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Por Juliana A. Saad
Andermatt se consolidou como destino de wellness de montanha com o The Chedi, projeto do arquiteto e designer de interiores Jean-Michel Gathy, responsável por diversos hotéis Aman. Eu já tinha estado no vilarejo durante o verão e voltei no inverno, quando a paisagem muda completamente e revela outra dimensão dos Alpes centrais.
O pequeno vilarejo fica no vale de Urseren, cercado pelo maciço do Gotardo e pelas montanhas dos passos de Furka, Oberalp e São Gotardo. Ali, os telhados inclinados e a madeira escura dos chalés suíços dão lugar, por dentro, aos amplos espaços de inspiração oriental criados por Gathy. Madeira alpina, pedra e vidro convivem com esculturas budistas, painéis treliçados, arte balinesa e obras contemporâneas.
Na recepção, um lustre de cristais Swarovski de 35 metros acompanha o longo balcão de mármore preto. Perto dali uma réplica em escala real do Aston Martin DB5 lembra que James Bond passou por essas estradas em Goldfinger. Nos lounges, sofás profundos e cantos junto às muitas lareiras recebem a luz baixa e acobreada do fim do dia, com os Alpes emoldurados pelas grandes janelas.
Na suíte, igualmente requintada e minimalista, madeira e pedra envolvem a cama Hästens e a lareira. As varandas se abrem para o vale; nas paredes, há obras de arte, e os closets são bem planejados. No banheiro de inspiração japonesa, a banheira profunda com vista, o rain shower e o piso aquecido prolongam a sensação de conforto. À noite, o fogo crepitando, o aroma da madeira e a cama deliciosa fazem do sono uma parte natural do bem-estar.
Wellness nas alturas
As estações também mudam a rotina: no verão suíço, trilhas, escaladas e passeios de bicicleta partem quase da porta; no inverno, o dia se divide entre o esqui e o Spa & Health Club. Na volta dos 180 quilômetros de pistas da região, os Ski Butlers cuidam dos equipamentos e deixam as botas prontas para o dia seguinte. É hora de se entregar ao centro de bem-estar.
O superspa ocupa 2.400 m² distribuídos em dois níveis, ligados por uma grande escadaria. Pedra, madeira e esculturas asiáticas compõem o espaço, que tem salas de descanso e uma piscina interna de 35 metros. O vidro deixa a luz entrar e abre a vista para as montanhas — um sonho. Há, ainda, uma piscina aquecida ao ar livre, com neve ao redor e vapor subindo da superfície.
A área de hidroterapia reúne mais três piscinas aquecidas, incluindo uma jacuzzi, além de cold plunge, sauna finlandesa, bio sauna, banho a vapor e câmara de vapor salino. Também há uma academia de ponta. E isso não é tudo: a área de tratamentos conta com 12 suítes voltadas para os picos nevados.
Aline Gärner, Spa Manager, apresentou um extenso menu de massagens, terapias e rituais. Escolhi a Chedi Alpine Massage, assinatura do spa, executada com maestria pela terapeuta Eva Katsakari. Também gostei da Himalaya Hot Stone Massage, dos rituais da MEI com aromaterapia e botânicos e dos protocolos faciais da Biologique Recherche, como o Soin Lissant.
O Sanctum realiza experiências na natureza durante os meses mais quentes, e a Humansa Suisse soma ao spa do Chedi Andermatt um centro de longevidade e medicina preventiva.
A sustentabilidade permeia diferentes aspectos do hotel: o calor dos sistemas de refrigeração é reaproveitado no piso do spa, a eletricidade vem 100% de fontes renováveis e a calefação utiliza madeira local.
Ocidente e Oriente à mesa
Nos restaurantes, a conexão entre Ocidente e Oriente aparece nos cardápios e nos interiores, assinados pelo SPIN Design Studio, de Tóquio. No The Restaurant, quatro cozinhas abertas deixam os chefs à vista, e o menu se divide entre as duas tradições: de um lado, receitas asiáticas, como dim sum; do outro, pratos europeus, como o Andermatt Wagyu. Os ingredientes são sobretudo regionais e sazonais, e há também opções vegetarianas e veganas.
A Cheese Tower, uma sala de vidro de cinco metros, reúne queijos suíços e de outras procedências. Duas grandes Chef’s Tables, no centro das cozinhas abertas, permitem acompanhar o preparo de perto, sob o comando do diretor culinário André Kaiser.
Pela manhã, o Chedi Grand Breakfast Buffet se espalha pelas estações, com frutas, Bircher muesli, opções saudáveis e pratos preparados na hora. Marco, sommelier do restaurante, me serviu vinhos sem álcool da Kolonne Null e rótulos de baixo teor alcoólico. A água mineral 4-Spring Water, das fontes de Andermatt, chega às mesas em garrafas de vidro, em sintonia com a política ambiental do hotel.
No The Japanese, os chefs Dominik Sato e Fabio Toffolon servem modern omakase, sushi e sashimi. O restaurante tem duas estrelas Michelin, e a dupla assina também o estrelado The Japanese at Gütsch, restaurante de montanha do hotel, a 2.400 metros de altitude e acessível por gôndola.
Na Wine Library, o Head Sommelier Jose Santanita abriu um Sassicaia para mim. No The Lobby Lounge, o cardápio all dayinclui dumplings, smoked salmon e outras delícias.
Vamos de trem panorâmico?
Para quem chega do Brasil, a SWISS voa direto de São Paulo a Zurique. De lá, a excelente malha ferroviária suíça leva a Andermatt em cerca de duas horas, com trens pontuais e um percurso alpino que transforma o trajeto em parte da viagem.
É por ali que passa também o famoso Glacier Express, em sua rota panorâmica pelos Alpes, entre montanhas, vilarejos e pequenas estações dignas de Wes Anderson. Para seguir viagem sem se preocupar com as malas, a SBB, companhia ferroviária suíça, oferece serviços de coleta e entrega de bagagem: o Door-to-Door Luggage, de hotel a hotel, e o Flight Luggage, entre endereços ou estações selecionadas e os aeroportos de Zurique e Genebra.




























































































































































































