Afropunk Bahia 

Ancestralidade e futuro no maior festival de cultura negra do mundo

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Qual outra cidade do Brasil ecoa tão forte nossa herança africana como Salvador? Da musicalidade às expressões religiosas, a cidade preserva uma negritude só dela. E, por essa razão, não poderia existir lugar melhor no país para receber o Afropunk Bahia, a edição latino-americana do maior festival de cultura negra do mundo. 

O Afropunk tem origem no documentário Afro-Punk (2003), produzido por Matthew Morgan e dirigido por James Spooner, que mostra a vivência de jovens afro-americanos na cena punk e hardcore, predominantemente branca, dos Estados Unidos. O filme criou uma comunidade negra alternativa, e o evento nasceu em 2005, no Brooklyn, Nova York. A partir daí, ele ganhou edições em Atlanta, Paris, Londres e Joanesburgo.Por meio da música, da arte e da moda, o encontro combina o resgate da ancestralidade e a celebração das diásporas africanas num “aquilombamento moderno. Trata-se de um evento negro de ponta a ponta (do line-up à produção), que movimenta afroempreendimentos locais.

Musicalmente, o Afropunk abarca vários gêneros. O punk se deve à sua atitude contra todo tipo de preconceito. Prova disso são os banners espalhados pelo local, com as frases “sem sexismo, sem racismo, sem capacitismo, sem etarismo, sem homofobia, sem transfobia, sem gordofobia, sem ódio”. 

Banda Didá participou do show de Margareth Menezes
Foto: divulgação
manifesno Afropunk Bahia
Manifesto do Afropunk contra todos os tipos de preconceito | Foto: divulgação

No Afropunk, todos são bem-vindos. Mas há uma subversão da lógica de outros festivais, pois esse dá protagonismo às pessoas pretas. Para nós, isso significa um ambiente seguro: exaltamos nossa identidade sem nos preocuparmos com o racismo. Essa característica se traduz especialmente na moda. Os moicanos punk cedem seu lugar a crespos volumosos livres, tranças de todos os estilos e turbantes. Coloridos, com tecidos tradicionais africanos ou estética afrofuturista, os looks exibem a diversidade do povo preto, que lá se expressa livremente.

Em 2020, a pandemia da covid-19 adiou a estreia do Afropunk em Salvador. Com o arrefecimento do coronavírus, a primeira edição ocorreu em 2021, num formato híbrido e reduzido para 3 mil pessoas, no Centro de Convenções, e atiçou o desejo de quem o assistiu pela internet. O Afropunk Bahia finalmente chegou com a sua máxima potência em novembro de 2022.

Margareth Menezes no palco do Afropunk Bahi
Margareth Menezes foi um dos destaques na primeira noite do Afropunk Bahia | Foto: divulgação

Vozes Potentes 

A segunda edição do Afropunk Bahia aconteceu no Parque de Exposições, no bairro de Itapuã, onde dois palcos, instalados lado a lado, garantiram a boa visibilidade de todos os pontos da arena. O Lounge, a área, ocupava metade do palco principal e oferecia mais conforto, com área de descanso e serviços ampliados. A acessibilidade também foi uma preocupação do evento, que contou com uma equipe dedicada e estrutura para pessoas PCD.

Várias experiências foram criadas para enaltecer o público. Um Black Carpet estava à espera, logo na entrada, para que os afropunkers desfilassem com seus looks. Outros espaços realizavam maquiagem, pintura étnica e amarração de turbantes. Área gastronômica, lojas de roupas e outros serviços completaram o festival. 

Emicida apresentou repertório de ‘AmarElo’ e emocionou o público | Foto: @_rafaelphoto

Durante dois dias, o público assistiu a um line-up azeitado, com mais de 20 artistas na programação, que adentrava a madrugada. O palco Agô, palavra do iorubá que significa “licença”, serviu de plataforma para novos talentos, promovendo a diversidade da música preta brasileira. Na estrutura, inspirada em elementos gráficos de pinturas tradicionais do continente africano, ecoaram versos afiados de rappers como Nic Dias, N.I.N.A e Young Piva e o pagodão baiano da DJ Paulilo Paredão, que dá visibilidade à cena LGBTQIAPN+ de Salvador. 

Palavra do idioma quimbundo, Gira traduz o encontro de gerações. Essa era a essência do palco principal do Afropunk Bahia, que também reverenciou artistas aclamados de diferentes gêneros. Os mineiros da banda de heavy metal Black Pantera abriram os trabalhos, para então dar lugar ao axé de Margareth Menezes, com uma linda participação da Banda Didá. O samba reinou no encontro marcante de Mart’nália, Larissa Luz e Nelson Rufino. 

Pelo Gira passaram outros shows memoráveis. Enquanto o rapper paulistano Emicida emocionou o público ao apresentar o repertório de AmarElo, Baco Exu Blues, que estava em casa, causou frisson do início ao fim, com direito a uma homenagem à cantora Gal Costa, falecida naquele mês, e a uma roda punk, tirando toda a plateia do chão. 

Público desfila looks e sorrisos exaltando a cultura afro | Foto: divulgação

Após se tornar a primeira mulher trans a conquistar um Grammy Latino, a cantora Liniker subiu ao palco numa performance poderosa ao lado de sua banda. Já Ludmilla conseguiu fazer o público dançar mesmo debaixo de uma chuva incessante, elencando hits de toda a sua carreira – desde as batidas irresistíveis do funk carioca até o pagode do álbum Numanice, que também lhe rendeu um Grammy Latino. 

O Afropunk Bahia ainda contou com duas atrações internacionais: o afrobeat do duo de irmãos colombianos Dawer x Damper e o jamaicano-americano Masego, cantor de R&B e saxofonista, que pela primeira vez se apresentou no país com show e banda completos. 

Pelo senso de comunidade e pertencimento criados ali, o Afropunk Bahia potencializou a emoção de assistir artistas incríveis que dialogam com a minha existência. Ao passo que grandes festivais nacionais subestimam a força de artistas negros – e até mesmo a música baiana para além do Carnaval –, a chegada do Afropunk ao Brasil aponta para novos caminhos, atestando a importância de eventos mais diversos, inclusivos e fora do eixo Rio-São Paulo.

Felizmente, a terceira edição do Afropunk Bahia já tem data confirmada: 18 e 19 de novembro de 2023.

Matéria publicada na edição 10 da Revista UNQUIET.

Afropunk Bahi
Afropunk celebrou seu público com um black carpet | Foto: @cleomarioalves – Equipe Sércio

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