Ilha de Páscoa: a força e o silêncio de Rapa Nui


Paisagem costeira de Rapa Nui, na Ilha de Páscoa, com uma fileira de moais sobre uma plataforma de pedra diante do oceano Pacífico, ondas brancas, mar em tons de azul-turquesa e falésias vulcânicas monumentais ao fundo. A cena combina arqueologia, natureza dramática e patrimônio cultural em um dos cenários mais emblemáticos do Chile, ideal para conteúdos sobre Ilha de Páscoa, Rapa Nui, moais, viagem ao Chile, sítios arqueológicos e paisagens do Pacífico Sul.

Por Gabriella Paschoal

No fim de novembro, a convite da revista UNQUIET, embarquei para Rapa Nui, nome indígena da Ilha de Páscoa, uma das ilhas habitadas mais remotas do planeta, a cerca de 3.700 km de Santiago e a aproximadamente 5h30 de voo da capital chilena.

Conjunto de moais com pukao no Parque Nacional Rapa Nui, na Ilha de Páscoa, Chile, posicionados sobre uma plataforma de pedra em meio a colinas secas e céu azul dramático, em uma das paisagens arqueológicas mais emblemáticas do Pacífico Sul; imagem ideal para conteúdos sobre Rapa Nui, Ilha de Páscoa, moais, cultura polinésia, patrimônio da Unesco, viagem ao Chile e sítios arqueológicos.
No Parque Nacional Rapa Nui, os moais seguem de pé como se ainda vigiassem o tempo | Getty

Chegar à Ilha de Páscoa já é, por si só, uma experiência. São horas de voo sobre o Pacífico, sem ver praticamente nenhum sinal de terra, apenas água, céu e a sensação de estar suspensa. Até que, de repente, surge no horizonte o relevo vulcânico da ilha, território de um dos mais emblemáticos sítios arqueológicos do Pacífico e Patrimônio Mundial da Unesco. Ela aparece abrupta, quase como um segredo revelado.

Vista panorâmica da cratera vulcânica de Rano Kau, em Rapa Nui, na Ilha de Páscoa, Chile, com lagoas internas cobertas por vegetação, encostas verdes e o oceano Pacífico ao fundo sob um céu azul intenso; imagem marcante para conteúdos sobre Rano Kau, Ilha de Páscoa, Rapa Nui, vulcão no Chile, paisagem vulcânica, patrimônio da UNESCO e viagem ao Pacífico Sul.
O Rano Kau e a vasta paisagem vulcânica que faz o horizonte parecer parte da cratera | Getty

Fui com minha amiga Paula Nazarian. A ideia da viagem, inclusive, partiu dela. Paula é dessas pessoas que se entregam completamente a cada destino, e a Ilha de Páscoa pede exatamente isso: entrega.

O que mais me marcou foi o silêncio.

Um silêncio real. Não é ausência de som, mas de ruído. A ilha parece pedir um respiro constante. Entre os moais e o mar, entre as falésias vulcânicas e os campos abertos, há uma paz contemplativa que reorganiza por dentro.

Ver os moais de perto é impactante. Grande parte dessa experiência acontece dentro do Parque Nacional Rapa Nui, onde a paisagem parece ampliar o silêncio da ilha. Mas foi em Rano Kau que senti algo mais profundo. Um dos vulcões que deram origem à Ilha de Páscoa, Rano Kau abriga uma cratera com mais de 1 km de diâmetro e um lago de água doce coberto por totora; ali também fica Orongo, sítio cerimonial central na história local. Há uma força ali que ultrapassa o racional.

A autora do texto, Gabriella Paschoal, posa ao lado de uma placa de madeira com a inscrição Maunga Terevaka, em Rapa Nui, na Ilha de Páscoa, a cerca de 3.700 km de Santiago, sob céu nublado e paisagem árida de colinas, em imagem que remete a trilha, viagem ao Chile, turismo em Rapa Nui, paisagem vulcânica e experiência de viagem no Pacífico Sul.
Gabriella Paschoal na Ilha de Páscoa | Arquivo pessoal

Pensei muito na formação do povo Rapa Nui, de origem polinésia, e na coragem de florescer em relativo isolamento oceânico. A experiência foi menos histórica e mais espiritual. Para quem pretende visitar os principais sítios arqueológicos, vale consultar com antecedência os ingressos e regras de visitação.

A Ilha de Páscoa me deixou introspectiva. Dormi profundamente todas as noites, um sono raro, restaurador. Talvez porque ali, tão distante de tudo, me senti suspensa da realidade. Como se o mundo estivesse longe demais para interferir.

Exploramos cada canto juntas. Tivemos longas conversas ao entardecer, caminhadas sem pressa e um dia especial em Ovahe, pequena enseada a leste de Anakena. Alugamos um quadriciclo e cruzamos a ilha com vento no rosto, descobrindo paisagens costeiras e vulcânicas. Foi liberdade em estado bruto.

Fachada do Nayara Hangaroa, hotel em Rapa Nui, na Ilha de Páscoa, Chile, com arquitetura de linhas circulares, telhado verde, jardins abertos e paisagismo sobre terreno vulcânico sob céu azul intenso; imagem ideal para conteúdos sobre hotel de luxo no Chile, hospedagem em Rapa Nui, Ilha de Páscoa, arquitetura integrada à natureza, viagem ao Pacífico Sul e turismo sustentável.
O Nayara Hangaroa faz a paisagem vulcânica parecer continuação da própria arquitetura | Reprodução

No meio dessa imersão, o Nayara Hangaroa foi nosso refúgio. Fui recebida com um cuidado genuíno, quase intuitivo. Com telhados verdes, volumes curvos e uma arquitetura inspirada em Orongo, o hotel se integra à paisagem vulcânica sem abrir mão da sensação de abrigo.

Interior de suíte do Nayara Hangaroa, hotel em Rapa Nui, na Ilha de Páscoa, Chile, com cama ampla, sofá de linhas orgânicas, escultura em madeira na parede e portas de vidro abertas para terraço com vista para o oceano Pacífico e jardim de pedras vulcânicas; imagem ideal para conteúdos sobre hotel de luxo na Ilha de Páscoa, hospedagem em Rapa Nui, viagem ao Chile, design orgânico, quarto com vista para o mar e turismo no Pacífico Sul.
Uma das suítes do Nayara Hangaroa: o Pacífico emoldurado | Reprodução

Era o lugar para voltar depois da intensidade dos sítios arqueológicos, para desacelerar, absorver e simplesmente estar.

Quando parti, tive a sensação de que a ilha continuaria ali, intacta, indiferente ao mundo.

E talvez seja essa a sua maior força.

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