Efervescência Coletiva em
Montreux

Uma carta de amor ao Montreux Jazz Festival 2021 - Parte 2

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Desembarquei em Zurique no dia 26 de julho, apreensivo em relação aos protocolos de segurança desses tempos. A Suíça anunciou para a data a aguardada abertura do país a todos os completamente vacinados com qualquer das vacinas disponíveis. Se não fosse a necessidade de preencher o simples formulário de entrada, diria que me senti num mundo normal, no sentido pretérito que hoje tem a palavra. Um mundo normal que estava para realizar o primeiro grande festival de música desses novos tempos. 

Passei uma semana viajando pela Riviera de Montreux, aos pés dos Alpes com vista para o icônico Lago Léman, em cidades como Vevey e Laveaux. A primeira, famosa por ser o lugar onde Chaplin viveu após ser deportado dos Estados Unidos – perseguido pelo macarthismo e acusado de ser comunista – guarda um imperdível museu dedicado ao artista. Já Laveaux revela boas surpresas no mundo dos vinhos suíços. A pequena produção local, com baixíssima exportação (somente encontrados no Japão), pode ser conferida em diminutas vinícolas onde ainda se senta para conversar durante as degustações com as famílias produtoras. Orgulhosos das recentes medalhas alcançadas pelos títulos em todo o mundo, os proprietários são como um retrato vivo da herança francesa nesta parte da Suíça.

Montreux Palace | Foto: Divulgação
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Miles Davis | Foto: Reprodução

Graças à eficiente malha ferroviária, símbolo do país, as pequenas vilas da região frequentemente recebem visitantes de cidades maiores como Lausanne, localizada a vinte minutos de trem. No verão, além da busca por um bronzeado nas inúmeras praias e beach clubs montados à beira do Lago Léman, um lugar é destino de peregrinação em julho: Montreux, sede do icônico Montreux Jazz Festival.

Originalmente dedicado ao puro jazz, o festival de Montreux foi inaugurado em 1970. Palco de performances antológicas de nomes como Miles Davis, Nina Simone, Ella Fitzgerald, Keith Jarret, para citar alguns, sofreu uma reformulação no começo dos anos 1990 e com a ajuda do produtor “toque de midas”, Quincy Jones, passou receber artistas internacionais. A ligação com o Brasil é especial. Grandes nomes da nossa música são presenças frequentes no line-up. Hoje com duração de duas semanas, o jazz continua a ter destaque, dividindo atenções com atrações de praticamente todos os gêneros musicais existentes. 

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Riviera | Foto: iStock

Há uma aura mítica de comunhão entre músicos, produtores e público durante o evento. É comum ver os artistas caminhando pela Riviera ou almoçando em um dos pequenos restaurantes à beira do lago. Seguindo uma etiqueta que parece ter sido estabelecida na fundação, as pessoas dificilmente pedem uma selfie. A maioria aproveita a ocasião para conhecer os artistas pessoalmente. 

“Sem música, a vida seria um erro”

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Scene du Lac | Foto: Divulgação
Lou Reed | Foto: Reprodução

No lendário Jazz Café, após o final dos shows, não é raro acontecerem afters com artistas em performances intimistas, fora do programa oficial. Quando comentei com um garçom que era fã de Lou Reed, soube que estava sentado na mesa em que ele passou algumas noites, bebendo scotch e curtindo a noite, vivendo a antítese da persona antipática sustentada por ele ao longo da vida. 

Este ano, o festival teve um line up repleto de artistas europeus e americanos. Apenas músicos britânicos tiveram suas apresentações canceladas. Na coletiva de imprensa, Mathieu Jaton falou emocionado sobre o retorno do Montreux Jazz no momento em que a Suíça sai na frente de todos os países da Europa rumo à abertura para o mundo. Um eficiente protocolo de segurança, para verificar as vacinas ou os testes rápidos, realizados pelo próprio festival, foi implementado para garantir a segurança dos frequentadores. Os ingressos, claro, esgotados, foram disputados em uma bolsa de valores informal entre os concierges dos melhores hotéis. 

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Nina Simone | Foto: Reprodução

Um palco montado ao ar livre, em cima do Lago Léman, deu ares democráticos ao Montreux Jazz em tempos de pandemia. Mesmo quem não estava na plateia conseguia curtir os shows de nomes como Woodkid, Zuchero, Brandao Faber Hunger, Sam Fischer, Altin Gün dentre outros, no Scene du Lac. Como os lugares eram limitados, grandes nomes se apresentaram em mais de um horário. Unanimidade entre o público, o cenário deve ser repetido nas próximas edições. 

Apresentações intimistas, bem ao estilo do festival, aconteceram no Petit Thèâtre, em uma das salas do palaciano Hotel Fairmont Le Montreux Palace. Foi lá que Gaidaa, Crystal Murray, Benny Sings, Robert Ford & Bill Evans etc. fizeram shows intimistas para um público que imediatamente lotava o Jam Sessions, um palco com instrumentos disponíveis para bandas improvisadas por músicos e anônimos. 

Petit Theatre | Foto: Divulgação
Poster Montreux Jazz por Keith Haring, 1983
Foto: Divulgação
Estatua da Ella Fitzgerald | Foto: Reprodução

Os sedentos por uma pista de dança podiam se divertir, que fique claro, até duas da manhã, ao som de DJs no Les Jardins, outra estrutura montada ao ar livre. Entre os shows dos palcos principais, bandas, principalmente suíças, como a Black Sea Dahu, formada só por garotas de Zurique, apresentavam shows gratuitos na área.

Ficou clara a necessidade de reservar ao menos quatro dias de shows para aproveitar a infraestrutura do evento. Lounges animados ao som do jazz ao rock, caviar e champagne bar e uma estrutura pop up de gin, dedicado ao mundo dos vinis, com uma impressionante coleção de mais de cinco mil títulos convidando qualquer um a se tornar DJ, disputam o tempo do público entre um show e outro. Mas é no Jazz Café, aquele onde Lou Reed e tantos outros se sentaram para curtir a vibe de um festival sem divisão entre público e artista, a pedida para terminar a noite. 

Scene du lac | Foto: Divulgação

Com datas e atrações a serem anunciadas no outono europeu, o Montreux Jazz Festival é altamente recomendado a quem busca viver uma experiência de sintonia perfeita entre a música e seus artistas, sem as efemeridades tão presentes no mundo do entretenimento atual. Programe-se!

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Montreux Palace | Foto: Creative Commons

Parte 1
Parte 3

Agradecimentos:

Switzerland Tourism Board Brazil,
Switzerland Consulate Brazil,
Fairmont Montreux Palace,
Montreux Riviera,
Montreux Jazz Festival,
Fabien Clerc,
Fernanda Maldonado,
Natália Leal e
Corinna Sagesser

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Scene du Lac | Foto: Divulgação

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