Nova Orleans: comida, diversão e arte

Multicultural e cosmopolita desde sempre, a cidade do jazz proporciona experiências extraordinárias à mesa; veja a lista de restaurantes indicados por nossa repórter

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Four Seasons New Orleans

  • Passeio em bonde particular histórico na de St. Charles, em operação desde 1835, acompanhado de um historiador.
  • Na chegada ao hotel, uma surpresa aguarda os leitores da UNQUIET no restaurante Miss River.

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Validade: viagens até setembro de 2022

Poucas cidades podem se orgulhar de abrigar aeroportos com nomes de músicos locais. Varsóvia com Frédéric Chopin, Rio de Janeiro com Tom Jobim e Liverpool com John Lennon são algumas. Mas talvez somente uma, Nova Orleans, possa se gabar além desse feito: é um lugar que celebra suas influências musicais 24 horas por dia, durante todo o ano. Por isso, desembarcar no aeroporto Louis Armstrong não é simplesmente chegar a Nova Orleans. É virar a chave do seu estado de espírito em um lugar cheio de vida, embalado pelas notas que ecoam da tríade trompete-corneta-saxofone.

Embora muita gente chegue para curtir os passeios e as festas ao longo dos 13 quarteirões da sempre animada e etílica Bourbon Street – entre elas a celebração anual do carnaval local, o Mardi Gras – a gastronomia, por si só, merece uma viagem, porque a lista de bons restaurantes em Nova Orleans é interminável.

É bom saber que em geral não se trata de uma comida bonita, instagramável. Mas não duvide estar diante de uma culinária mágica.

Foto: Getty

Gastronomia cajun e creole

Os povos, as culturas e especialmente as culinárias das origens “crioulo” e “cajun” dialogam muito bem e se misturam em certos momentos. Mas devem ser apreciados pelas diferenças. Grosso modo, o jeito mais simples de separar os dois é associar o crioulo aos costumes da cidade e o cajun aos do campo. Já historicamente, o termo crioulo se refere aos colonizadores franceses – foram eles que fundaram a cidade e a denominaram La Nouvelle-Orléans, em 1718. Depois o controle da cidade passou para os espanhóis – e vem daí a origem da jambalaya –, para ser retomada pela França após algumas décadas e ser finalmente vendida aos Estados Unidos em 1800. À medida que os escravizados do oeste africano começaram a chegar, a definição de crioulo se expandiu para também incluir os negros.

Bouillabaisse, prato da culinária francesa a base de peixe | Foto: Divulgação
Truta à creole | Foto: Divulgação

Na época da colonização francesa, esse grupo teve acesso a ingredientes caribenhos, europeus e africanos, e também à comida típica das tribos nativas americanas. Entre os produtos trazidos de portos de todo o mundo, quiabo, baunilha, uísque e limão foram alguns dos que rapidamente foram incorporados à culinária crioula, que por isso se tornou mais cosmopolita do que a cajun. Esta última, por sua vez, é derivada dos refugiados franco-canadenses que migraram no fim do século 17 para a região pantanosa da Louisiana conhecida como Bayou Country, 56 quilômetros ao sul de Nova Orleans. Nesse habitat de várias espécies de camarão, mariscos, crocodilos, tartarugas, lagostins, entre vários outros, a comunidade cajun aprendeu a viver da terra com o que extraía da agricultura e da caça. A cenoura, que com aipo e cebola forma o clássico tempero do dia a dia francês, foi substituída pelo pimentão verde, compondo a chamada Santíssima Trindade cajun. Já as batatas foram trocadas pelo arroz, que prosperou no clima quente e úmido da Louisiana.

Hoje, os pratos cajun estão fortemente enraizados em frutos do mar e preservam a tradição de usar o que a terra oferece. Entre os mais populares estão o gumbo – basicamente uma sopa ou um ensopado feito com uma variedade de carnes e peixe, com quiabo ou filé em pó.

Mardi Gras | Foto: Creative Commons
Restaurantes em Nova Orleans: a jambalaya, a paella americana
Jambalaya, a paella americana | Foto: Getty
Restaurantes em Nova Orleans: Sanduíche po 'Boys do Parkway
Sanduíche po ‘Boys do Parkway | Foto: Reprodução

Acordes visuais e restaurantes do French Quarter 

No berço do jazz, o ritmo também é definido pelas notas arquitetônicas, com belos exemplares de muitos estilos, do barroco ao contemporâneo. O crioulo, muitas vezes considerado colonial francês, na verdade foi desenvolvido em Nova Orleans e representa uma fusão das influências francesa, espanhola e caribenha em conjunto com as demandas do clima local, quente e úmido. Um passeio a pé pela Royal Street, no French Quarter, é um bom começo para apreciar a arquitetura e a gastronomia local. Dica: os quarteirões entre as ruas St Louis e St Ann se transformam em calçadões para pedestres das 11h às 16h.

Cafe Amelie

Um dos lugares mais adoráveis da Royal Street é o Cafe Amelie, no nº 912, em uma casa centenária com pátio romântico agradabilíssimo. Relaxe ao sabor de um Sazerac, coquetel símbolo da cidade criado no século 19 e preparado com uísque de centeio Sazerac, Peychaud’s Bitters e licor de anis Herbsaint. Gostou do lugar? Venha então para o brunch, que une uma ótima comida em um belo cenário, de quinta a domingo a partir das 11h.
cafeamelie.com

Foto: Unsplash

Brennan’s

O bastião gastronômico da Royal Street é o Brennan’s, fundado em 1946, com uma excelente carta de vinhos que levou o Wine Spectator’s Grand Award 2021. O cardápio reúne clássicos como sopa de tartaruga e ovos sardou – com alcachofra e espinafre com creme de parmesão –, além de pratos crioulos modernos. O restaurante também é famoso por ter criado uma sobremesa que rompeu fronteiras, as Bananas Foster, preparadas com açúcar mascavo, manteiga, canela, rum e licor de banana, flambadas à mesa e servidas sobre sorvete de baunilha. É um lugar formal, como se presume, e pede dress code, mas pronto, faz parte da experiência.
brennansneworleans.com

Cafe du Monde

Ainda nos limites do bairro francês, bem perto da Jackson Square, fica a unidade mais concorrida do Cafe du Monde, onde são servidos os melhores beignets da cidade (pronuncia-se “benhês”). Os bolinhos de massa frita e aerada com nome francês podem ser descritos como donuts em formato quadrado e sem orifício central. São servidos quentinhos e dourados, cobertos com uma nuvem carregada de açúcar de confeiteiro. Vive lotado? Sim. É turístico? Também. Mas a boa notícia e o melhor indicativo de qualidade é que este é o lugar onde os locais vem buscar suas porções de beignets. E, com o perdão do clichê, se você vier a Nova Orleans e não experimentá-los, simplesmente não esteve aqui.
shop.cafedumonde.com

Foto: Reprodução
Restaurantes em Nova Orleans no French Quarter 
Foto: Creative Commons

Nova Orleans tem ingredientes caribenhos, europeus e africanos, sempre embalados pelo autêntico jazz.

Commander’s Palace

Tente incluir em sua viagem ao menos uma visita a um restaurante fino de clássicos crioulos. Se não for o Brennan’s, pode ser o Commander’s Palace, no elegante Garden District, que pertence à mesma família e serve martínis a 25 cents durante o almoço.
commanderspalace.com

Restaurantes de Nova Orleans além do quarteirão francês

O Tremé é a região que exerce maior influência cultural em Nova Orleans, com muitos museus, restaurantes e entretenimento. É também o lar da melhor comida crioula tradicional da cidade. Prepare-se para um intensivão sobre o tema em um dos muitos restaurantes do bairro.

Restaurantes em Nova Orleans: os tradicionais beignets do Café du Monde
Beignets do Café du Monde | Foto: Getty

Dooky Chase’s

A joia da coroa é o Dooky Chase’s, fundado na década de 1940, que já recebeu vários presidentes – o último deles, Barack Obama, pediu o famoso creole gumbo, para muitos o melhor da cidade, cozido com caranguejo, camarão, frango, dois tipos de linguiça, presunto e vitela.
dookychaserestaurants.com

Parkway

Outra instituição culinária é o Parkway, com seus respeitáveis po’Boys, sanduíches na baguete ricamente recheados com molho gotejante, entre os maiores símbolos de Nova Orleans. Pergunte a qualquer habitante local e todos indicarão diferentes lugares favoritos para apreciar po’boys – o Parkway está sempre entre os melhores. Ambientado em uma casa de madeira de esquina, o lugar fez história ao servir gratuitamente po’boys em 1929 a operários em greve e meninos pobres – daí o nome, derivado da expressão “poor boys”. Hoje, independentemente do nome e da origem, são consumidos por todas as classes, preparados em diferentes sabores. Até as ostras, outra especialidade muito popular entre os New Orlenians, entram no recheio. Os mais vendidos: camarão frito recheado e carne assada com molho caseiro.
parkwaypoorboys.com

Restaurantes em Nova Orleans: Ostras assadas do Arnaud's
Ostras assadas do Arnaud’s | Foto: Reprodução
Foto: Getty

N7

Outro bairro interessante fora da concentração de turistas é Bywater, o mais elegante de NOLA, com vários restaurantes e cafés da moda abertos recentemente. O pequeno wine bar N7 é um deles, em ambiente rústico delicioso e quase cenográfico, com ótima comida de bistrô e toques japoneses, de steak au poivre a mexilhões no vapor em caldo de saquê. Por muito tempo, o local não teve site nem telefone, como um segredo bem guardado.
n7nola.com

Bacchanal Fine Wine and Spirits

Se o N7 estiver lotado, corra para o incrível Bacchanal Fine Wine and Spirits, a 10 minutos de carro. Compre uma garrafa de vinho, sente-se em uma mesa dobrável em seu charmoso quintal iluminado por cordões de lâmpadas e peça algumas porções de tapas ou queijos prontamente disponíveis. Converse com todos, curta o jazz ao vivo e siga o lema cajun: “Laissez les bon temps rouler”, que traduz a alegria de viver típica de NOLA. “Deixe os bons tempos rolarem.”
bacchanalwine.com

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Mapa: Antônio Tavares

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