O diamante do sertão

A Chapada Diamantina é uma preciosidade para ser vista, vivida e protegida. Bem-vindos ao incrível sertão baiano

Aqui tem de tudo um muito. Quem procura aventura encontra inúmeras propostas: cachoeiras, grutas, cavernas, poços de água, rios e trilhas. Há também tobogãs naturais, tirolesas, rapel, mergulho, snorkel, flutuação e contemplação. Prefere uma programação mais cultural? As cidades históricas, ainda repletas do casario original de arquitetura colonial, recontam o período do ciclo do garimpo, que tanto revela sobre a história da região da Chapada Diamantina, destino que se firmou entre os mais cobiçados do Brasil para quem busca experiências diversas e genuínas no coração da Bahia.  

Uma miscelânea de sotaques, origens e idades – gente que nasceu ali, herdeiros do garimpo, gente que foi, se apaixonou e ficou – forma a simpática população, que se mistura aos visitantes que chegam para desbravar a natureza suprema da Chapada. Entre vales e montanhas com topos chapados (daí o nome), o lugar é cenário para aventuras de todos os níveis. Desde os que buscam passeios bem fáceis até os que desejam aventuras extremas, todos encontram seu caminho. Desbravar essa região numa roadtrip a bordo de uma Mitsubishi L200 Triton fez toda a diferença para acessar lugares ainda mais especiais.

Acesso ao Poço Azul
Roy Funch, um dos personagens precursores na idealização da criação do Parque Nacional

Nasce um parque nacional 

Aqui a força da natureza se manifesta de forma intensa. Tudo é muito impressionante. Só de cachoeiras são 360 catalogadas. É praticamente uma para cada dia do ano. Grutas são mais de 200, além de 1,5 mil quilômetros de trilhas, um parque nacional de 152 mil hectares e um consenso: ainda há muito a ser descoberto. Quem confirma é o biólogo, PhD em botânica e escritor norte-americano Roy Funch, morador de Lençóis, cidade que atende como o “centro” da região desde 1978. Ele veio ao Brasil como voluntário do Corpo da Paz (Peace Corps), um grupo que presta serviços aos países em desenvolvimento, e aqui ficou. “Você pode passar a vida inteira na Chapada Diamantina e não vai conhecer tudo”, explica ele, que até hoje faz expedições com antigos garimpeiros de diamantes para descobrir e catalogar plantas, rios, grutas e cachoeiras. Roy conta que foi numa dessas andanças que constatou a magnitude do lugar e logo pensou: “Se esse lugar fosse nos Estados Unidos, com certeza seria um parque protegido”. Assim, o americano escreveu, em 1979, a “primeira carta para o Brasil”, solicitando ao analista ambiental Sergio Brant, do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF), atual Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a criação do Parque Nacional da Chapada Diamantina, que foi finalmente criado, em 1985.

Gigante pela própria natureza 

Como não é todo mundo que tem o privilégio de passar a vida na Chapada, quem visita a região deve reservar entre sete e dez dias para conhecer as principais atrações – sem contar com a travessia do Vale do Pati, considerado um dos trekkings mais belos do mundo, uma verdadeira imersão na natureza, entre montanhas imensas, paredões rochosos, rios e cachoeiras. Trata-se de uma viagem à parte, ou uma extensão programada, que leva de três a sete dias, dormindo em casas de família no trajeto. 

Como as atrações ficam distantes umas das outras, uma opção é pernoitar cada noite em um povoado, como Mucugê, Andaraí e Vale do Capão. Mas há quem prefira se instalar em Lençóis, uma cidade linda, tombada pelo Iphan por seu conjunto paisagístico e arquitetônico, que tem a melhor infraestrutura e o único aeroporto da região. Lençóis exala alegria. Entre janeiro e fevereiro, ela é sede da Festa do Nosso Senhor Bom Jesus dos Passos, que expressa o agradecimento dos garimpeiros pela proteção de seu padroeiro. A celebração começa com a lavagem das escadarias da Igreja de Nosso Senhor dos Passos pelas baianas e segue com várias procissões e música pelas ruas do centro histórico. Grupos folclóricos de reisado, como o Três Reis Magos, caminham pelas ruas, cantando e alegrando todo mundo.

De Lençóis, as estradas passam por belas paisagens e, com a L200 Triton, o deslocamento é muito mais fácil, permitindo circular por asfalto, terra, areia, no meio da mata e até dentro de riachos, como foi o caso do passeio até o Rio Capivara pela antiga e histórica Rota do Garimpo. Com o 4×4 acionado, foi possível atravessar o rio e trilhas fechadas, passando por uma região acidentada para, no final, chegar a um lugar incrível e nadar em uma água de cor escura, em meio a um cenário paradisíaco. 

Um dos principais cartões-postais da Chapada Diamantina é o Morro do Pai Inácio, com seus 1.200 m de altura e uma vista panorâmica bem impactante. Ele fica a 26 km de Lençóis e, apesar de ser muito imponente, a trilha a pé que se percorre para chegar ao topo até que é curta: a subida, de 500 m, tem o nível médio de dificuldade e, em alguns trechos, conta com escadas e corrimão. Uma vez lá em cima, caminhe por todos os lados sobre o piso de pedra, que parece uma paisagem lunar, e aprecie uma vista diferente: o imenso vale verde, a estrada que fica pequenininha, os famosos morros Camelo e Três Irmãos e um pôr do sol emocionante.

Vale lembrar que o lugar é bem concorrido. Quem quiser fazer um passeio mais exclusivo, como um piquenique no mirante do Camelo, pode falar com a administradora, que autoriza o uso do espaço (comunica@mirantedocamelo.com.br). Ah, e tomar um espumante gelado em meio à imensidão da Chapada é uma experiência inesquecível.

Cidades da Chapada Diamantina guardam o casario original de arquitetura colonial
Grupo folclórico de Reisado

Simplicidade e acolhimento 

Uma das melhores opções de hospedagem em Lençóis é a Estalagem do Alcino, que tem apenas oito suítes e é conhecida na Chapada Diamantina como “o melhor café da manhã do Brasil”. Alcino Caetano é um artista plástico paulista que se apaixonou pela Chapada, restaurou um antigo casarão colonial de 1890 e lá abriu a Alcino Estalagem & Atelier, uma pousada de charme. 

Em uma varanda aconchegante, sob um enorme pé de jambo, Alcino serve um verdadeiro ritual de degustação. Tapioca com shitake, bolos quentinhos, minifocaccias, geleias, frios, patês, omeletes, quiches, iogurte de todos os tipos, como o mangolace (com manga e cardamomo), polenta gratinada e paçoca de banana-da-terra com coco ralado e gengibre. Cada dia é um menu diferente. Tem também o café especial na prensa francesa, coado na mesa! 

Aliás, a região é reconhecida por produzir cafés gourmet bem especiais. Vários grãos de Piatã, Mucugê e Ibicoara ganharam prêmios nacionais e internacionais, sendo que o Latitude 13 se tornou o café oficial do papa Francisco no Vaticano. Entre as marcas premiadas estão Rigno, Gourmet Piatã, Terroá, Natura Gourmet e Serra das Almas, que podem ser encontradas nos mercados das cidades da região e em bares, cafeterias e restaurantes, que servem desde o tradicional expresso até bebidas criativas, como a caipirinha de café.

Cervejas artesanais também têm grande destaque por lá, como as produzidas nas cervejarias Sincorá  e Chapada. Até o vinho ganhou destaque, com a chegada da vinícola Uvva e seu vinhedo, cercado pela deslumbrante paisagem da Serra do Sincora, uma edificação incrível aberta para degustações de seus rótulos artesanais. 

Se os passeios duram o dia inteiro, à noite a grande pedida é caminhar pelas ruas de calçamento de pedra das cidades coloniais, entre lojinhas, restaurantes charmosos e barzinhos com música ao vivo, que tocam jazz, blues e MPB. Em Lençóis, há opções como o Cozinha Aberta Slow Food, que tem um ambiente calmo e varanda ao ar livre e serve pratos com toques gourmet, unindo ingredientes exóticos e regionais, como o arroz com licuri, purê de banana-verde e farofa. Quem prefere agito pode percorrer a Rua das Pedras e a Rua da Baderna e escolher entre um sushi no Santo Chico Sushi Bar, um sanduíche do Espalha Luz, preparado com ingredientes orgânicos e servidos nas mesinhas da calçada, ou um bobó de camarão do Lampião Culinária Nordestina, especialista em releituras da gastronomia regional. 

Marina Klink no morro do Pai Inácio
Mitsubishi L200 Triton atravessa o Rio Capivara
Ilustração: Antônio Tavares

Águas, tons e sabores

Com a L200 Triton, é possível dar a volta no parque em um dia, parando rapidamente para conhecer algumas cidades e atrações. Em Andaraí, a Sorveteria Apollo é uma delas. Em uma casa colonial bem simples, os donos preparam e servem sorvetes de licuri, jaca, mangaba, umbu, mucugê e vários outros sabores, que dão uma pausa saborosa ao roteiro. 

Se os rios da Chapada Diamantina têm, em sua maioria, uma tonalidade avermelhada, que lembra a cor da Coca-Cola (por causa da decomposição das plantas), os poços mais famosos, como o Azul e o Encantado, têm águas cristalinas, formadas por lençóis freáticos. 

Chegar ao Poço Azul é um desses momentos que enchem os olhos. Da entrada, é possível avistar, lá embaixo, em meio às rochas da caverna, o quanto a água é azul e transparente. É possível fazer flutuação de snorkel por seus 40 m de extensão e observar as pedras e os troncos, que estão a uma profundidade de até 60 m. Entre abril e setembro, das 12 às 14 horas, os raios de sol proporcionam um espetáculo ainda mais especial, ao penetrarem na entrada da caverna, formando uma centelha luminosa, que chega até o fundo. Com ou sem feixe de luz, o espetáculo é grandioso e vale a visita, para nadar e tirar lindas fotos subaquáticas. 

Clique aqui para ler a matéria na íntegra na edição 10 da Revista UNQUIET.

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