Na Expedição Katerre, navegar significa conhecer a floresta em profundidade e criar vínculos genuínos com as comunidades ribeirinhas que preservam seus saberes, suas tradições e seus modos de vida
A Expedição Katerre convida a conhecer a Amazônia para além de suas paisagens extraordinárias. A bordo dos barcos, o viajante navega pelos rios do Baixo e do Médio Rio Negro, visita comunidades ribeirinhas, aprende com seus saberes tradicionais e participa de uma jornada baseada em pertencimento, conservação e valorização da cultura local.
A Expedição Katerre iniciou suas navegações em 2004, com o propósito de desenvolver o ecoturismo em comunhão com as comunidades do Rio Negro. Com sede em Novo Airão, a cerca de 200 quilômetros de Manaus, a empresa percorre diferentes regiões do Baixo e do Médio Rio Negro em roteiros regulares de três a sete noites, além de viagens customizadas disponíveis ao longo de todo o ano.
Ao longo de mais de duas décadas, sua equipe navegou por rios como Jaú, Apuaú, Jauaperi e Aracá, mapeando paisagens, comunidades e pontos de interesse que hoje integram as expedições. Cada roteiro revela uma Amazônia diferente: a dos grandes arquipélagos fluviais, das florestas alagadas, das cachoeiras, das ruínas históricas e, sobretudo, das pessoas que mantêm vivo esse território.
Expedição Katerre: uma Amazônia guiada por seus moradores
Entre as experiências mais marcantes da Expedição Katerre estão as visitas às comunidades ribeirinhas. Em casas de palafita, os moradores recebem os viajantes com café, conversa e uma generosidade que transforma o encontro em uma lembrança afetiva.
Não se trata apenas de observar um modo de vida, mas de estabelecer uma troca. O visitante pode conhecer costumes locais, ouvir histórias, compreender a relação cotidiana com o rio e participar de momentos simples, como jogar futebol com as crianças da comunidade. São vivências que aproximam o viajante da realidade amazônica e revelam que sustentabilidade também passa pela valorização de pessoas, culturas e conhecimentos.
Na Casa de Farinha, outro momento essencial do roteiro, é possível acompanhar o processo de transformação da mandioca brava em farinha, alimento fundamental para os povos amazônicos. A atividade apresenta cada etapa do preparo e evidencia a importância da agricultura, dos saberes compartilhados e das técnicas transmitidas entre gerações.
Ao conhecer esse processo, o visitante percebe que a floresta não é apenas um cenário intocado. Ela é também território de trabalho, memória, alimentação, identidade e pertencimento. A experiência contribui para uma compreensão mais ampla da Amazônia e para uma relação de respeito com aqueles que vivem em equilíbrio com seus ciclos.
Expedição Katerre entre floresta, história e biodiversidade
A bordo da Katerre, os dias são marcados por uma sucessão de paisagens e descobertas. Na Reserva do Madadá, uma trilha de pouco mais de uma hora leva a um conjunto de grutas cercado por cipós e água corrente. O local também abriga um mirante-abrigo de seis metros com redário, onde alguns roteiros oferecem a possibilidade de pernoitar em meio à floresta, ouvindo os sons da vida selvagem.
As expedições também podem incluir uma visita às ruínas de Airão Velho, cidade abandonada após o declínio do ciclo da borracha, que viveu seu apogeu entre o fim do século XIX e o início do século XX. Já a cachoeira do Rio Carabinani é uma parada refrescante nos roteiros que percorrem o Jaú e o trajeto Jauaperi-Xixuaú.
A observação de animais acontece de dia e à noite, em atividades de focagem que podem revelar jacarés, macacos, preguiças, ariranhas, araras e diversas espécies de aves. Com sorte, os lendários botos-cor-de-rosa podem ser avistados próximos aos barcos e flutuantes.
Uma experiência construída localmente
A relação com o território também está presente nas próprias embarcações da Katerre. Construídas em Novo Airão com base no conhecimento da indústria naval local, elas têm design genuinamente amazônico, com ambientes aconchegantes, cabines amplas e ventiladas e decoração inspirada na cultura e nos materiais da região.
Os acabamentos em teçume de fibras de tucumã, produzidos pela Associação dos Artesãos de Novo Airão, são um exemplo dessa conexão. O trabalho artesanal confere identidade aos barcos e, ao mesmo tempo, ajuda a manter visíveis técnicas e conhecimentos tradicionais.
A tripulação é inteiramente local. São profissionais que conhecem profundamente os rios, as matas e as comunidades por onde passam. Eles atuam no preparo da comida caseira servida a bordo, na manutenção das embarcações e na condução dos passeios, como guias e intérpretes da floresta.
Essa escolha faz diferença na experiência. O viajante não percorre a Amazônia acompanhado apenas por especialistas externos: ele navega com pessoas que têm uma relação cotidiana, familiar e afetiva com aquele território. É essa perspectiva que dá profundidade à jornada e permite compreender a floresta para além de sua beleza.
O conforto de navegar pela Amazônia sem pressa
A Katerre oferece diferentes embarcações para atender a perfis de viagem distintos. Construído em madeira maciça, oJacaré-açutem oito cabines-suíte climatizadas, salão de refeições, sala de convivência e cinema, além de solário com cobertura retrátil e redes.
OJacaré-tinga, menor, dispõe de três cabines com ar-condicionado, sala de refeições e solário. Já oLa Jangada, um catamarã de aço de 29 metros, reúne 12 cabines-suíte, lounge bar, restaurante e solário no convés.
Com base no Rio Solimões, o La Jangada realiza roteiros de até 12 noites em direção a Tabatinga, passando pela foz do Rio Purus, pela Reserva Mamirauá e por aldeias indígenas da etnia Ticuna entre Brasil e Colômbia.
Embora as embarcações ofereçam conexão Wi-Fi via Starlink, a proposta da viagem é outra: desconectar-se do excesso de estímulos e entregar-se à natureza profunda da Amazônia.
Expedição Katerre: viajar e deixar um legado
A Expedição Katerre mostra que uma viagem de propósito não precisa ser marcada por grandes gestos. Ela pode acontecer em uma conversa durante um café, no aprendizado sobre a farinha de mandioca, na escuta de uma história local ou na valorização de um objeto produzido por artesãos da região.
Ao colocar as comunidades ribeirinhas no centro da experiência, a expedição reconhece que preservar a Amazônia também significa fortalecer as pessoas que vivem nela. Para o viajante, essas vivências oferecem algo que nenhuma paisagem, por mais grandiosa que seja, pode proporcionar sozinha: a chance de criar uma relação mais consciente, sensível e duradoura com o destino.
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