Estive em Medellín, Colômbia, para a conferência anual da InterPride, a rede global de organizadores de paradas do orgulho LGBTQIAPN+, que pela primeira vez aconteceu na América do Sul. A cidade me surpreendeu não apenas por ser um destino emergente, mas também por ter se transformado em uma das cidades mais queer-friendly da América Latina.
Uma História de Transformação
Por muito tempo associada à violência e ao cartel de tráfico de Pablo Escobar, Medellín se reinventou e hoje é um exemplo inspirador de resiliência e inovação urbana. Abandonando sua história sombria, a cidade superou Cartagena e se tornou o segundo destino mais visitado por turistas estrangeiros na Colômbia, com uma animada cena LGBT+, excelente gastronomia e uma infraestrutura moderna.
No coração de Medellín, a Plaza Botero é um ponto turístico obrigatório. As imensas esculturas de corpos arredondados, uma característica do renomado artista colombiano Fernando Botero, estão rodeadas por museus e cafés, com destaque para o Museu de Antioquia, com seu acervo e suas exposições temporárias de artistas do país.
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A Comuna 13, que já foi um dos bairros mais violentos do mundo, é hoje a principal atração turística de Medellín. Altamente instagramável, suas paredes grafitadas contam histórias de superação e criatividade. O bairro também possui um sistema de escadas rolantes e teleféricos, que oferecem vistas panorâmicas que nos fazem pensar como as comunidades brasileiras poderiam ser diferentes. A área é repleta de artistas, bares que servem drinques criativos – alguns à base de cannabis – e restaurantes descolados.
Em 2023, a revista Time Out elegeu Laureles, outro bairro de Medellín, como o mais badalado do mundo. Sua principal atração é a La 70, uma rua repleta de bares, cafés e restaurantes.
O Coração LGBT+
Poblado é a alma da vida noturna e gastronômica e também a zona mais rica de Medellín. Com hotéis cinco estrelas, restaurantes premiados e uma infinidade de clubes e bares, o bairro oferece uma experiência vibrante e segura, com totens de vigilância nas ruas principais. Um charme adicional é o trecho de floresta tropical com um rio que desce a montanha, criando um contraste entre a natureza tropical e modernas torres residenciais.


No coração de Poblado está a Rua Provenza, listada como uma das mais cool do planeta. É o ponto central da vida noturna da cidade, com clubes e bares para todos os gostos. Destaque para o Chiquita, com seus vários ambientes, varanda aberta, arte homoerótica espalhada pelas paredes, drinques gigantes e uma pista fervidíssima. A Oráculo, a boate gay mais tradicional, combina house music, hits de Shakira e performances de drags. Já a Industry divide sua energia entre um térreo animado, com pop e “chicos calientes”, e um estranho terraço de áreas VIP. Às quintas-feiras, o esquenta é no karaokê do Donde Aquellos.
Mobilidade e inclusão em Medellín
Medellín tem um ótimo sistema de transporte público. O metrô, por meio de suas linhas de trens e teleféricos, conecta os principais pontos da cidade. Embora sempre lotado, ele é limpo, pontual e seguro, oferecendo uma maneira prática e acessível de explorar a cidade. O Uber é uma opção econômica em comparação com o Brasil, mas, como o serviço ainda não é regulamentado, é preciso se sentar no banco da frente para evitar problemas com a polícia.


A Marcha del Orgullo e o Festival Antioquia Vive Diversa, realizados por um coletivo de grupos ativistas locais no final de junho, são o ponto alto do calendário LGBT+. Em 2024, ambos reuniram cerca de 100 mil pessoas.
Não deixe de aproveitar uma atração a duas horas de Medellín: a Piedra del Peñol, um gigantesco monólito de granito no vizinho município de Guatapé. Suba os mais de 700 degraus que levam ao topo para vistas panorâmicas deslumbrantes. Depois explore o charmoso vilarejo, famoso por suas casas coloridas e uma atmosfera acolhedora.
Medellín é um símbolo de transformação, inclusão e inovação. Se a Colômbia está no seu radar, Medellín merece estar no topo da lista.
Matéria publicada na edição 18 da Revista UNQUIET.