos do campo, carnes e frutos do mar frescos. Tudo é preparado em um imenso forno a lenha, a verdadeira estrela do À Terra. Ele recomenda reservar o cozido com antecedência, para cumprir o ritual do prato. Faço uma reserva para o almoço do dia seguinte. No jantar, me delicio com uma massa preparada com frutos do mar, vindos da Ribeira Grande, uma das minhas paradas, acompanhada de uma salada que não deixa dúvidas da tradição farm to table dos Açores. 

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Preparo do típico “cozido de Furnas”
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Stand-up paddle em Ponta Delgada

Pode ser que estivesse influenciado pelo clima, mas a primeira noite em Furnas foi das mais revigorantes que já tive. Após o café da manhã, passo na recepção para pegar uma toalha e sigo caminhando até o Parque Terra Nostra, o destino mais famoso das termas de Furnas. Já na frente do hotel, a água começa a brotar escaldante das rochas, formando uma combinação estranha com os belos jardins onipresentes em todo o caminho. Plaquinhas indicam a temperatura e a rota que a água seguiu até desembocar ali. 
No canal principal, avisto os primeiros banhistas, revezando-se na água gelada com pequenas piscinas montadas com a água termal que desagua ali. Mergulho os pés em uma delas para entrar no clima e sou surpreendido com a temperatura agradável, em torno dos 35 oC. Nesse ponto, as águas desaguam e se misturam às corredeiras. 

Parque Terra Nostra  

As construções ao redor do parque não deixam dúvidas da herança lusitana. Casinhas brancas coloniais, muitas igrejas e mais jardins em ruas estreitas me levam até a entrada do parque. O Parque Terra Nostra já serviu de moradia para um abastado cônsul americano do século XVIII, mas só em 1848 ganhou a forma que tem, quando a área foi adquirida pelo Visconde da Praia. Sua família se interessava por plantas e, como bons herdeiros de navegadores, plantaram ali espécies vindas das Américas, da Austrália, da China e da África do Sul, dando ao parque ares de jardim botânico mercantilista. O clima atlântico dos Açores foi escolhido pelos portugueses como local de aclimatação para espécies trazidas do mundo todo. As orquídeas encontraram aqui seu primeiro lar fora da Ásia.

O bucólico Parque Terra Nostra, em Furnas | Foto: Getty Images

Bem em frente da residência da família Visconde da Praia uma imensa piscina com água argilosa, mais amarronzada que um rio tropical, atrai uma verdadeira multidão. Gente de todas as idades nada e boia em busca dos benefícios comprovados das termas de Furnas. Além da hidratação da pele e do alívio do estresse, as fontes são procuradas por quem tem problemas de sono ou de pressão arterial. Não espere um cenário de spa ou parque suíço elitizado. O Terra Nostra faz parte de uma rota de destinos democráticos e, com exceção das fontes particulares de hotéis, como as do hotel Octant, há pequenas multidões por todos os cantos. 

Mesa farta e hiking 

Após quase quatro horas explorando o parque, escaldando a pele nas fontes que descubro, retorno ao hotel para experimentar o famoso cozido. O prato é realmente um evento. Já na recepção sou informado que o meu está pronto. Um casal de Lisboa me diz que vou adorar e que é melhor que esteja com fome, porque os portugueses são conhecidos pela fartura à mesa. 
Da panela enterrada por horas na terra brotam alguns dos vegetais mais saborosos que já provei. Couve, cenouras, inhame, batatas doce e da terra são colocados à minha frente com pedaços generosos de carne de galinha, porco, bovina e, para minha surpresa, bacon. Por um momento, penso se estou mesmo em uma viagem de bem-estar. O aroma toma conta do ambiente e eu, que não sou tão carnívoro, peço para repetir porções bovinas e de porco. 

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A Caldeira das Lagoas, na ilha de São Miguel

No dia seguinte à experiência com o cozido, a equipe do Octant sugeriu uma caminhada até o topo do Pico do Ferro. No meu ritmo, subo até um mirante onde, finalmente, pude perceber a grandeza do vale das águas. A variedade de árvores e lagos e as pequenas fazendas confundiam meu olhar o tempo todo e a cordilheira, que dá forma à paisagem, finalmente se torna uma imensa cratera. 
Depois de mais uma tarde relaxando nas termas do Octant Furnas – e de outra ótima noite de sono -, estou mais do que pronto para a viagem até Ponta Delgada, outro destino cada vez mais popular para aqueles que buscam uma fugidinha da vida cotidiana no continente.

Ponta Delgada: porta de novas aventuras

As muitas paradas que faço no caminho para apreciar as pequenas ilhas que surgem próximas da estrada costeira alteram minha previsão de chegada em mais de duas horas. Tudo bem, penso. Estou nos Açores! Mal pude acreditar quando vi da estrada a formação em ferradura e a lagoa natural do Ilhéu de Vila Franca, um dos principais cartões-postais que visitarei daqui a alguns dias. 

Prato do restaurante À Terra
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Sky-line de Punta Delgada
Plantações de chá na ilha de São Miguel

Ponta Delgada é um destino popular para amantes de atividades esportivas. Todo o centrinho dá acesso a trilhas para caminhadas – de todos os níveis – que entregam panorâmicas das montanhas, vales e praias da região. A equipe que me recebe no Octant Ponta Delgada, principal propriedade do grupo português nos Açores, me adianta um menu de experiências que desperta a inquietação. Ficou claro que vai ser impossível ver tudo em somente três dias. 
Vou direto ao Whale Watching Bar, localizado no topo do Octant, para um lanche rápido antes do passeio de mountain bike que reservo para reconhecimento da área. A Ilha de São Miguel ostenta o título de melhor lugar para ver baleias da Europa, oferecendo a garantia de observação durante toda a temporada – entre a primavera e o verão – na costa sudoeste. Um simpático píer localizado bem na frente do hotel faz as vezes de ponto de encontro de mergulhadores e surfistas e reúne bares, restaurantes e um mini-shopping center. Seguindo pela ciclovia costeira, dou de cara com os resquícios de um impressionante forte, hoje museu, testemunha do passado colonial do arquipélago.

Praia dos Mosteiros, em Ponta Delgada

Já está anoitecendo quando retorno para uma massagem que deixei agendada no spa Octant. Gilda Martins, a gerente de bem-estar, me explica sobre os tratamentos à base de chás verde e preto oriundos das plantações da ilha. Opto pelo chá-verde após descobrir suas propriedades intoxicantes em um ritual dos pés seguido de esfoliação. O chá é parte da identidade dos Açores, mas a estrela atual dos tratamentos do spa do Octant Ponta Delgada é o CBD. Nas massagens, a substância é misturada a um óleo vegetal ou a essências como a criptoméria. Gilda me conta que é possível utilizá-lo até mesmo nos tratamentos com pedras quentes. “O CBD nas massagens ajuda a desbloquear. O corpo se liberta e a mente se acalma, abrindo-se para o silêncio, permitindo-nos aproveitar melhor o momento.” Eu, ainda de roupão, aprovo mais esse uso do produto extraído da canabis. Quando pergunto se há algum tipo de resistência dos hóspedes a respeito dos tratamentos com base de CBD, sou surpreendido com sua resposta: “Ainda que para muitos o CBD seja associado a uma droga, há quem se permita a conhecer o desconhecido”. Viajar é um pouco isso, penso. 

Mar sortido 

Depois de outra ótima noite de sono açoriana, acordo com disposição para madrugar no píer para seguir de barco em busca das baleias. A expectativa é grande. Alejandro, guia e biólogo marinho espanhol, que aportou por aqui e nunca mais retornou à península, me conta que das 83 espécies de baleias e golfinhos do planeta, podemos ver até 28 nadando na costa das ilhas dos Açores. Já na saída do píer, fico sabendo que a atividade nos mares está alta, mas que precisaremos viajar cerca de 30 minutos até que as primeiras apareçam. Não demora muito para que um dos muitos grupos de golfinhos force uma primeira parada, nadando exibidos à nossa volta.

Cachoeira em Furnas
Mountain bike é um dos diversos esportes possíveis em Ponta Delgada
Sala de tratamentos do spa do Octant Ponta Delgada

A promessa de Alejandro se cumpre em menos de 30 minutos de navegação, quando somos surpreendidos pela primeira baleia-sardinheira. A espécie está em perigo, mas vive tranquila e protegida da caça nos Açores. A desejada foto do mergulho com a imensa cauda para fora é conquistada logo nessa aparição. As baleias-sardinheiras costumam ficar até cinco horas submersas antes de retornar à superfície. Outros pequenos grupos de mães com filhotes também dão a graça. Ficou faltando a gigante baleia-azul, habitante ilustre desses mares. Na viagem de volta, aprecio a beleza da paisagem com um sorriso no rosto. Esse tal de Açores não só é bom de marketing, como também entrega.  

A sensação de um mar tão gelado quanto Cascais nas idas às praias de Santa Bárbara, superjovem, e da bela Pedreira, me desencorajou ao mergulho com os golfinhos na costa. Mas algumas piscinas naturais formadas ao longo da Praia dos Mosteiros me fizeram desejar mais dias por aqui. Quem diria que teriam que me tirar da água, me lembrando do ferry de volta, na visita que fiz ao Ilhéu de Vila Franca.

Tesouro natural açoriano 

Quando ouvi falar pela primeira vez sobre o Ilhéu de Vila Franca, sabia que tinha que visitá-lo. Esse lugar magnífico, localizado a apenas 400 m da costa, é um verdadeiro tesouro dos Açores. Já na chegada foi impossível não me emocionar com a beleza natural que me rodeava. A formação vulcânica em forma de anel se eleva em meio a um dos pontos mais cristalinos do Atlântico, formando uma lagoa natural, com a cratera do vulcão se enchendo com a água do mar. A areia branquinha e o visual intocado são irresistíveis.  

O Ilhéu é considerado um dos melhores lugares para mergulho da Europa, e trupes de snorkel nadam do oceano para dentro da lagoa em busca da vida marinha e da paisagem vulcânica submarina. Peixes, crustáceos e corais podem ser vistos de qualquer lugar, mesmo nas margens da cratera. Entre um mergulho e outro, fiz uma trilha íngreme até o topo da Vila Franca, onde uma vista da costa sul de São Miguel compensou o esforço extra. 

Sala de tratamentos do spa do Octant Ponta Delgada
Piscina interna do Octant Furnas

É daqui que os melhores mergulhadores do mundo saltam, realizando acrobacias até cair na água durante campeonatos como o Mundial de Red Bull Cliff Diving. A estrutura de salto não é aberta aos visitantes e somente um pequeno bar e café vende bebidas e lanches por aqui, para manter a paisagem intocada. 

Depois de uma tarde inteira na praia, foi difícil reunir forças e retornar ao hotel. Minha viagem continuaria no continente, com parada nas praias do Algarve e nas vinícolas seculares do Alentejo, mas já dava para sentir que as memórias das belezas naturais dos Açores já faziam parte de mim. O conceito wellness desse lugar especialíssimo não se limita aos tratamentos de spa e à boa alimentação. As paisagens que conquistaram desbravadores portugueses é que me trouxeram a sensação do que hoje chamo de bem-estar açoriano.  

Matéria publicada na edição 11 da Revista UNQUIET.

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SUSTENTABILIDADE

Ações de conservação do meio ambiente e ações sociais

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Octant

Atua sobre 3 vertentes: sustentabilidade ambiental, sustentabilidade social e a sustentabilidade económica.

Octant Furnas adotou um Sistema de Gestão baseado nos referenciais NP EN ISO 9001:2015 e NP EN ISO 14001:2015, observando os requisitos legais aplicáveis à sua atividade.

Certificações:

O registo EMAS, que visa promover a melhoria contínua do desempenho ambiental através da avaliação e gestão dos impactos ambientais.

Certificado pela Miosótis Açores – nível 3 – pelo reconhecimento das suas boas práticas ambientais implementadas.

Certificado Internacional Green Key adquirido através da análise criteriosa das boas práticas de sustentabilidade, presente em três grandes pilares: social, económico e ambiental.

furnas.octanthotels.com/sustentabilidade

Ilustração: Antônio Tavares

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