Ainda era madrugada quando deixamos São Paulo. A cidade permanecia acesa enquanto seguíamos para o aeroporto, levando conosco aquela expectativa silenciosa que acompanha toda viagem cuja chegada promete mais do que um destino. Algumas horas depois, já fora de Santiago, a paisagem começou, pouco a pouco, a mudar de idioma.
As estradas conduzem ao Vale de Colchagua como quem revela um segredo sem pressa. As montanhas se aproximam, os vinhedos desenham o relevo e o tempo desacelera naturalmente. Foi nesse compasso que chegamos ao Clos Apalta.
O primeiro impacto não veio da arquitetura, nem dos vinhos, mas do silêncio. Um silêncio preenchido pelo vento entre as videiras e pela presença constante das montanhas que abraçam a propriedade. A impressão era de que tudo ali havia sido concebido para que a paisagem tivesse sempre a última palavra.
Depois do check-in, fomos recebidos por um almoço que prolongava essa conversa entre natureza e hospitalidade. Nada parecia excessivo. A sofisticação estava justamente naquilo que não precisava ser explicado.






Clos Alpata
Benefício: Garrafa de vinho de safra especial e mimo de boas-vindas preparado com ingredientes da estação por chef membro da Relais & Châteaux; Early Check-in/Late Check-out de acordo com a disponibilidade.
Use o código: UNQUIET
Validade: Setembro de 2027

A vila onde nos hospedamos se transformou imediatamente em parte da experiência. Não era apenas um lugar para descansar, mas um destino em si. A arquitetura, a elegância discreta dos ambientes e a maneira como cada janela emoldurava os vinhedos faziam com que o olhar jamais encontrasse motivo para se afastar da paisagem. O céu permanecia encoberto, envolvendo o vale numa luz difusa que suavizava contornos e cores. E havia beleza justamente nessa ausência de espetáculo.
Encantados, permanecemos ali até o cair da noite. O jantar, servido na própria vila, surgiu como uma continuação natural daquela atmosfera. Gastronomia e vinho dialogavam com delicadeza, enquanto o serviço revelava uma elegância silenciosa.
Na manhã seguinte, o café servido na acolhedora cozinha integrada reforçava a sensação de estarmos sendo recebidos em uma casa, e não simplesmente em um hotel.
Seguimos então para um passeio a cavalo pelos vinhedos, passando também pela antiga residência da propriedade, onde a história do Clos Apalta parece ainda ecoar entre as árvores e as colinas.


Na sequência, visitamos a bodega. Esculpida na encosta e distribuída em sete níveis, impressiona não pelo tamanho, mas pela forma como parece nascer da própria montanha. A degustação conduzida pela enóloga transformou percepções em conhecimento. Cada vinho expressava aquele vale com autenticidade, permitindo que o terroir falasse antes de qualquer técnica.
O almoço manteve a mesma harmonia entre ingredientes, vinhos e hospitalidade. Ao final da refeição, recebemos um convite que traduzia a essência daquele lugar. O chef partiria para visitar um pequeno produtor da região e escolher os ingredientes do jantar. Poderíamos acompanhá-lo, mas preferimos preservar o prazer da surpresa e descobrir aqueles sabores apenas quando chegassem à mesa.
Enquanto isso, optei por seguir pelas trilhas que percorrem as montanhas da propriedade. Caminhar entre vinhedos, bosques e colinas era outra maneira de compreender o Clos Apalta. Aos poucos, o lodge desaparecia atrás do relevo e a paisagem assumia outra escala. Lá do alto, compreendi que um grande vinho nasce muito antes da adega: nasce no solo, no clima, no relevo e na relação paciente entre o homem e a natureza.



Foi somente no ponto mais alto que o céu resolveu se abrir. Durante toda a viagem, as nuvens haviam dominado o horizonte, mas, por alguns instantes, afastaram-se e permitiram que o Sol se despedisse atrás das montanhas. Não houve um espetáculo grandioso. Apenas uma faixa dourada rompendo o cinza e iluminando o vale com delicadeza. Talvez justamente por ter sido o único pôr do sol daqueles dias, sua lembrança permaneça tão viva.
Como fotógrafo, aprendi que a luz raramente se entrega a quem tem pressa. Ela costuma escolher aqueles que aceitam permanecer.


Na manhã seguinte, ainda antes do amanhecer, deixamos o Clos Apalta na companhia de uma Lua crescente e da certeza de que algumas experiências não permanecem na memória pela grandiosidade, mas pela delicadeza com que acontecem.
Em um tempo que insiste em acelerar tudo, o Clos Apalta nos convida justamente ao contrário. E, quando aceitamos esse convite, percebemos que alguns lugares continuam amadurecendo dentro de nós muito depois de a viagem terminar.
Clique aqui para ler a matéria na edição 24 da Revista UNQUIET.
Clos Apalta
Ações ambientais
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Viticultura orgânica e biodinâmica – vinhedos certificados Demeter (biodinâmico) e CERES (orgânico).
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Conservação da biodiversidade – preservação de mais de 370 hectares de floresta nativa e corredores ecológicos.
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Gestão da água – tratamento biológico e reúso da água utilizada na vinícola para irrigação.
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Compostagem – reaproveitamento do bagaço da uva e resíduos orgânicos como fertilizante natural.
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Eficiência energética – vinícola construída por gravidade (gravity-flow), reduzindo o consumo de energia durante a produção.
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Certificações ambientais – ISO 14001 e selo Sustainable Wine of Chile.
Ações sociais
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Fornecedores e produtores locais – prioridade para compras e serviços da região do Vale de Colchagua.
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Emprego local – contratação e capacitação de moradores das comunidades vizinhas.
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Preservação do patrimônio rural – restauração da Casa Parrón e valorização da cultura vitivinícola local.
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Educação e experiências – visitas guiadas sobre biodiversidade, agricultura regenerativa e produção sustentável de vinho.

























































































































































































