Pausa na Savana

Em uma concessão privada no Parque Nacional do Kruger, na África do Sul, o bem-estar se encontra no puro e simples estar na natureza

O grunhido dos hipopótamos e a alvorada avermelhada anunciam: está na hora de acordar. São 5 e meia da manhã, um horário ingrato para ser perturbada, logo nas férias, mas os momentos que seriam vividos em seguida garantem que eu me levante feliz e empolgada. Visto-me com roupas leves e de tons terrosos para não destoar do ambiente. Complemento o conforto com o chapéu que está disponível na saída do meu ninho. Afinal, o dia promete ser quente e solar. Caminho pela passarela longa e integrada aos arbustos e aos capins dourados, enfeitiçada pelos primeiros aromas de terra seca. Enquanto aguardo meus companheiros, tomo um rápido café com leite ao lado dos “ladrões da região”, os macacos-vervet. Logo me acomodo no jipe 4×4 para mais um dia extraordinariamente comum que se inicia na savana sul-africana.

O safari, ou “jornada”, traduzido do suaíli, começa antes disso. O impulso de estar na savana é um chamado ancestral do corpo, de retorno ao mundo natural. Mergulhados em tecnologias, tarefas imediatas e conteúdos infinitos, viajar para a natureza vai além de pausas e respiros – transformou-se em uma necessidade de sobrevivência. É como reencontrar um estado selvagem, do qual nos distanciamos tanto que nos esquecemos de que compomos uma espécie e não existe separação entre nenhuma das que habitam o mundo. Pelo menos, é o que o meu corpo anseia de tempos em tempos.

Fechar

Benefícios Exclusivos UNQUIET: Singita, Lebombo Lodge, África do Sul

Saiba mais

Consulte seu agente de viagens

Singita Lebombo

Benefício: Experiência Especial Surpresa, preparada de acordo com a sazonalidade na área da reserva, para os leitores UNQUIET

  • Use o código: UNQUIET
  • Validade: Março de 2027
Manadas de elefantes cruzam tranquilamente o parque em meio à savana preservada
Grupo de leoas devora a caça do dia
Leões

Conservação e permanência  

Dessa vez, a minha volta ao bem-estar humano aconteceu em um dos principais parques nacionais de vida selvagem do mundo, o Kruger. Mais especificamente, em uma das concessões privadas da tradicional marca Singita, localizada na parte leste, na fronteira com Moçambique. 

Embarcada em um avião pequeno, voo em torno de uma hora a partir de Joanesburgo e logo sou apresentada a Amy, minha guia nos próximos dias. Enquanto nos dirigimos ao destino final, ela me explica sobre a formação de basalto, um tipo maduro e fértil de paisagem, que cria o habitat ideal para os animais. Pelas janelas do jipe, já avisto alguns deles e chego ao Singita Lebombo, um lodge aberto em 2001. Recém-reformado, sua estética contemporânea e inovadora apresenta uma paleta cinza, marrom e bege, mesclada com madeira, aço e vidro. Seus espaços, amplos e abertos, destacam e estendem o horizonte, e já não existem barreiras entre a natureza e os humanos.

Um crocodilo
O anoitecer que muda os tons, os sons e os movimentos da savana

O combinado entre a empresa e o governo é que apenas os hóspedes possuam acesso à área de mais de 13 mil hectares e, em troca, o Singita tenha responsabilidade com a conservação da fauna e flora. Além de se engajar rigorosamente com o meio ambiente, o Singita vai além: apoia as comunidades locais por meio do Singita Lowveld Trust e capacita jovens em hospitalidade e gastronomia por meio do programa Singita Community Culinary School. O verdadeiro luxo nos dias de hoje. 

Cada canto da propriedade é um convite contínuo para o olhar se ancorar na planície. As 13 vilas estão cravadas sobre um penhasco à beira do Rio N’Wanetsi, inspiradas em ninhos de águias. Envidraçadas, parte da experiência está em relaxar na banheira, saborear um chá antes de dormir, acordar com as cortinas abertas, tomar um café especial no terraço, flutuar com as fragrâncias colocadas pelas camareiras à noite, no compasso em que a savana vive. Se preferir, o centro de wellness conta com uma academia ampla, sauna e diversos tratamentos terapêuticos. Ainda no lodge, uma piscina de borda infinita é o refresco pedido durante o dia, enquanto a gastronomia – incluindo a degustação de rótulos especiais de vinho – é o acolhimento pedido para finalizar o dia.

Elefante recém-nascido ao lado da mãe
Hipopótamos no rio
Família de rinocerontes, que têm seus chifres cortados para evitar caçadores

“A conservação exige um foco preciso em manter o turismo e a vida selvagem em um equilíbrio construtivo. A sobrevivência de cada um é crucial para a sobrevivência do todo ”

Jo Bailes, Ceo Singita

Sentir a Savana

Este é o propósito de quem está lá: imergir com consciência no entorno. Tenho quatro dias no “lugar de milagres”, a tradução da palavra singita em shangaan, e faço saídas para ver o que a natureza me reserva logo cedo e no fim do dia, horários em que os animais estão mais ativos. Girafas, antílopes, leões, rinocerontes, pássaros de todas as cores e tamanhos, zebras, babuínos e o raro leopardo são alguns dos seres com os quais troco olhares e compartilho a presença durante as jornadas. O que mais gosto nessas viagens é escolher passar mais tempo em cenas específicas, o que talvez diminua a minha chance de ver uma variedade maior de animais. Mas, como diz um ditado esquecido, a pressa é inimiga da perfeição.

Em uma delas, observo um bando de leoas adultas com alguns adolescentes. O sol está quase tocando o horizonte e elas estão inquietas, brigando contra as moscas: uma situação curiosa, considerando o tamanho dos animais descritos. Rabos se chicoteiam, barrigas rolam de um lado para o outro, até que uma delas, determinada, corre e escala uma árvore, um comportamento tão atípico para um leão que até a guia tira o celular do bolso e registra o momento. Outras tentam copiar, mas desistem, e o bando decide que é hora de mudar de lugar. Ela claramente não sabe como refazer seus passos: aposta em uma esticada de perna de um lado, olha para outro e, enfim, salta de volta ao chão. 

A ousadia de uma leoa sobre uma árvore
Macaco-vervet
Rolieiro-de-peito-lilás

Em outra manhã, Amy propõe sentir a savana de outra forma: a pé. A ideia não é identificar animais, mas realizar uma meditação ativa e reparar nos outros elementos que compõem o bioma, como insetos, a vegetação e os tipos de erosão. Iniciamos pelo alto de um desfiladeiro e terminamos à beira de um rio, acompanhados por cabeças de hipopótamos – e suas orelhas em formato de cone – e pegadas frescas de um leão adulto. Sou surpreendida por uma mesa de café da manhã e tapetes de ioga e sigo para uma prática rápida, que me aterra tanto à energia do lugar que me entrego à savasana, hipnotizada por todos os sons e aromas que consigo identificar. 

A espera é a responsável por momentos memoráveis. Dois rinocerontes, uma espécie cada vez mais difícil de ver por causa da caça ilegal, guardavam o seu filhote, intuitivamente armando uma barreira entre ele e o jipe. Percebendo que não éramos uma ameaça, o pequeno foi aos poucos mostrando suas formas. O mesmo aconteceu com uma manada de elefantes e um bebê com dias de vida, que buscava a fortaleza do corpo da mãe para se esconder. Com o tempo necessário para se acostumar à presença do jipe, ele tomou coragem para andar mais livre, à medida que aprendia a lidar com os seus movimentos. 

Cobo-d’água
Vista do lodge a partir do rio N’ Wanetsi.

A verdade é que a real magia não está nas telas, mas em estar no mundo. Amy me convida a cobrir a noite com as pálpebras. Sem pensar, obedeço, imaginando que a cena a seguir seria algo grandioso. Quando ela me convida a revelá-la, encontro centenas de luzes piscantes no ar, produzidas por criaturas encantadas, que são os vagalumes. Esses sim são os acontecimentos que espontaneamente vibram na nossa alma. 

+ Leia outros artigos sobre viagens de aventura

Matéria publicada na edição 22 da Revista UNQUIET.

Fechar

SUSTENTABILIDADE

Ações de conservação do meio ambiente e ações sociais

Saiba mais

Singita Lelombo

Conservação da natureza e biodiversidade

  • Proteção de grandes áreas de vida selvagem, preservando ecossistemas e habitats naturais em regiões como reservas privadas e parques nacionais africanos.
  • Programas de monitoramento de fauna e flora, incluindo pesquisa científica sobre espécies ameaçadas.
  • Combate à caça ilegal (anti-poaching) com equipes especializadas, tecnologia de vigilância e unidades K9 para proteção da fauna.
  • Gestão ativa de reservas naturais com controle de espécies invasoras, prevenção de erosão e manejo de recursos naturais.

Energia e ação climática

  • Instalação de energia solar e outras tecnologias renováveis em vários lodges para reduzir emissões de carbono.
  • Equipamentos energeticamente eficientes, como ar-condicionado de baixo consumo e iluminação LED.
  • Monitoramento contínuo da pegada de carbono e análise periódica das emissões das operações.
  • Meta de reduzir significativamente as emissões e avançar para operações de baixo carbono.

Gestão de resíduos e consumo responsável

  • Eliminação ou redução significativa de plásticos descartáveis, substituindo garrafas de plástico por garrafas reutilizáveis para hóspedes.
  • Redução de resíduos e incentivo à reciclagem e reaproveitamento de materiais nos lodges.
  • Uso de materiais sustentáveis e produtos orgânicos, incluindo amenities ecológicos e produtos locais.

Desenvolvimento comunitário

  • Programas educacionais para crianças e jovens em comunidades próximas às reservas, incluindo apoio a escolas e materiais educacionais.
  • Bolsas de estudo e capacitação profissional, promovendo oportunidades de emprego.
  • Criação de pequenas empresas locais e cooperativas agrícolas que fornecem produtos para os lodges.
  • Programas de empoderamento de mulheres e apoio a empreendedores locais.

Formação profissional e emprego local

  • Singita Community Culinary School, escola criada para formar chefs e profissionais de hospitalidade nas comunidades locais.
  • Alta contratação de funcionários locais, fortalecendo a economia regional e reduzindo desigualdades sociais.

Cultura e turismo responsável

  • Valorização da cultura local, artesanato e tradições, integrando artistas e artesãos na decoração e experiência dos lodges.
  • Educação de hóspedes e funcionários sobre conservação ambiental e cultura local durante a experiência de safári.

Site: singita.com/conservation/sustainability

Ilustração: Antônio Tavares

    UNQUIET Newsletter

    Voltar ao topo Clicky