Viajar, para Marcio Cabral, sempre foi mais do que um deslocamento — foi um impulso criativo. O fotógrafo iniciou sua relação com a imagem em 1998, movido pelo desejo de eternizar paisagens e experiências. “Senti a necessidade de registrar os lugares que visitava”, lembra. A curiosidade virou estudo, o estudo virou equipamento profissional e, rapidamente, a fotografia passou de interesse pessoal a caminho definitivo.
O ponto de virada veio em 2000, com uma reportagem de capa sobre a Chapada dos Veadeiros para a revista Horizonte Geográfico. O trabalho, elogiado pela força visual, abriu portas para publicações nacionais e internacionais e consolidou sua presença no universo da fotografia de natureza. A partir dali, Marcio seguiu aprofundando sua linguagem e apostando em territórios pouco explorados.
Em 2008, ele escolheu a fotografia panorâmica como sua especialidade. Dois anos depois, ao atender à demanda por imagens subaquáticas dos rios de Bonito (MS), decidiu unir técnica, inovação e ousadia. O resultado foi pioneiro: os primeiros panoramas subaquáticos do Brasil. “Aproveitei essa oportunidade para unir a minha experiência em panoramas com a inovação de trabalhar em ambientes aquáticos”, explica. O feito lhe rendeu três recordes mundiais consecutivos reconhecidos pelo Guinness World Records, incluindo uma imagem subaquática de 827 megapixels — ainda imbatível.

A diversidade é a marca registrada de seu trabalho. Paisagens, cavernas, astrofotografia, ambientes subaquáticos e panoramas extremos convivem em um portfólio premiado internacionalmente mais de 160 vezes. “Procuro diversificar. Essa escolha me permite explorar cenários muito distintos, do fundo do mar às altas montanhas”, afirma.



Entre os lugares que mais o impactaram estão El Chaltén e Torres del Paine, na Patagônia, além dos cenotes mexicanos, do Abismo Anhumas e o mergulho no santuário Jardines de la Reina, em Cuba. Já o desejo de explorar novos horizontes inclui Islândia, Namíbia, Polinésia Francesa, Madagascar e Indonésia, além de retornar a destinos brasileiros, como Jalapão, Lençóis Maranhenses e Chapada Diamantina.

Seu processo criativo começa antes mesmo da viagem, com mapas, estudos no Google Earth e planejamento de luz. Ainda assim, ele respeita o imprevisível. “Na fotografia de natureza, o clima manda”, diz.

Mais do que imagens de impacto, Marcio busca despertar a consciência. “Quero que cada imagem seja um convite para conhecer, admirar e gostar da natureza porque acredito que só se preserva aquilo que se ama.”
Matéria publicada na edição 22 da Revista Unquiet.







































































































































































