Na Puglia a mesa é farta e colorida, as paisagens arrebatadoras, entre o mar e as oliveiras, e o tempo corre devagar, no ritmo da Itália mais autêntica
Puglia: a região que se redescobre
No extremo do salto da bota italiana, a Puglia é uma das regiões mais autênticas do sul — e, talvez, a que mais se redescobre hoje. Trulli centenários, olivais milenares, cidades barrocas brancas como Ostuni, Lecce e Bari Vecchia, e uma das gastronomias mais celebradas do Mediterrâneo: da burrata de Andria ao Primitivo di Manduria, passando pelo orecchiette, preparado em suas diversas receitas.
O que muda, de viagem para viagem, é a forma de se hospedar — e ela diz muito sobre o tipo de encontro que se quer ter com o território. A seguir, três experiências — masseria, agriturismo e hotel de praia — e os hotéis que melhor contam cada uma delas.

Puglia em uma masseria: o latifúndio fortificado
Uma das experiências mais autênticas para sentir a Puglia, hospedar-se em uma masseria é recuar ao clima de um latifúndio fortificado do sul, com casa-grande, frantoio, capela e muros de calcário branco que separam o pátio interno do mundo lá fora. A Masseria Cervarolo, em Ostuni, é um bom exemplo para vivenciar esse dia a dia: erguida no século XVI, organiza-se em torno de uma capela de 1798, com 17 quartos na casa principal e oito trulli — as habitações tradicionais de pedra com telhado cônico, típicas da região. A experiência começa antes do café: o chef Salvatore Cannalire abre o frantoio subterrâneo, mostra como o azeite é prensado a frio e só então serve a primeira orecchiette do dia. À noite, o jantar é servido a céu aberto, com o que se colheu pela manhã, no pátio iluminado por velas.
O agriturismo: o ritmo da fazenda na Puglia
Na experiência de agriturismo, a hospedagem é acessória à atividade agrícola, e o hóspede entra no ritmo da fazenda. A Tenuta Monacelli, no coração do Salento, a 13 km de Lecce, é um complexo de duas masserias do século XVI — a Masseria Monacelli e a Masseria Giampaolo — espalhadas por 400 hectares de vinhedos, olivais, pomares de cítricos e bosques de azinheiras. Os quartos se distribuem entre as duas construções, e o programa começa pelo que se vê da janela: 290 hectares de olival com oliveiras centenárias, 10 hectares de vinhedos e, mais recentemente, a criação de gado em uma área de 80 hectares. No centro do complexo, a piscina cercada por muros de pedra seca, o restaurante Rifugio del Re — que serve o que a fazenda produz, do azeite aos vinhos — compõem a estrutura. É a opção para quem quer entender a Puglia pela agricultura, e sair de lá sabendo a diferença entre um azeite de oliveira centenária e um azeite qualquer, e o que é um Negroamaro que nasce a 1 km do mar.
Praia na Puglia: o eixo muda para o mar
Se a ideia é render-se ao dolce far niente entre praia e gastronomia genuína, a Puglia tem bons hotéis à beira-mar — e borgos que valem a travessia. O Canne Bianche Lifestyle Hotel em Torre Canne, é o que a região faz bem neste formato: 51 quartos, beach club privativo, spa com hammam e o restaurante Timo, especializado em peixes do Adriático. A geografia é a das pedreiras de tufo à beira-mar e das longas areias claras até Savelletri.

Por onde começar a viagem
Três registros, três estadias, um mesmo território. Alberobello e os trulli, Ostuni e seu centro branco, Locorotondo e o vale do Itria, Lecce e o barroco leccese, Bari Vecchia e o peixe na rua, Otranto e o extremo do salto, a costa de Polignano a Mare e as grutas do mar — a escolha é por onde começar. A Puglia, ao contrário do que parece no mapa, sempre cabe em outra semana.




















































































































































































