Bruno Jungmann fotografa as raízes culturais do Brasil

O fotógrafo transforma viagens, manifestações populares, povos tradicionais e paisagens em narrativas sobre memória, ancestralidade e território

Movido pela curiosidade e por um olhar atento às pessoas, Bruno Jungmann encontrou na fotografia documental um caminho de pertencimento e expressão. “Eu sou um cabra muito curioso. Preciso de novos assuntos o tempo inteiro. Estou sempre investigando temas, comunidades, culturas”, diz ele, que se interessou pela fotografia de forma despretensiosa, ao folhear livros e visitar museus ao lado do pai. Anos depois, já adulto, foi nas viagens e nas trilhas pela Chapada dos Veadeiros que a fotografia começou a ganhar espaço em sua vida. O que era esporádico se transformou em decisão: em 2022, deixou a carreira anterior para se dedicar integralmente à nova profissão. A virada definitiva aconteceu ao fotografar a Missa do Vaqueiro, no sertão pernambucano. “Ali percebi que havia me encontrado”, lembra.

Desde então, Bruno mergulhou em temas que traduzem sua essência, como as manifestações populares, os povos tradicionais e as afrobrasilidades. Fascinado pela riqueza cultural do Brasil ‒ especialmente em Pernambuco e Maranhão ‒, ele também busca conexões fora do país, como no Senegal. “Eu acredito que é muito importante estudar os territórios que visito, compreender melhor o sincretismo religioso de nossas manifestações, além dos contextos sociais no qual eu estou me inserindo, fotografando, vivendo. Na fotografia documental, o fator tempo é diferente, pois as coisas em geral são mais lentas e sempre mais profundas. Para construir uma narrativa sólida, consistente e respeitosa, é necessário mais cuidado e conhecimento”, explica. 

Matéria publicada na edição 23 da Revista Unquiet.

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