SXSW

A música é apenas um dos festivais dentro desse grande festival de inovação

Patrocínio:

O SXSW (South by Southwest) não é conhecido por ser um festival de música apesar de ter nascido como um. Hoje ele vai muito além e é considerado o maior festival de inovação do mundo. A música é apenas um dos festivais dentro desse grande festival.

Todas as pessoas que conheço vão para lá anualmente para aprender sobre o futuro ouvindo as pessoas mais visionárias do planeta. Não há apostas ali que naufraguem. Saímos de lá com tanto aprendizado que a cabeça parece não dar conta. Mas para mim, as previsões não estão apenas sendo discutidas nos palcos. Muitas delas são ditadas nas ruas de Austin. É só manter o olhar atento para percebê-las.

Frequento o SXSW desde 2011 e foi a música que me levou a me aventurar por lá. Porém, atenção: não é um festival qualquer em que você terá um line-up com agenda amarrada e saberá exatamente o que vai ver. A melhor pedida do SXSW é se permitir descobrir artistas em palcos minúsculos, como o montado dentro de uma igreja, que no próximo ano será destaque em festivais do porte do Coachella. É de lá que muitos artistas começam a voar, porque o festival está cheio de olheiros, gravadoras e jornalistas das maiores publicações de música do mundo. Sabe quem despontou por lá antes de ganhar o mundo? Amy Winehouse e Grimes, para citar apenas duas artistas grandiosas.

Foto: Stephen Olker
Foto: Divulgação

É para ir de coração e ouvidos bem abertos. O SXSW acontece por dez dias espalhado por toda a região central de Austin. Hotéis, bares, lojas, restaurantes, academias, calçadas e parques abrigam palcos dos mais diversos. Difícil é fazer a rota e escolher o que ver, porque se não estudar um pouco a programação, poderá voltar com a impressão que mais se perdeu do que viu.

São pelo menos duas mil atrações diferentes se apresentando, dentro e fora do festival, porque como tudo que fica grande demais, o SXSW tem sua versão não-oficial que toma conta da cidade também. Os locais e muitos amantes da música frequentam somente a programação não oficial, com muitos artistas da programação oficial. Dica: praticamente tudo é de graça na não-oficial, só é preciso paciência.

Quem viaja para ver artistas consagrados, pode se decepcionar. O SXSW não é sobre isso. Grandes nomes até estão por lá, mas só ficamos sabendo sobre eles quando marcas presentes no festival começam a anunciar suas programações com convidados especiais. Mas aí é um Deus nos acuda, porque fica mais concorrido do que ver pôr do sol no Arpoador.

Foto: Facebook

Desde meu primeiro SXSW, o festival mais do que dobrou de tamanho. Se nos primeiros anos já era difícil montar uma pré-agenda, agora parece uma missão impossível. Mas ela é necessária, mesmo que não seja cumprida. Não ter uma carta (ou várias na manga) pode gerar ansiedade e frustração.

Eu coleciono inúmeras histórias de shows que vi por lá. Assisti ao Foo Fighters num show para duas mil pessoas e a maioria não estava muito aí para a banda; o Michael Kiwanuka, The Comet is Coming, Amanda Palmer, James Blake, Graham Coxon (Blur), entre outros, em shows para uma audiência pequena em igrejas da cidade; vi o Jack White tocando no meio da rua num show improvisado; o saudoso Gossip num show vigoroso para 200 pessoas; um retorno inesperado do Justice numa festa de encerramento em 2019. Descobri uma lista imensa de bandas pelas quais me apaixonei e sigo ouvindo até os dias atuais, como Harmony Byrne, Soft Kill e Sudan Archives. Tive momentos catárticos com big bands como o Meute, o Mother Falcon, Tank and the Bangas, o Jassrausch, Golden Dawn Archestra e os brasileiros Bixiga 70. A lista é extensa e só a tenho guardada porque aprendi a criar playlists com todos os artistas que me fizeram arrepiar. E não foram poucos.

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação
Foto: Facebook

Além dos showcases, a programação traz também muitas palestras e bate-papo sobre música e a indústria. E é interessantíssima, porque aqui é mais fácil ver nossos grandes ídolos. As últimas que assisti foram uma entrevista com a Kim Gordon, outra com o David Byrne e uma que me fez estremecer com o Adam Horovitz e Michael Diamond para contar sobre o filme Beastie Boys Story.

Tem vários jeitos de navegar pelo festival, por isso é importante decidir se quer focar em estilos favoritos ou quer mesmo descobrir coisas que desconhecia a existência. Dá para se aventurar em shows de k-pop, country, rock, punk, pop, hip-hop, R&B e nos últimos anos a programação de artistas da música eletrônica tem crescido bastante.

Muitos palcos têm curadoria de revistas e/ou sites de música, selos, festivais, embaixadas etc. Eu sempre confiro as curadorias a partir de plataformas que gosto, porque aí não tem erro. Posso não conhecer um nome do line-up, mas sei que a chance de não gostar de algo será pequena. Deixo a programação dos shows das igrejas sempre na mira, porque nela há pouca chance de erro. A programação é sempre impecável. 

Foto: Facebook

Em 2022, o festival de música começará quatro dias após o início da programação oficial do SXSW e já tem mais de 240 artistas anunciados. Uma é a brasileira ANAVITÓRIA, mas nomes grandes ainda não apareceram.

Em 2019 quase meio milhão de pessoas participaram de alguma maneira do SXSW. Por isso é importante se programar com antecedência porque encontrar um lugar para se hospedar pode ser um desafio. O ideal é ficar a uma distância possível de ser feita de bicicleta até o centro da cidade, pois a programação se estende até às 2h da manhã e pode ser um pesadelo encontrar um táxi para voltar para casa.

Foto: Tico Mendoza

O SXSW oferece uma experiência muito diferentona. Ver uma cidade inteira se transformar num grande palco de um festival é muito único. Austin se transforma no melhor lugar para networking e experimentação de protótipos de produtos, num futuro nada distante, podem fazer parte do seu dia a dia.

Reflexo do SXSW, a cidade se torna cada vez mais diversa. A gastronomia melhorou muito e comer bem é um dever pela lista farta de bons restaurantes. Nem preciso dizer que quem ama carne, vai se deleitar nas famosas churrascarias texanas.

Para desopilar após um carregamento de tanta informação, há várias opções de viagens. Eu fiz duas realmente especiais: a primeira foi uma road trip de uma semana seguindo a antiga Road 66 via Grand Canyon até Las Vegas e a minha última aventura foi em Marfa, um oásis para amantes de arte contemporânea e experiências inusitadas.

SXSW

Conferência de 11 a 20 de março e Música, de 14 a 20 de março, 2022
Ingressos a partir de US$ 1,125
Austin, Texas

Resumo: O SXSW não é conhecido por ser um festival de música apesar de ter nascido como um. Hoje ele vai muito além e é considerado o maior festival de inovação do mundo. A música é apenas um dos festivais dentro desse grande festival.

    UNQUIET Newsletter

    Voltar ao topo