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Por Carlos Marcondes
Noite
Sydney navega em busca de taças cada vez mais cool. Os bairros hipster de Newtown e Surry Hills, além de Marrickville, com suas incríveis cervejarias, exalam ares de uma metrópole cosmopolita vibrante, cultural e progressista (viva o Mardi Gras!). Basta caminhar por ruas como Crown, Foster e King e se encantar com a diversidade.
Os chamados minibares têm se tornado uma coqueluche aconchegante, como o Bar Planet, um éden dos amantes de martíni, e o Cantina Ok!, autodenominado de Micro Mezcal Mecca, que funciona em uma antiga vaga de estacionamento.

Não distante, no coração da cidade (CBD), há outra tendência: a dos escondidos. É o caso do The Caterpillar Club um clube de jazz underground charmoso, tentador para os amantes de soul music. Era uma célebre casa de striptease que foi repaginada como um bar hollywoodiano dos anos 1970, de ares nostálgicos, repleta de curvas e tons em vermelhos aveludados e tomada por uma ótima vibe.
Gastronomia
Não há uma cozinha realmente australiana. A beleza da gastronomia aqui é a pluralidade de influências. Sou atraído por propostas originais, como a do Aambra, que exalta a riqueza das mesas típicas do Levante (Oriente Médio e Mediterrâneo), dentro de uma antiga igreja metodista de 120 anos. Pratos inspirados em países como Líbano, Síria, Chipre, Jordânia e Egito são apresentados em um ambiente celestial, com o pé-direito de 10 m e iluminado por imensos vitrais da construção original. A chamada australian cuisine também tem uma faceta asiática célebre. Em Surry Hills, destacam-se o despojado tailandês Spice I Am e o supercool indiano Don’t Tell Aunty, de decoração bollywoodiana.

Cultura
Em Gadigal Land, como Sydney é chamada pelos povos originários, há uma vasta opção no portfólio de museus, como o Art Gallery of New South Wales + Modern Project, o White Rabbit Gallery e o novo Powerhouse Parramatta, com previsão de inauguração para este semestre, e que já é considerado como um dos principais novos projetos culturais no mundo. Mas poucos representam o espírito australiano como o Carriageworks, uma antiga oficina ferroviária transformada em um centro artístico, com instalações, fotografia, moda, performances e design, além do famoso Farmers Market aos sábados, que exalta a essência da gastronomia da cidade.
Northern Beaches
Costumo dizer que o ferry que parte do Circular Quay, o coração da cidade, onde estão a Ópera House e a Harbour Bridge, rumo à famosa Manly Beach (a rival de Bondi), é o transporte público mais fascinante da Terra. Nas embarcações, misturam-se turistas, trabalhadores, estudantes, todos desfrutando da estonteante Baía de Sydney.
Elas levam até a mágica Manly, a principal das 21 praias da península norte, também chamadas de Northern Beaches. Se estiver a pé, passeie pelo corso rumo à orla central e reserve uma horinha para um surpreendente snorkel entre South Steine e Shelly Beach, passando pela pitoresca piscina de mar Fairy Bower Sea Pool. De táxi, vá a North Head ‒ um penhasco de vista espetacular, diante da costa sul da cidade, onde se aprecia o encontro da Baía de Sydney com as águas profundas do Pacífico Sul.

Se estiver de carro, explore os quase 30 km de península pela costa, passando por praias lindas, como Freshwater, Curl Curl, Long Reef Headland e Mona Vale, até o extremo norte, onde se encontram a cobiçada Palm Beach e o farol The Barrenjoey. Na volta, aprecie o pôr do sol no The Newport ou em Manly Harbour (onde o ferry atraca), no descolado Felons Brewing.
Hospedagem
A hotelaria de luxo está representada na cidade por bandeiras como Four Seasons, Mandarim Oriental, Intercontinental e pelo novo W Hotel, bem localizados e com ótimas estruturas. Se a ideia é se hospedar com mais personalidade, o Capella ocupa um prédio histórico de 1912, a ex-sede da secretaria de educação do país. O endereço entrega sofisticação em uma dosagem equilibrada. Já no quesito clássico butique, poucos superam o The Old Clare, ao lado da Central Station. A autenticidade também pulsa em dois outros endereços: o Ace, conhecido por ser um ponto de encontro de gente criativa, e o 25hours The Olympia, ousado, bem-humorado e vintage, encravado entre Paddington e Surry Hills.
Para Insiders
Passear como um sydneysider (como são chamados os locais) é deixar de lado os cartões-postais por algumas horas e mergulhar no charme e na criatividade de bairros que dão cor à cidade. Surry Hills é o coração dessa cena, com cafés, galerias, livrarias e butiques de marcas australianas independentes. Paddington combina elegantes casas vitorianas com algumas das melhores lojas de moda e decoração e, aos sábados, ganha ainda mais vida com os tradicionais Paddington Markets, dedicados a moda, arte e artesanato. Já Darlinghurst convida a passeios tranquilos, entre pequenas butiques, bares de vinho, livrarias e restaurantes escondidos, que parecem feitos para os moradores.
Newtown é para quem se veste em brechós, lojas vintage, discos de vinil, arte urbana e uma atmosfera alternativa e multicultural. Ao lado, o menos famoso Enmore preserva um clima ainda mais autêntico, com pequenos comércios, teatros históricos e cafés independentes. Também menos turística, Marrickville expressa a Sydney do dia a dia: é multicultural e onde antigas áreas industriais deram lugar a cervejarias artesanais, estúdios criativos, excelentes padarias, mercados étnicos e um cenário gastronômico vibrante. Aos domingos, o Marrickville Organic Food & Farmers Market reúne produtores locais, alimentos orgânicos e pequenos artesãos, reforçando o espírito comunitário do bairro, em uma cidade sempre em metamorfose.































































































































































































