Infância na Suíça, safáris na África, budismo na Ásia ‒ e o Brasil no centro da bússola. Viajar faz parte da minha vida desde pequena. Sou filha de pai e mãe suíços e, ainda criança, entendi que essas viagens acompanhariam minha infância e adolescência. Num cenário de sonho, aprendi e pratiquei esportes de inverno e de verão. As montanhas me ensinaram a superar limites e a respeitar a natureza. Nesse ritmo, a Europa veio como uma sala de aula. Mas eu aprendia muito além dos monumentos famosos e de toda a história que eles carregam. Pude ter contato com diferentes culturas, aromas e sabores e cultivei a educação que nasce do respeito aos costumes e às tradições locais (o verdadeiro idioma universal).
Sempre quis conhecer a África, e fui. Nos safáris, vi os animais passarem perto o bastante para mudar meu olhar. Com cada pessoa que conheci, aprendi sobre novas culturas e tradições, e minha visão de mundo se expandiu. Todas essas experiências foram transformadoras e me fizeram sentir a força e a grandiosidade daquele continente imenso, um entendimento mais profundo de mim mesma e das origens do ser humano. Voltei muitas vezes a vários países africanos. É onde sinto o pulsar da Terra, no ritmo que se repete há milhões de anos.
Outro sonho antigo era conhecer desertos, principalmente o Saara. E isso aconteceu muitos anos atrás. Lembro-me de chegar e caminhar duna após duna, sentindo uma energia muito forte. O único som era o do vento. Toda aquela vastidão e as cores do céu e da areia me deram uma sensação simples e definitiva: eu pertencia àquele silêncio. Viriam também outros desertos, na Jordânia, no Egito, na Namíbia e os de Utah e Arizona, nos Estados Unidos, com suas formações majestosas, a presença dos povos ancestrais e a certeza de que tradições que atravessam milênios continuam ali, firmes.
Na Ásia, o budismo e sua filosofia me ensinaram que jornadas de autoconhecimento colocam a natureza no tamanho certo. Quando cada coisa ocupa seu lugar, a paz interior não se anuncia. Apenas se instala. Viajei também pela América do Sul. Do Salar de Uyuni, na Bolívia, ao Deserto do Atacama, no Chile, me vi inserida em paisagens impressionantes, dessas que nos fotografam por dentro, sem pedir autorização.
E houve, claro, o Brasil. Cruzei desde praias de água cristalina até florestas imponentes que quase tocam o céu (e às vezes, pelo menos, mexem nas nuvens). Percorri lugares de contrastes admiráveis, onde aridez e beleza se encontram. E conheci gente de sorriso fácil, um jeito de receber e ensinar sem discurso. Para mim, cada viagem é uma jornada de descoberta. O mundo se revela em cada lugar, e a gente aprende sem fronteiras nem limites. Em cada destino, há uma história para contar. A cada pessoa, um ensinamento para aprender. A alma se expande. O coração se abre. Viajar é fascinante porque nos faz descobrir o mundo e a nós mesmos.
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Matéria publicada na edição 21 da revista































































































































































