Conheça o Storm King Art Center, em Nova York

A 100 quilômetros de Nova York, no vale do Rio Hudson, o Storm King Art Center é um dos mais monumentais – e insólitos – museus a céu aberto do do mundo.

Fechar

Benefícios Exclusivos UNQUIET: Nova York

Saiba mais

Consulte seu agente de viagens.

Park Hyatt New York

  • Garrafa de vinho ou espumante em nome da Revista UNQUIET.Validade: para viagens realizadas até 15 de junho de 2022.

    Código de Reserva: UNQUIET SPECIAL OFFER

A primeira visão do Storm King Art Center depois de uma hora e meia na estrada desde Manhattan é de perplexidade. A coleção abarca mais de cem esculturas, praticamente todas expostas ao ar livre, espalhadas pelos 200 hectares desta propriedade 100 quilômetros ao norte da cidade de Nova York. É tentador compará-la ao Instituto Inhotim, em Minas Gerais, mas vale ressaltar que os dois museus, ainda que semelhantes no propósito, proporcionam experiências completamente diferentes. Quase não há espaços fechados no Storm King Art Center – com exceção de algumas poucas obras exibidas no casarão que serve de sede ao museu, a maioria das peças brilha sob a luz do Hemisfério Norte.

Storm King Wall, obra de 700 metros de Andy Goldsworthy | Foto: Xavier Bartaburu
Three Legged Buddha, de Zhang Huan | Foto: Xavier Bartaburu

Os proprietários começaram a redesenhar a paisagem como se também ela fosse uma escultura

A integração com a paisagem é a tônica do lugar: cada obra de alguma forma dialoga com a natureza ao redor, seja uma campina, um bosque, um lago, ou mesmo as colinas que servem de pano de fundo à propriedade. É um diálogo sempre frutífero, seja pela tensão entre a arte e a paisagem, seja pela fluidez com que ambas interagem – é o caso da obra Storm King Wall, do britânico Andy Goldsworthy, um muro que serpenteia por 700 metros entre as árvores do local, até submergir num dos lagos. Às vezes a obra é a própria paisagem, como o Storm King Wavefield, de Maya Lin, um grande campo de ondas que simulam o mar, mas feitas de terra e pasto. 

The Crisis, obra de Rashid Johnson, aguarda o mato crescer em volta para ficar completa | Fotos: Divulgação

História

A escolha por um acervo quase que integralmente formado por obras da segunda metade do século 20 em diante ajuda a explicar a gênese deste lugar, que – para nos atermos à metáfora vegetal – também germinou a partir de uma semente única, expandida como uma copa generosa para além da raiz original. Sua data de fundação é 1960, quando dois magnatas da indústria de parafusos, genro e sogro, instalaram uma pequena galeria dentro do château em estilo normando que funcionava como sede da fazenda da família, na época com 70 hectares. A ideia, na ocasião, era exibir o trabalho de artistas locais, radicados no vale do rio Hudson.

Foi ao conhecer um deles, o mestre do expressionismo abstrato escultórico David Smith, e ver como ele dispunha suas obras no jardim do seu estúdio ao pé das montanhas, que os proprietários enxergaram a vocação do museu. Em 1967, compraram um lote de 13 esculturas do artista e as expuseram do lado de fora do château (onde estão até hoje). Era uma época em que escultores de todo o país estavam explorando os limites de sua arte, descobrindo novos usos para os materiais disponíveis e, por meio deles, encontrando novas formas de se expressar para além do pictórico. Louise Bourgeois, Alexander Calder, Isamu Noguchi, Dennis Oppenheim e Richard Serra foram alguns dos artistas que despontaram nesse período – e todos têm ao menos uma obra no acervo do Storm King.

Mother Peace, de Mark di Suvero: seis toneladas de aço que balançam com o vento
Foto: Angela Pham/BFA.com
Mirror Fence, de Alyson Shotz, recria as cercas que separam quintais, mas espelhadas.
Foto: Xavier Bartaburu

Visita ao Storm King Art Center

Apesar de imenso, o Storm King Art Center é menor do que parece. Leva-se 1 hora para percorrer a propriedade de uma ponta a outra – e é possível alugar uma bicicleta para poupar os calcanhares. Isso não inclui, é claro, as pausas para a contemplação das obras ou mesmo da paisagem, que nos convida a longos momentos de descanso sob as árvores, à beira do lago ou sobre o gramado. Há quem faça piqueniques, o que é altamente recomendável, dado que o único café do lugar cobra preços abusivos por um cardápio que mal passa de sanduíches. É programa de um dia inteiro, se você quiser, mas também possível de combinar com a visita a outro grande museu nas redondezas, o Dia Beacon.

Head of a Girl, escultura monumental de Louis Derbré: 28 metros de aço e arte
Foto: Xavier Bartaburu
Foto: Xavier Bartaburu
Frog Legs, de Mark di Suvero, cujas obras deram início ao museu
Foto: Xavier Bartaburu

O mais interessante do Storm King – e eis aí uma diferença crucial com Inhotim – é que ele é um organismo que se transforma de acordo com as mudanças na temperatura. Visitá-lo no inverno, quando o branco da neve reveste campos, bosques e esculturas, é uma experiência completamente diferente de percorrê-lo quando a folhagem do outono banha a propriedade com tons de dourado. Mesmo alterações sutis também impactam o acervo: toda escultura exposta no Storm King ganha novos contornos e significados a cada ano, dependendo de como cresce a vegetação ao redor – o que obriga a equipe de manutenção a estar sempre redesenhando a paisagem, e às vezes até mudando obras de lugar.

Uma das instalações que melhor captura essa ideia é Mirror Fence, da norte-americana Alyson Shotz, uma cerca pontiaguda do tipo que divide os quintais nos Estados Unidos, porém espelhada. É uma cerca em linha reta, que nada protege, mas reflete as colinas e suas infinitas transformações de luz e sombra ao longo do dia e do ano. Arte e natureza num objeto só, despido de sua materialidade estática para se deixar vestir pela espontaneidade silvestre. Ainda mais eloquente é The Crisis, do também americano Rachid Johnson, a mais nova aquisição da casa: uma estrutura cúbica feita de hastes de metal amarelas aguarda pacientemente que o pasto ao redor cresça e a envolva, semeando e fazendo germinar os vasos de terra nela suspensos. O artista explica que sua obra fala da “regeneração que sucede o trauma”. Melhor metáfora para estes tempos que vivemos. E também uma lembrança de que, não importa o que a mão humana construa, a natureza, implacável, sempre haverá de nos engolir.

Seven Swords, uma das obras de Alexander Calder | Foto: Xavier Bartaburu
Mapa: Antônio Tavares
Foto: Xavier Bartaburu

Clique aqui para ler a matéria na íntegra na edição 03 da Revista UNQUIET.

    UNQUIET Newsletter

    Voltar ao topo