48 horas em São Paulo


Bandeira BrasilPor Nathalia Hein

Definir São Paulo é tentar enquadrar uma cidade que muda de assunto antes do fim da frase. Impetuosa e intrigante, a maior cidade do Brasil vive entre a turbulência e a vanguarda da cultura, da gastronomia, do design e do luxo no país. Não à toa, está no radar de quem quer se sentir no centro do mundo sem sair do Brasil.

Às vésperas do C6 Fest, festival que chega à 4ª edição consolidado no calendário musical paulistano, explorar São Paulo entre um show e outro pode ser uma ótima ideia para tentar entender, sem jamais resumir, uma cidade tão complexa quanto atraente. Vale tanto para o paulistano em busca de uma experiência completa de staycation quanto para o visitante disposto a aproveitar tudo o que a cidade tem a oferecer em 48 horas.

C6 Fest 2025: The Pretenders
Apresentação do grupo The Pretenders, no C6 Fest 2025 | Reprodução

Staycation com arte

Entre as experiências de hospedagem mais completas da cidade, o Rosewood São Paulo ocupa um lugar difícil de ignorar. Muito além de ser “apenas” um hotel de luxo, o endereço funciona como um destino dentro de São Paulo, capaz de capturar a atenção e o tempo de seus hóspedes com uma quantidade impressionante de atividades, referências e detalhes que ajudam a compreender a cidade.

48 Horas em São Paulo: Cidade Matarazzo
Edifício histórico e a torre contemporânea marcam o complexo Cidade Matarazzo | Reprodução Facebook

Instalado no complexo Cidade Matarazzo, o hotel ocupa dois edifícios. Um deles, erguido durante a revitalização do complexo, é assinado pelo arquiteto francês Jean Nouvel. O outro, da década de 1940, abrigava a antiga Maternidade Condessa Filomena Matarazzo e foi restaurado com preservação da estrutura original do edifício histórico.

O hotel grita brasilidade em praticamente todos os ambientes. Sob o olhar do designer Philippe Starck, o acervo de obras de arte, peças de artesanato e móveis conta a história da cultura brasileira com elegância e originalidade. Há um Tour das Artes oferecido aos hóspedes e também a visitantes externos, mediante reserva, conduzido por um art concierge. Durante cerca de 40 minutos, os participantes são guiados por mais de 450 obras de artistas e artesãos brasileiros, distribuídas entre áreas abertas ao público e espaços restritos aos hóspedes, incluindo a histórica capela dos Matarazzo.

No sexto andar do Rosewood, painéis assinados por Ananda Nahú | Divulgação

Tapeçarias, quadros, azulejos, esculturas, mármores brasileiros e peças de mostras temporárias ou do acervo fixo do hotel valorizam diferentes expressões da arte brasileira. O tour termina com um brinde no Bela Vista Rooftop & Pool, onde a piscina de borda infinita e a vista para a cidade ajudam a observar São Paulo por outro ângulo.

O perfume cultural com sotaque brasileiro também percorre as áreas íntimas. Na Suíte Matarazzo, onde me hospedei, gentileza da diretora do Rosewood, Marie Berengere Chapoton, que, ao saber que eu havia nascido ali, na antiga maternidade, fez questão de me alocar nessa suíte tão especial, móveis assinados, um violão autografado por Gilberto Gil e livros de autores consagrados da literatura brasileira criavam um ambiente familiar, elegante e impecável nos mínimos detalhes. Até o serviço de abertura de cama vinha acompanhado de uma poesia ou de um verbete de algum poeta nacional.

48 Horas em São Paulo: a Sala de Cristais do Asaya Spa by Guerlain, no Rosewood
A Sala de Cristais do Asaya Spa by Guerlain, no Rosewood | Reprodução Instagram

Reserve também uma hora no Asaya Spa by Guerlain. A reflexologia, feita na Sala de Cristais, já entrou para o rol de experiências inesquecíveis de wellness da minha vida. A experiência tem força sensorial rara, sem escorregar para o espetáculo.

Mesmo para quem não é hóspede, a cena gastronômica do hotel virou assunto na cidade desde a abertura. Com diferentes bares e restaurantes, o clima é de alta procura, especialmente para quem chega sem reserva. Faço aqui uma menção honrosa ao francês Blaise, com atmosfera de chalé alpino, e ao Taraz, de cozinha sul-americana, com pratos pensados para compartilhar no salão ou no jardim.

Além do óbvio

Mas como nem só de serviços cinco estrelas vive o paulistano, é preciso sair para explorar a cidade. Ainda na região da Avenida Paulista, o incontornável Masp é parada obrigatória para quem já conhece ou quer reconhecer São Paulo.

Para sair do lugar comum e ainda assim se maravilhar com a pluralidade da cidade, a Japan House São Paulo funciona como uma introdução precisa à cultura japonesa contemporânea. A experiência começa antes mesmo da entrada, diante da fachada feita de hinoki, cipreste japonês de mais de 70 anos trazido do Japão, em projeto do arquiteto Kengo Kuma.

 

48 Horas em São Paulo: a fachada da Japan House
Japan House: a delicadeza da arquitetura nipônica sob o ritmo intenso da Avenida Paulista | Reprodução

O interior do edifício abriga salas para mostras temporárias, exposições e eventos gratuitos nas áreas de arquitetura, gastronomia, moda, design e arte, sempre com o intuito de aproximar o público da cultura japonesa. O espaço também sedia o Aizomê, restaurante de gastronomia japonesa conduzido sob o conceito dos settos, conjuntos de pratos variados que compõem uma refeição completa.

Essência brasileira

Cair em tentação diante da cidade com a maior oferta de lojas, shoppings e grifes do país é quase inevitável. Para garantir alguma originalidade na hora das compras, a Pinga Store, nos Jardins, reúne moda autoral e independente, com roupas, acessórios, sapatos e itens de decoração de jovens estilistas e designers. A curadoria privilegia peças exclusivas e garimpadas pelas próprias donas.

Quem prefere os clássicos pode passar pela Marisa Ribeiro, marca associada à elegância discreta, à qualidade dos materiais e a alguns dos cashmeres mais desejados do país, com lojas nos Jardins, na Vila Madalena e no Morumbi Shopping.

48 Horas em São Paulo: Marisa Ribeiro
Marisa Ribeiro: elegância em peças de cashmere | Reprodução

Se a ideia é continuar na seara das artes, a Casa Fitó, em Moema, trabalha com uma curadoria de artesanato brasileiro feita com atenção ao gesto manual, aos materiais naturais e à história por trás de cada peça. O acervo reúne trabalhos de artistas e artesãos brasileiros, com objetos que carregam identidade, território e autoria.

Sabores do mundo

É impossível experimentar São Paulo em apenas 48 horas. A oferta gastronômica é tão vasta quanto atraente e se renova em ritmo acelerado, mas vale passear pelos sabores do mundo espalhados pela cidade.

48 Horas em São Paulo | Bodega Pepito
Na Bodega Pepito, vinhos e tapas traduzem bodega espanhola e boteco brasileiro | Divulgação

Entre as aberturas mais comentadas da cena paulistana, a Bodega Pepito, inaugurada no fim de 2025, é a nova incursão do chef Oscar Bosch. Despretensioso, o endereço se define entre uma bodega espanhola e um boteco brasileiro. O menu, de influência espanhola com toques orientais e contemporâneos, traz tapas, yaki-pintxos e outras delícias para compartilhar, como o choribao, um mini choripán com chistorra difícil de esquecer.

Também em alta, o Lina é um italiano que une a pasta fresca de Bia Limoni à brasa de Felipe Bronze. A proposta combina técnica, conforto e uma leitura contemporânea da cozinha italiana, sem cair na previsibilidade.

48 Horas em São Paulo: o ravióli com funghi do Lina:
O ravióli com funghi do Lina: pratos para dividir, com energia paulistana e sotaque italiano | Reprocução Instagram

Já a cozinha francesa encontra o frenesi do centro no Le Freak. Instalado no térreo de um edifício modernista dos anos 1950, na Avenida São Luís, o restaurante do chef Juan Pablo Montes revisita clássicos franceses com liberdade criativa, em um ambiente de atmosfera sedutora no coração de São Paulo.

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