Gosto de me definir como uma pintora que viaja a cavalo. É dessa forma, com o meu olhar de artista, que escolho sentir e vivenciar as cavalgadas que faço pelo mundo. Trata-se de uma paixão de infância. Monto desde que me entendo por gente, e é sobre a sela de um cavalo que me sinto mais livre, plena e verdadeiramente conectada à natureza.
Dessa vez, minha aventura teve como cenário um dos lugares mais belos da América do Sul: uma cavalgada pela Patagônia argentina. A viagem começou em Bariloche, onde encontrei um grupo formado por oito pessoas, de diferentes partes do mundo, unidas pelo desejo de explorar destinos remotos a cavalo. Após as apresentações e uma breve incursão pela região, seguimos rumo ao sul pela lendária Ruta 40, sempre acompanhados pela presença majestosa da Cordilheira dos Andes. Três veículos de apoio da operadora Viajaracavalo, com quem cavalgo há anos, nos acompanharam até o Vale do Rio Chubut, próximo à região conhecida como Alto Chubut.





Viajar a Cavalo
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Vida Patagônica
À medida que avançávamos, a paisagem se transformava. Árida, isolada e selvagem, essa porção pré-andina da Patagônia parecia feita para ser percorrida a cavalo. Jacira Omena, fundadora da Viajaracavalo, mantém há anos uma parceria com moradores locais, ovelheiros que preservam um modo de vida cada vez mais raro. Eles vivem cercados por cavalos soltos, ovelhas, cervos e oito border collies. Logo na chegada, fui recebida por uma pequena cerva órfã, de cerca de 5 meses, resgatada ainda filhote e adotada pela família. Dócil e afetuosa, ela transitava pela propriedade como se sempre tivesse pertencido ao lugar.
A família que nos acolheu no vale para essa cavalgada na Patagônia argentina vive sem energia elétrica e sem internet, em um cotidiano simples e profundamente conectado ao território. Mais do que anfitriões generosos, todos são guardiões de saberes ancestrais ligados ao povo Mapuche. A proprietária da estância é reconhecida na região como uma espécie de xamã, e a convivência com seus descendentes acrescentou uma dimensão cultural preciosa à viagem. Ali as tradições mapuches e gaúchas coexistem, em um mosaico vivo de histórias, crenças e modos de vida.

Nossa chegada foi celebrada com um jantar farto à mesa da família, preparado com ingredientes locais, seguido por uma noite estrelada impossível de esquecer. Depois da refeição, seguimos para nossas acomodações. O conceito de glamping ganhava ali uma interpretação charmosa: o pernoite acontecia em tendas do tipo yurt, inspiradas em habitações tradicionais dos povos nômades da Ásia Central. Adaptadas ao ambiente patagônico, elas contavam com teto translúcido para a observação do céu, lareira, edredons de plumas e uma decoração artesanal sofisticada. Rústicas sem abrir mão do conforto, proporcionavam a sensação de se habitar temporariamente outra época. Começava ali uma jornada de cinco dias de cavalgadas inesquecíveis.
Árida, isolada e selvagem, essa região pré-andina da Patagonia é perfeita para ser desbravada a cavalo
Beleza Selvagem
A manhã seguinte começou com os aromas da cozinha: pão recém-assado, mate argentino e uma hospitalidade calorosa. Por volta das 10 horas, montamos. Os cavalos, em sua maioria crioulos com cruzamentos selecionados, mostraram-se seguros, resistentes e adaptados ao terreno, perfeitos para a experiência da cavalgada na região.
No primeiro dia, percorremos o curso do Rio Chubut por cerca de quatro horas. O isolamento era absoluto. Apenas o som da água acompanhava nosso avanço até um pequeno povoado habitado por descendentes de mapuches. O encontro proporcionou uma rara aproximação com os costumes e o cotidiano da região.
Durante toda a expedição, contamos com o apoio da equipe local e de dois gaúchos, responsáveis pela logística, pelos lanches e pelas refeições. Os cães da estância também nos acompanhavam, acrescentando ainda mais personalidade à experiência.
Após mais uma noite aconchegante nas yurts, iniciamos a subida das montanhas. O percurso exigia mais dos cavaleiros, com trechos íngremes e terrenos acidentados. À medida que ganhávamos altitude, a vegetação se modificava e as vistas se tornavam cada vez mais amplas. Acima dos 1.600 m, a paisagem revelava lagoas cristalinas, outros vales profundos e uma sensação de liberdade difícil de traduzir em palavras.


Almoçamos à beira de uma dessas lagoas, com tempo para explorar o entorno. A cavalo, alcançávamos lugares inacessíveis por estrada, percorrendo trilhas preservadas em meio a uma natureza quase intocada.
Os dias seguintes transcorreram neste ritmo: cerca de seis horas diárias de montaria, sempre intercaladas por paradas que recompensavam qualquer esforço. Um dos momentos mais marcantes aconteceu durante a visita a um rancho de ovelhas no Vale de La Horqueta, um momento especial durante essa cavalgada pela Patagônia argentina. Chegamos a um lugar coberto de neve e nos deparamos com uma cena onírica: cavalos selvagens corriam livres pela paisagem, enquanto o silêncio dominava tudo ao redor. Como se não bastasse, fomos surpreendidos por um autêntico assado argentino, preparado entre pedras e montanhas. A neve caía suavemente enquanto compartilhávamos a refeição.

Condores Curiosos
O retorno reservou outro momento inesquecível. Em vez de seguir pelo curso do rio, nosso guia escolheu um caminho pelas montanhas. A confiança nos cavalos precisava ser absoluta, pois íamos por caminhos estreitos, contornando desfiladeiros impressionantes.
Foi quando surgiram os condores. Pareciam intrigados com a nossa presença. Aos poucos, começaram a voar cada vez mais baixo, quase à altura de nossa cabeça. Um deles passou logo acima de mim. A envergadura monumental das asas, o colar branco ao redor do pescoço e a elegância do voo criaram uma imagem que jamais esquecerei.
Naquele instante, tive a sensação de compreender algo essencial. Conviver durante dias com os animais, conquistar sua confiança e observá-los vivendo em plena liberdade mudou a minha percepção sobre a relação entre os seres humanos e a natureza. Voltei para casa diferente: mais consciente, mais conectada e mais humilde diante da vida selvagem. Porque, no fim das contas, somos nós que dependemos deles ‒ e não o contrário.
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Viajar a Cavalo
Ações ambientais
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Bem-estar animal – utilização de cavalos treinados, acompanhamento veterinário, manejo responsável e respeito ao tempo de descanso dos animais.
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Turismo de baixo impacto – roteiros em trilhas naturais com grupos reduzidos para minimizar impactos ambientais.
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Conservação dos destinos – incentivo ao uso de trilhas existentes e respeito aos ecossistemas visitados (Mantiqueira, Pantanal, Chapada Diamantina, Patagônia, Alagoas, entre outros).
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Educação ambiental – orientação aos participantes sobre preservação da fauna, flora e recursos naturais durante as expedições.
Ações sociais
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Valorização das comunidades locais – parceria com pousadas, fazendas, guias, cozinheiras, tropeiros e fornecedores de cada região visitada.
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Geração de renda local – desenvolvimento de roteiros próprios em parceria com empreendedores locais, fortalecendo a economia regional.
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Preservação da cultura regional – experiências ligadas às tradições dos vaqueiros, tropeiros, gaúchos, sertanejos e comunidades rurais.
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Turismo inclusivo para iniciantes e experientes – roteiros adaptados para diferentes níveis de cavaleiros, promovendo acesso seguro ao turismo equestre.

























































































































































































