Britta & Kent Lindvall

Os idealizadores do Treehotel, na Lapônia sueca, falam sobre o sonho de desenvolver uma capital do turismo sustentável

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Benefícios Exclusivos UNQUIET: Lapônia sueca, The Treehotel

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The Treehotel

  • Experiência com o ancestral povo Sami (varia de acordo com a sazonalidade) exclusiva para leitores UNQUIET.

Código da oferta: Unquiet Special Offer

Validade: Março de 2023

O casal Britta e Kent Lindvall não imaginava o impacto que seu Treehotel causaria na pequena Harads, um dos segredos mais bem guardados da Lapônia sueca. O vilarejo de cerca de 600 habitantes teve a rotina alterada com a chegada de viajantes de todas as partes do mundo, atraídos pelas cabanas construídas nas árvores seculares de uma floresta da região – todas assinadas por grandes nomes da arquitetura escandinava. 

Sem nenhuma experiência na área da hospitalidade ou do design, a enfermeira Britta e o professor de ensino médio Kent, moradores da pequena Harads desde o nascimento, criaram um hotel que figura constantemente nas listas de lugares mais incomuns – e queridos – do planeta [veja aqui a reportagem sobre o Treehotel]. Doze anos após a inauguração, o lugar inspira empreendimentos originais na Lapônia, fundamentando os pilares de um sonho de seus fundadores: transformar o destino em uma capital do turismo sustentável.

Nós conversamos com o casal, que se prepara para inaugurar o primeiro quarto assinado por um arquiteto dinamarquês e não descarta o projeto de um profissional brasileiro futuramente. “Espero que a UNQUIET possa nos indicar algum bom”, brinca Britta. Confira a seguir.

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Britta e Kent Lindvall em trenó de cães
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Artic Bath

Vocês nunca haviam trabalhado com hospitalidade e mesmo assim criaram uma experiência ímpar na arte de receber. A hospitalidade é algo que se pode aprender?

Britta – Para nós, a regra é simples: sermos nós mesmos e enxergarmos os hóspedes como convidados na nossa casa. Depois de alguns anos nos dedicando ao hotel, conhecendo pessoas do mundo todo, observando e identificando seus desejos e expectativas, considero que a hospitalidade pode ser aprendida, desde que na prática. Também acho que hoje nem todos podem trabalhar nesse setor.
Kent – Até hoje estou aprendendo [risos].

A saga de vocês rumo à construção do hotel é inspiradora, com um convite feito a três arquitetos às margens do Volga, na Rússia, para desenvolver casas nas árvores, em projetos independentes. Vocês tinham certeza de que eles embarcariam no projeto?

Britta – Como todos já eram amigos de pescaria, antes de embarcar eu disse ao Kent para levar a ideia, desenhar, mostrar ao grupo, para ver o que aconteceria.
Kent – Não imaginava que fossem topar. Ou melhor, um deles, eu tinha certeza de que aceitaria, mas jamais imaginei que receberíamos o apoio de todos os três. Eles enxergaram no projeto a oportunidade de construir algo que normalmente não construiriam.

E há alguma nova casa em construção?

Kent – Sim. Vamos inaugurar o primeiro quarto assinado por um arquiteto dinamarquês. É curioso, mas a Dinamarca é o único país da Escandinávia ainda não representado no Treehotel. Garanto que será algo que vai fazer brilhar os olhos de fãs da arquitetura e do design.
Britta – Mas ainda é um segredo. Só vamos revelar na primavera!

E há planos para arquitetos de outros países? Talvez um brasileiro [risos]?

Kent – Definitivamente, sim. Nós queríamos ter todos os países da Escandinávia representados no hotel primeiro. Espero que a UNQUIET possa nos indicar algum bom! 

Temos bons amigos arquitetos!

Britta – Desde que possamos manter o ritmo de crescimento sustentável, preservando a cultura da nossa cidade e o meio ambiente, estamos abertos.

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The Blue Cone
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Interior do Dragonfly

Harads é uma cidade pequena, onde é possível, literalmente, conhecer  todos os habitantes. Como vocês enxergam o impacto local do hotel?

Kent – Com a chegada dos primeiros visitantes, o estranhamento no vilarejo foi geral. Cafés e restaurantes que frequentamos desde pequenos passaram a receber pessoas fazendo pedidos em inglês. A cidade não sabia o que era o turismo porque sempre fomos um ponto no caminho para destinos do norte da Lapônia. Nem de longe tínhamos a estrutura de atividades da nossa vizinha Finlândia.
Britta – Sentimos que colocamos a região da Lapônia sueca no mapa. Com o desenvolvimento local, enxergamos um número cada vez maior de jovens que querem retornar para cá após os estudos para trabalhar. As pessoas agora têm orgulho de viver em Harads e acreditam no futuro. 

Vocês chegaram a sentir resistência por parte da comunidade?

Britta – Por algum tempo, fomos motivo de boas risadas. Onde quer que fôssemos, éramos reconhecidos como o casal do disco voador.
Kent – No mercado, no posto de gasolina… todos faziam piadas. Mas eram piadas daquelas que são feitas entre amigos. Todos torceram para nosso projeto dar certo. Poucos imaginavam o que estava para acontecer.
Britta – Nem nós sabíamos ao certo. Construímos as quatro primeiras casas pensando nos clientes que já tínhamos: suecos e outros escandinavos que vinham para cá fazer trekking.

A primeira cabana do The Tree Hotel, construída para o documentário The Tree Lover, de  Jonas Selberg Augustsén.

“Cafés e restaurantes que frequentamos desde pequenos passaram a receber pessoas fazendo pedidos em inglês. a cidade não
sabia o que era
o turismo”

E acabaram salvando uma floresta inteira…

Britta – E isso acabou dando base ao nosso propósito sustentável. Não queríamos ver nossa cidade se transformando em um polo industrial.
Kent – Quando a comunidade soube que o hotel salvaria a floresta, o apoio foi total. Por isso, todos aqui têm um carinho muito especial pelo que fizemos. 

Vocês podem citar algumas das iniciativas sustentáveis que criaram para o Treehotel?

Kent – Acredito que somos o único hotel do mundo que utiliza banheiros de combustão, que incineram dejetos a uma temperatura de 600ºC. As casas com chuveiro são equipadas com o modelo orbital, capaz de economizar 80% da energia e 90% da água, em relação às duchas comuns. Também não construímos linhas de esgoto, o que destruiria as raízes das árvores. Todas as casas têm seu próprio sistema de energia.
Britta – E Kent ainda implementou o “ruka moika”, um reservatório de água russo que libera a quantidade exata para a lavagem das mãos!

E o que mais o leitor UNQUIET pode experimentar em Harads?

Kent – Os jantares que oferecemos sobre o rio congelado no inverno são meus favoritos, principalmente quando as auroras aparecem. É possível aprender bastante sobre a cultura do povo sami [grupo étnico nativo da Lapônia], em safáris de alce ou explorando a região em trenós puxados por cães husky ou, ainda, em snowmobile. 
Britta – Apreciem o design integrado à natureza do Treehotel, fazendo caminhadas no inverno ou aproveitando o Rio Lule em passeios de caiaque no verão. Desconectem

nos quartos e deixem para postar tudo depois!

Finalmente, o que é ser UNQUIET para vocês?

Britta – Eu diria que é desenvolver experiências autênticas e únicas para nossos convidados.
Kent – É continuar descobrindo e aprendendo coisas. 

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SUSTENTABILIDADE

Ações de conservação do meio ambiente e ações sociais

Saiba mais
  • A construção foi feita em árvores vivas sem destruir a árvore e sem derrubar nenhuma árvore ou danificar a natureza.
  • Os quartos não possuem sistema de esgoto. Os banheiros tem um sistema de combustão moderno e ecologicamente correto onde tudo é incinerado a 600 °C.
  • A limpeza é feita sempre com produtos ecologicamente corretos.
  • Os banheiros possuem pias eficientes com água corrente suficiente para lavar as mãos, rosto e escovar os dentes. O excedente é recolhido num contentor que é esvaziado diariamente. Os chuveiros estão localizados em um prédio separado.
  • O hotel contribui para o desenvolvimento econômico e a qualidade de vida da população local.
  • Apoio a produtores e serviços que reflitam autenticamente o estilo de vida e a cultura local.

Clique aqui para ler a matéria na íntegra na edição 06 da Revista

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