Colecionando paisagens e sorrisos

Andrei Polessi reúne beleza, paixão e transformação social em sua jornada fotográfica

Andrei Polessi encontrou na fotografia muito mais do que uma forma de registrar imagens: fez dela uma ferramenta para contar histórias, transformar vidas e conectar culturas. Seu primeiro contato foi precoce, aos 4 anos, quando o pai lhe deu uma câmera para brincar. “Cresci com ela nas mãos, ainda usando filme. Aos 15 anos, durante uma viagem à Itália, entendi a fotografia como um diário visual, uma linguagem própria”, lembra.

O fascínio pelo cinema, pelas artes e pelos livros de viagem da biblioteca dos pais ‒ especialmente a coleção Povos e Países ‒ alimentou ainda mais a sua curiosidade. “Aquilo me abriu para o mundo. A iconografia, os povos distantes, as culturas distintas. Foi ali que percebi que queria fotografar para mergulhar nessas realidades.” Ainda adolescente, seu primeiro ensaio virou uma exposição em Itatiba (SP), sua cidade natal. Daí para o laboratório em preto e branco e para o jornal local, foi um passo.

Embora tenha seguido carreira em publicidade e depois no design gráfico, a fotografia nunca deixou de pulsar. O retorno definitivo aconteceu em 2015, quando imagens guardadas de uma viagem à Índia e ao Nepal se transformaram em um livro, Dharma, cuja renda ajudou a construir uma escola na vila de Patle, no Nepal. “Voltei a fotografar usando a imagem como uma ferramenta de transformação social. Mais do que estética, o meu olhar é documental, comprometido em dar voz a pessoas e lugares.”

Referências como Sebastião Salgado, Steve McCurry, Cartier-Bresson, Sergio Larrain e Vivian Maier convivem em sua bagagem, com influências da pintura e da luz dos mestres. Acima de tudo, é o encontro humano que guia seu olhar. “O elemento humano é essencial, uma segunda camada sobre qualquer paisagem. São as pessoas que criam as minhas imagens.”

Entre os destinos mais marcantes estão o Vale de Zanskar, no norte da Índia, “um Shangri-lá de monastérios milenares”, e o Nepal, com sua cultura resiliente diante das adversidades. Na África, ele criou vínculos profundos em Uganda e Etiópia, acompanhando missões médicas voluntárias. “São relações muito caras para mim.” Ainda sonha com o Japão e com novos caminhos que, como ele diz, citando Amyr Klink, “a vida é curta demais para percorrer os mesmos”.Em 2023, Andrei lançou Rascunho – Paisagens
Humanas, livro que reúne sua trajetória. “Chamei de Rascunho porque meu olhar é de tentativa e erro, de inquietação. O que busco é a beleza. Não a convencional, mas a poética, que pulsa nas histórias que encontro pelo caminho”.

Matéria publicada na edição 21 da Revista Unquiet.

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