Poucos destinos têm imagens tão bem associadas ao inconsciente coletivo quanto a Suíça. Paisagens alpinas. Vaquinhas pastando com sinos pendurados no pescoço. Chocolates. Relógios. Fondue. Esqui. Neve. O frio. A verdade é que a paisagem propicia o estereótipo de destino de inverno, com muitos resorts de esqui amplamente popularizados entre os viajantes do mundo inteiro. Eu mesma, confesso, só tinha visitado o país como um destino “de frio”, nas diversas vezes em que o fiz.
Qual não foi minha surpresa ao descobrir na Suíça um lugar que, ao contrário de tantos outros, acumula predicados no verão sem abrir mão de nenhuma vantagem do inverno. Explico: no verão a paisagem segue perfeita, com picos de neve dominando o horizonte a cada novo panorama. O clima é gentil, sem temperaturas extremas, sempre propício para atividades ao ar livre a qualquer hora. Os lugares se mantêm com uma densidade equilibrada, com espaço para todos e raríssimas filas. O timing continua perfeito, com os horários preservados para atividades e transportes. E as possibilidades são incontáveis, especialmente para quem se propõe a vivenciar o potencial natural dos alpes no calor.
Sua majestade, o Matterhorn
Quando o trem deixou a estação de Genebra, setembro anunciava o final de uma temporada ensolarada e alegre, com os termômetros já marcando temperaturas mais amenas, mas ainda agradáveis o suficiente para se declarar o equinócio do outono. Depois de uma troca rápida e ágil na estação de Visp, embarquei no Matterhorn Gotthard Bahn, rumo a Zermatt, e, à medida que o trem subia por uma ferrovia sinuosa e cênica, observei uma paisagem inacreditavelmente perfeita se descortinando pelas janelas: a figura imponente do majestoso Matterhorn dominava o cenário, com sua face rochosa, em formato piramidal, recortada com nitidez, em destaque contra o céu límpido e de um azul intenso, e seus picos ainda (e sempre) marcados pela neve branca e farta. No mesmo panorama, prados verdejantes se estendiam, ora pontuados por flores silvestres, ora por trilhas bem desenhadas ou rebanhos de vacas e ovelhas.
Benefícios Exclusivos UNQUIET: Crans Ambassador, Crans-Montana e Mont Cervin Palace, Zermatt, Suiça
Saiba mais













Crans Ambassador
Benefício: Cocktail de Boas Vindas particular oferecido no terraço do hotel
_______________________________________________
Mont Cervin Palace
Benefício: Amenity Especial Surpresa desenvolvido para a temporada de verão
_______________________________________________
- Use o código: UNQUIET
- Validade: Março de 2027


O impacto da chegada a Zermatt, cuja anfitriã é justamente a montanha mais emblemática do país, é um acontecimento. Alia-se a isso o fato de Zermatt manter o clima e a cor de um vilarejo tipicamente alpino do cantão do Valais, com algumas construções preservadas dos séculos XVI e XVIII na área conhecida como Old Village. Também não é permitida a entrada de veículos comuns. Apenas carros elétricos, a maior parte de serviços, circulam pelo pequeno centrinho, cujo ritmo é tão descontraído quanto eclético. Se no inverno o lugar se torna o epicentro de esquiadores, no verão Zermatt é bem mais democrática nos esportes. São centenas de trilhas sinalizadas para a prática de mountain bike (mais de 100 km de trilhas), hiking, trekking (300 km), cavalgadas e pescaria, entre outras modalidades, que atraem atletas de todos os níveis, idades e nacionalidades. Para os afeitos à adrenalina, o terreno permite atividades como paragliding, parapente, rapel e tours de helicóptero, com pontos extraordinários, tanto geográfica quanto visualmente, para os saltos.
A melhor maneira de começar a explorar a região e se orientar sem medo de ser feliz é baixar o aplicativo Matterhorn, em que há mapas e informações sobre reservas, eventos, clima e outras possibilidades de experiências na cidade.
Tudo tem a cara do lugar, a começar pela hospedagem. Dentre a farta seleção de hotéis que se estendem ao longo da Bahnhofstrasse, a principal rua de Zermatt, o Mont Cervin Palace é um dos clássicos mais notáveis e elegantes. Aberto em 1852, ele preserva o estilo alpino clássico, com muita madeira na decoração, e tem quartos com varandas voltados para o Matterhorn e restaurantes que elevam o hotel a polo gastronômico, a exemplo dos restaurantes Grill, onde os destaques são as carnes de altíssima qualidade, e do estrelado Ristoranti Capri, que traz os sabores mediterrâneos aos alpes.

Mar de montanhas
Minha aventura propriamente dita começou depois de uma noite de conforto e aconchego no hotel. Logo cedo, segui para a Estação Gornergrat Bahn, que também fica na via principal, e embarquei no trem da histórica ferrovia de cremalheira, que conduz até o topo do Gornergrat, num trajeto de aproximadamente 30 minutos, com vistas que enchem os olhos a todo momento. O fim da linha, a 3.100 m de altitude, é outro deleite, com cenários espetaculares – a partir de uma plataforma, observam-se as geleiras do maciço do Monte Rosa e do Matterhorn. Mesmo no verão, as temperaturas no topo são gélidas: é preciso lançar mão de um bom casaco para percorrer a plataforma, que conta ainda com uma série de experiências, incluindo o Zoooom the Matterhorn, que permite uma “expedição multimídia” pela lendária montanha. Há também restaurantes cênicos para quem quiser aproveitar mais a vista, como o Glacier Alpine Kitchen e o Sky Lounge, além das lojinhas de suvenires. Depois de percorrer a plataforma e cair de amores pela vista dos picos, escolhi tomar o trem de volta até uma das estações intermediárias. Desci em Riffealp, a 2.111 m, e ingressei pela Nature Trail, uma trilha de cerca de duas horas através da floresta de pinheiros, com paisagens cênicas a todo momento, até retornar ao vilarejo. Um momento de conexão com a natureza e de exercício moderado num dos lugares mais belos da Europa.
De volta ao centro de Zermatt, é fácil perceber que a influência germânica prevalece tanto na língua quanto nos traços culturais e na arquitetura, predominantemente herdada da cultura Walser, com chalés de madeira escura, alegres floreiras coloridas nas fachadas e celeiros elevados sobre pilares de pedras. Embora cosmopolita, Zermatt tem o ritmo regido pela eficiência, previsibilidade, polidez, funcionalidade e respeito irrestrito à natureza.


De volta ao Cervin Palace, o Spa Nescens é uma grata recompensa depois de um dia de caminhadas. Além de uma carta de tratamentos que inclui massagens de recuperação esportiva – muito popular entre os esquiadores no inverno –, ele conta com uma estrutura com piscina indoor aquecida e jacuzzis terapêuticas emolduradas em janelas cênicas, que conectam o ambiente à natureza.
Acordei revigorada e, depois de fazer check in no descolado Schweizerhof Hotel – que, assim como o Mont Cervin, é parte da coleção hoteleira irretocável do portfólio da grife Michel Reybier Hospitality e fica na mesma calçada, a apenas a alguns passos de distância –, segui para o momento mais esperado pelos visitantes de Zermatt: a subida ao Matterhorn Glacier Paradise, cuja estação inicial fica no vale, a uma curta e agradável caminhada a partir do centro.
No topo do mundo
Intensa e inesquecível, a experiência impressiona tanto pela altitude extrema (3.883 m) quanto pela combinação de paisagem glacial, engenharia alpina e a sensação de estar, literalmente, no topo da Europa, já que o Glacier Paradise é a estação de teleférico mais alta do continente.
A jornada tem início na base, em Zermatt, e leva de 45 a 50 minutos, combinando gôndolas modernas, que sobem gradualmente por Furi, Trockener Steg e, por fim, Klein Matterhorn, onde está o Glacier Paradise. Difícil descrever o impacto que cada trecho da subida causa, já que a paisagem vai se tornando mais dramática e impressionante à medida que o Matterhorn surge em novos ângulos, o ar fica mais rarefeito e gelado e o silêncio preenche tudo. O grande momento visual é na subida à plataforma de observação, com uma vista de 360º sobre três países (Suíça, Itália e França) e também sobre 38 picos, 14 geleiras e as lendárias montanhas Mont Blanc, Eiger, Jungfrau e Breithorn, a partir de impressionantes 3.883 m de altitude.
Não deixe de explorar o Glacier Palace, 15 m abaixo da superfície do glaciar, onde é possível caminhar por túneis esculpidos no gelo milenar. No mesmo lugar há ainda um “cinema”, onde passam filmes sobre alpinismo e a história da região, e um restaurante. Mesmo no verão, a depender da qualidade da neve, é possível esquiar: na Geleira Theodul, acessível também pelo teleférico Glacier Paradise, há cerca de 20 km de pistas para esqui e snowboard em qualquer época do ano. Um sonho para os esquiadores!
A volta se dá com o mesmo assombro pela beleza natural, mas a adrenalina vai caindo, à medida que a gôndola perde altitude e o corpo, de novo, se acostuma ao estado natural de Zermatt. Ainda no vilarejo, o Matterhorn Museum – Zermatlantis é um museu subterrâneo, que conta, de forma impressionante, a história da montanha e sua importância natural e histórica.
Meu último dia em Zermatt foi marcado pela profunda sensação que, na psicologia, é chamada de awe (ou assombro reverente): a percepção de algo tão grande a ponto de reorganizar a nossa noção de escala, importância e controle. O Matterhorn, de alguma forma, me transformou. Passei a última noite embalada pela beleza e pela hospitalidade irrepreensível do Schweizerhof Hotel, mais uma inesquecível experiência no spa do hotel e jantar no espetacular restaurante Kitchen, um de seus restaurantes, onde glamour e savoir-vivre encontram o melhor da gastronomia epicurista por meio de ingredientes frescos e finalizações perfeitas.


Em busca do vale encantado
Sempre impressionada pela impecável pontualidade e pela funcionalidade quase inacreditável dos serviços suíços, segui para o meu próximo destino. De Zermatt, embarquei de volta para Visp, onde troquei de trem em direção a Sierre/Siders. Ao descer na estação, uma curta caminhada me levou ao funicular que faz a subida até Crans Montana, em outro curto e agradável trajeto.
Não precisei de muito tempo para perceber que acabara de adentrar em uma espécie de “pequeno reino encantado”, dessa vez com sotaque francês. Estendendo-se do Vale do Ródano à Geleira Plaine-Morte, a 3.000 m de altitude, Crans-Montana parece de mentira. Point badalado de esqui no inverno, no verão ele ganha tons alegres, com uma luminosidade quase mágica, e evoca a paz e a perfeição, oferecendo formas e vistas perfeitas para uma cadeia de picos que se estende do Bietschhorn ao Mont Blanc, passando pelo Matterhorn.
Lagos, florestas, geleiras, vinhedos, trilhas, cachoeiras e um favorável clima de alegria incitam, imediatamente, o visitante a explorar seu potencial natural. Meu primeiro contato com a cidade se deu pelas varandas panorâmicas do espetacular Crans Ambassador Hotel, também membro da seleta coleção de Michel Reybier.
Um destino essencialmente familiar, Crans Montana é formada pela união de duas vilas, Crans e Montana, que combinadas agregam um mix interessante de autenticidade alpina e um toque cosmopolita.

Escolha frequente de aficionados por esqui pela localização ski in/out e pela proximidade com as gôndolas, o Crans Ambassador é também um resort perfeito para curtir os dias de verão. A estética de chalé contemporâneo lança mão de materiais naturais, grandes superfícies envidraçadas e linhas modernas, que criam uma atmosfera elegante e luminosa. Os 56 quartos e suítes têm terraços voltados para os Alpes, sendo um convite frequente à imersão na natureza.
Dediquei meu primeiro dia a conhecer as instalações e me deleitar com a sofisticação do hotel, que, além de tudo, tem um spa criado para ser um verdadeiro santuário de recuperação física e mental – ali fiz uma massagem relaxante maravilhosa – e restaurantes gastronômicos, com destaque para o La Muña, de cozinha nikkei (técnicas japonesas e ingredientes peruanos) impecável e, de novo, com vistas de tirar o fôlego.
No dia seguinte, com o sol brilhando alto no céu azul, encontrei meu guia e companheiro de passeio para explorar a cidade a bordo de uma e-bike. Sem pressa e com tempo para apreciar cada novo spot, percorremos a atmosfera tranquila e residencial de Montana, com seus lagos, praças e famílias em ritmo de férias, e desbravamos as ruas elegantes, feitas de lojas, cafés e restaurantes de Crans. Também ali está o campo de golfe Crans-sur-Sierre, que, além de excelente, com três campos de 18 buracos, é constantemente listado entre os mais belos do mundo, com vista para o Vale do Ródano, tendo o Mont Blanc e o Matterhorn como panorama a cada tacada.
Depois de passar pelo campo de golfe, seguimos para o passeio propriamente dito, pelo espetacular Tièche Valley, um caminho sinuoso e perfeito também para a prática de mountain bike, brindado a todo tempo com vales frondosos e vista dos alpes, de pequenas casinhas e de vaquinhas pastando. Terminamos o tour à mesa do restaurante Mayen de la Cure, que serve uma cozinha alpina tradicional, um luxo para a alma e para o paladar, e de onde é possível apreciar o céu sendo colorido por paragliders, um esporte cheio de points perfeitos para salto no resort.
Os dois dias que se seguiram em Crans-Montana intercalaram programas outdoor, como caminhadas e stand-up paddle nas águas calmas e aprazíveis do Lago Moubra, com surpresas enogastronômicas para descobrir os vinhos do Valais. São surpreendentes os rótulos provenientes de vinícolas da região, com destaque para as uvas Petite Arvine e Cornali, entre as 58 variedades produzidas no vale e apresentadas de forma simpática no lindo Di-Vino L’Enothèque de Crans.
Ao me despedir do verão suíço, levei comigo a sensação reconfortante de ter, de fato, conhecido um novo país, mesmo tendo estado nele tantas vezes. Sob o sol e o calor, a Suíça tem outras cores, outros sabores, outras propostas, mas sempre os mesmos bons valores e costumes. Um lugar para voltar a qualquer hora!
Clique aqui para ler a matéria na edição 22 da Revista UNQUIET.

Crans Montana
Sustentabilidade ambiental
- Programa alinhado ao Swisstainable: o hotel participa do programa nacional de turismo sustentável da Suíça, com certificação Level II – Committed.
- Redução do consumo de água e energia: troca de lençóis e toalhas apenas quando solicitado pelos hóspedes, diminuindo uso de água, energia e produtos químicos.
- Eficiência energética: substituição de cerca de 98% das lâmpadas por tecnologia LED e uso de sensores de movimento em áreas internas.
- Uso reduzido de produtos químicos na limpeza e manutenção das instalações.
- Reciclagem sistemática de diversos materiais, incluindo papel, vidro, plástico, PET, alumínio, baterias e equipamentos elétricos.
- Redução gradual de plásticos e incentivo ao uso de embalagens mais sustentáveis.
Alimentação sustentável
- Compra de produtos regionais e nacionais, considerando origem, transporte e embalagens para reduzir impacto ambiental.
- Ampliação do menu vegetariano e vegano, oferecendo alternativas com menor pegada ambiental.
- Redução do desperdício alimentar com produção sob demanda no buffet e preparo de pratos quentes apenas quando solicitados.
- Reaproveitamento de resíduos orgânicos, transformados em biogás ou compostagem.
Mobilidade sustentável
- Incentivo ao uso de transporte público para chegar ao hotel.
- Disponibilização de estações de carregamento para veículos elétricos.
Impacto social e responsabilidade comunitária
- Parceria com a ONG SapoCycle, que recicla sabonetes usados em hotéis. Os produtos são reprocessados por pessoas com deficiência e distribuídos para melhorar condições de higiene em comunidades vulneráveis.
- Campanhas solidárias e arrecadações para comunidades locais afetadas por desastres naturais ou mudanças climáticas.
- Formação e desenvolvimento profissional, com apoio a aprendizes e jovens profissionais da hotelaria.
Cultura organizacional sustentável
- Criação de uma equipe interna chamada “Green Ambassadors”, responsável por conscientizar colaboradores sobre práticas ambientais e redução de consumo de recursos.
- Redução do uso de papel e digitalização de processos administrativos, diminuindo impacto ambiental.
https://www.cransambassador.ch/en/sustainability-program/
_______________________________________________
Mont Cervin Palace
Sustentabilidade ambiental
- Uso de energia renovável: o hotel utiliza eletricidade proveniente majoritariamente de fontes renováveis, especialmente energia hidrelétrica suíça.
- Sistema de aquecimento eficiente que aproveita tecnologias modernas para reduzir consumo energético.
- Redução do consumo de água, com equipamentos eficientes e programas de reutilização de toalhas e roupas de cama.
- Gestão e separação de resíduos, com reciclagem de vidro, papel, plástico, metal e resíduos orgânicos.
- Redução de plásticos descartáveis nas operações do hotel e incentivo a alternativas reutilizáveis.
Proteção do ambiente alpino
- Compromisso com a preservação do ecossistema alpino da região de Zermatt.
- Incentivo a atividades turísticas responsáveis na região do Matterhorn, reduzindo impactos ambientais.
- Parcerias e alinhamento com iniciativas locais de sustentabilidade da comunidade de Zermatt.
Gastronomia sustentável
- Prioridade para fornecedores regionais, especialmente produtores suíços e do cantão de Valais.
- Uso de ingredientes sazonais e locais nos restaurantes do hotel.
- Ações para reduzir desperdício de alimentos nas cozinhas e buffets.
Impacto social e comunidade
- Emprego de profissionais locais, contribuindo para a economia da região.
- Apoio à formação profissional em hotelaria, incluindo programas de treinamento e aprendizagem.
- Participação em iniciativas comunitárias e culturais em Zermatt.
Mobilidade sustentável
- O hotel opera em Zermatt, uma vila sem carros, onde a mobilidade é feita por trem elétrico, veículos elétricos e transporte sustentável.
- Incentivo ao uso de transporte público ferroviário para acesso ao destino










































































































































































